sexta-feira, 18 de março de 2011

Carta dos Professores do Instituto Villa-Lobos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO à OSBJ

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - UNIRIO CENTRO DE LETRAS E ARTES INSTITUTO VILLA-LOBOS


Carta dos Professores do Instituto Villa-Lobos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO 

            Os professores do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO, por meio deste documento, querem expressar sua preocupação com os critérios que vêm determinando as relações entre a direção artística e os jovens músicos que compõem a OSBJ (Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem). 

            Os alunos têm sido levados a atuar em lugar da orquestra profissional, expondo-se sem preparo adequado a situações que poderão acarretar efeitos negativos no seu desenvolvimento. A truculência com que são tratados os instrumentistas da OSBJ; as lições de antiética implícitas na obrigatoriedade de substituir músicos profissionais, alguns dos quais seus professores; os critérios pedagógicos utilizados na solução de problemas que não deveriam ser da alçada de uma orquestra jovem, utilizada como substituta da orquestra principal; a pressão exercida pela direção da OSBJ através da manipulação de bolsas de estudos, para assegurar a presença e a obediência dos jovens são, a nosso ver, atitudes inaceitáveis por parte de quem trabalha com formação profissional.
Preconizado como “Projeto Pedagógico da OSB” por seu diretor artístico em diversas manifestações na mídia, este conjunto de ações soa ridiculamente cômico, não fosse maléfico.
Os professores do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO se posicionam frontalmente contra este estado de coisas e pedem aos responsáveis que voltem à razão e ao bom senso, deixando que as desavenças com os músicos profissionais sejam resolvidas em seu âmbito, sem envolver os alunos que já estarão, nesta altura dos acontecimentos, suficientemente marcados por decisões autocráticas desequilibradas e indefensáveis, sobretudo quando afetam jovens que procuram – dentro de um mundo que privilegia e incentiva não o SER, mas o TER – o caminho correto para a realização dos seus sonhos.