terça-feira, 29 de março de 2011

O homem mais poderoso do mundo

Imaginemos a seguinte circunstância: o técnico Dunga, diante de problemas de baixo rendimento de alguns jogadores da seleção brasileira, na véspera da estreia da seleção na Copa do Mundo da Africa, manda todos os jogadores convocados, titulares e reservas,  para o chuveiro, ou melhor, de volta ao Brasil. Tendo apoio irrestrito da CBF, ele escala então o time de juniores, prometendo contratar, tão logo quanto possível, os melhores craques da Europa para formar uma seleção dos sonhos e ganhar a copa.
Imaginemos outra situação: a presidente Dilma Roussef, logo após tomar posse e anunciar seu ministério, após identificar que dois ou três ministros estão agindo em desacordo com seu plano de governo, demite todo o seu ministério. Mas, como ela conta com o apoio total de sua base, nomeia, como novos ministros, jovens vereadores de seu partido, prometendo, porém, substituí-los o mais rápido possível, por políticos estrangeiros experientes, encantados com a possibilidade de viver num país tropical.
Ou ainda: o diretor de uma novela de TV, dois dias antes de sua estreia, insatisfeito com três atores que não decoram seus textos ,  muda todo o elenco da novela. Com total apoio dos donos da emissora,  forma um novo elenco com alunos de cursos de teatro, prometendo, porém, contratar os melhores atores de Hollywood, tão logo seja possível, reconquistando a audiência perdida.
Essas são três situações hipotéticas, é claro. Isso não aconteceria, nem numa república de bananas, quanto mais num país, potência em potencial,  recém visitado pelo homem mais poderoso do mundo. Sem chances. Isso só acontece em filmes, mesmo assim classe B, com roteiro um tanto inverossível.
Mas, como já disse Garcia Marquez, na América Latina a realidade suplanta a ficção. Eis que na Orquestra Sinfônica Brasileira aconteceu coisa muito próxima dessas situações hipotéticas. O maestro implodiu a orquestra.
E como ficamos todos nós, que, de alguma forma, temos algo a ver com música ( e com cidadania, respeito, democracia…) ? Estupefatos, de boca aberta, sem acreditar naquilo que soaria implausível num país sério, como teria dito De Gaulle, outrora o homem mais poderoso da França. Porém, como estamos num país onde as punições  para ilícitos mais do que comprovados ficam adiadas para o ano seguinte, nada mais nos supreende e nos toca.
Aliás, não sabemos mesmo quem vai tocar no lugar dos músicos que foram tocados pra fora da OSB. Talvez, assim como acontece os partidos, se crie uma OS do B - Orquestra Sinfônica do Brasil, pois a Orquestra Sinfônica Brasileira propriamente dita parece já não existir mais. Não se sabe. O que se sabe, pelo que se vê, é que o presidente americano não é o único homem mais poderoso do mundo. Há outros.

Tim Rescala