segunda-feira, 7 de março de 2011

Mensagem da Presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro divulgada na 2nd FIM International Orchestra Conference (IOC)

 No ano passado, a Orquestra Sinfônica Brasileira comemorou 70 anos de atividades. Foram mais de 100 concertos, para um público estimado em 190 mil pessoas, segundo dados da própria instituição. No mesmo ano também se registrou um aumento considerável no orçamento da orquestra, com recursos públicos oriundos da política de incentivo do governo federal. O que poderia indicar um momento de recompensa para os músicos desta orquestra - que durante anos receberam seus salários com atrasos, enfrentaram as piores condições de trabalho e sacrificaram muito de sua vida pessoal em favor desta instituição -, se revelou um drama sem precedentes no mundo inteiro.

Somente dois dias após o inicio de suas férias coletivas – tradicionalmente no mês de janeiro, no Brasil , foram surpreendidos por um comunicado da OSB informando que todos seriam submetidos a uma “avaliação de desempenho” estabelecida sem nenhum critério e sem nenhuma discussão com o corpo orquestral ou com suas lideranças. Em seguida, anunciaram que a orquestra estaria com suas atividades suspensas até o mês de julho, sendo que os concertos da temporada nos meses de março, abril, maio e junho seriam realizados pela Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem, grupo formado músicos em formação. Ao mesmo tempo anunciavam concursos para preenchimento de vagas a serem realizados em Londres, Nova York e por último no Rio de Janeiro.

Estava, assim, explicitado o projeto que irá levar a uma demissão em massa, gerando a absurda situação de se trocar uma orquestra inteira para atender a demanda de uma única pessoa, o maestro Roberto Minczuk. Há algum tempo a orquestra e seu maestro não se relacionam de maneira adequada, principalmente depois da demissão, em 2006, de 14 músicos, às vésperas do natal, bem como suas tentativas de afastamento dos músicos mais velhos e dos que se opunham a sua direção.
Ao mesmo tempo, comunicados são enviados pela direção da orquestra advertindo os músicos que a ausência a estas provas acarretarão graves punições e até mesmo o rompimento do contrato de trabalho.

Apesar de todo este constrangimento, 56 músicos dos 82 que compõe o corpo orquestral, reunidos em assembleia decidiram não participar desta avaliação, em protesto contra o desrespeito, a arrogância e a falta de diálogo a que estão sendo submetidos.

Desta forma, pedimos seu apoio contra esta violência ao qual estão sendo submetidos os músicos da mais tradicional orquestra brasileira, impedindo que o mais básico dos direitos humanos – o direito ao trabalho – seja usurpado e que os responsáveis por esta aberração sejam devidamente responsabilizados.

Deborah Cheyne Prates
Presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro

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Message from the President of the Rio de Janeiro Musicians' Union at 2ª FIM International Orchestra Conference (IOC)

Last year, the Brazilian Symphony Orchestra celebrated 70 years of activities. There were over 100 concerts to an estimated public of 190 000 people, according to the institution itself. Also a significant increase in the budget of the orchestra was reported, with funds coming from public policy sponsored by the federal government. What could indicate a time of reward to the musicians of the orchestra, which for years received low wages, facing the worst working conditions and sacrificed much of his personal life in favor of this institution had become a worldly unprecedented drama.

Only two days after the start of their collective holidays - traditionally in January in Brazil - were surprised by a statement informing that all OSB musicians would be subject to a "performance evaluation" provided with no discretion and without any discussion with the orchestral body or its leaders. Following this statement, the orchestra management announced that the orchestra would have their activities suspended until the month of July, and the concerts of the season in March, April, May and June would be conducted by the Brazilian Youth Symphony. At the same time they announced competitions for posts to be held in London, New York and finally in Rio de Janeiro.

 It was thus clarified that the project will lead to mass dismissals, leading to the absurd situation of changing an entire orchestra to meet the demand of a single person, maestro Roberto Minczuk. For some time the orchestra and its conductor have not been speaking the same language, especially after the dismissal of 14 musicians on the eve of Christmas, in 2006, as well as his attempts to dismiss older musicians and those who opposed his leadership. At the same time, admonitions are sent by the orchestra management warning that the absence to procedure will lead to a severe punishment and even the interruption of the work contract.

Despite all this embarrassment, 56 of the 82 musicians who make up the orchestral body, meeting in Assembly decided not to undertake this "performance evaluation", in protest against disrespect, arrogance and lack of dialogue that are being submitted.

Thus, we ask your support against this violence which the musicians from the most traditional orchestra in Brazil are undergoing, preventing that the most basic human rights - the right to work - is not usurped and that those responsible for this abnormality are properly accountable.

Deborah Cheyne Prates
Presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro