sexta-feira, 18 de março de 2011

Carta da Presidente do Conselho Executivo da Organização Canadense dos Músicos de Orquestra Sinfônica ao Maestro Roberto Minczuk

  Caro Maestro Minczuk,

Em nome dos 1100 músicos que pertencem à Organização de Orquestras Sinfônica do Canadá, nós estamos escrevendo hoje para o senhor para expressar nosso coletivo espanto e preocupação com a maneira que o senhor programou avaliações de desempenho para todos os membros da Orquestra Sinfônica Brasileira, uma ação que não é apoiado pelo acordo coletivo da orquestra. Como você sabe, os nossos colegas do Brasil têm apelado à comunidade internacional musical para lhe pedir que reconsidere esta ação. Queremos juntar as nossas vozes em apoio a isso.

Aqueles que trabalharam com você nas orquestras canadenses atestarão que o senhor trouxe um compromisso forte com os mais altos níveis de desempenho de uma orquestra. Nós apoiamos e dividimos esse compromisso, no entanto temos e devemos salientar que altas ambições artísticas precisam ser unidas ao respeito e compreensão. Como Alex Klein observou a história das orquestras e em particular das grandes orquestras, são marcadas pelo respeito aos músicos como artistas e pessoas. Estas condições não são somente necessárias para nós que atuamos em uma profissão altamente exigente, mas são importantes para aqueles  possuem ideais artísticos elevados.

Chamar uma orquestra inteira para se preparar a defender os seus postos de trabalho em uma avaliação de desempenho, com um tempo de preparação limitado, durante um período programado como férias, só pode levar a uma atmosfera de desconfiança e hostilidade. Isso reflete negativamente em todos nós, e compromete o espírito de uma orquestra - que, afinal, depende para o seu sucesso na confiança e em um trabalho coletivo.

O senhor pode não estar ciente disso, mas os olhos dos músicos e ativistas sindicais de todo o mundo estão sobre o senhor agora. A situação da OSB foi um tópico na Segunda Conferência internacional de Orquestras Sinfônicas, realizada em Amsterdã, de 7 a 9 de Março. Fazemos um apelo ao senhor, por conta do trabalho positivo que o senhor tem feito no Canadá, para retirar essa exigência de avaliação e retornar ao trabalho de construção e fortalecimento da OSB através de meios positivos, com a participação da comissão eleita dos músicos da OSB.

Respeitosamente,
Conselho Executivo da Organização Canadense dos Músicos de Orquestra Sinfônica
Francine Schutzman, presidente.

http://ocsm-omosc.org/index.php

Dear Maestro Minczuk,

On behalf of the 1100 musicians who belong to the Organization of Canadian Symphony Orchestras, we write to you today to express our collective astonishment and concern at the manner in which you have scheduled performance assessments for every single member of the Orquestra Sinfonica Brasileira, an action which is not supported by the collective agreement of the orchestra. As you know, our colleagues in Brazil have appealed to the international musical community to ask that you reconsider this action. We wish to add our voices in support of theirs.

Those who have worked with you in Canadian orchestras will attest that you have brought a fierce commitment to the highest levels of orchestral performance. We support and share that commitment, yet we must point out that high artistic ambitions need to be paired with respect and understanding. As Alex Klein noted, the history of orchestras, and of the greatest orchestras in particular, is one of increasing regard for the musicians as artists and people. These conditions are not only necessary for us to function in a highly demanding profession, but are supportive of those very high artistic ideals.

Calling a whole orchestra to prepare to defend their jobs in a performance assessment, given limited preparation time over a period scheduled as vacation, can only lead to an atmosphere of distrust and hostility. This reflects poorly on all of us, and compromises the spirit of an orchestra -- which is, after all, dependent for its success on morale and a collegial workplace.

You may not be aware of it, but the eyes of musicians and labour activists around the world are upon you right now.  The situation in the OSB was a topic at the second international symphonic conference, held in Amsterdam from March 7-9th. We appeal to you, for the sake of the positive work you have done in Canada, to withdraw this demand for assessment and to return to work building and strengthening the OSB through positive means, in consultation with the OSB's elected musicians' committee.

Respectfully yours,

The Executive Board of the Organization of Canadian Symphony Musicans

Francine Schutzman, President