quarta-feira, 9 de março de 2011

Prezado Sr. Lebrecht,

A Comissão de Músicos da OSB considera importante tecer as seguintes considerações acerca do depoimento do Maestro Minczuk, publicado no dia 08/03/2011, neste blog: www.artsjournal.com/slippeddisc/

1.     O período conturbado que estamos vivenciando há cerca de dois meses, é resultado da divulgação precipitada de um documento que convocava todo o corpo orquestral (os spallas inclusive) para participar de uma equivocada “avaliação de desempenho”, limitada a uma única apresentação individual  de 30 minutos de duração, fato inusitado no decorrer dos 70 anos de existência da orquestra, não previsto nos contratos de trabalho dos músicos da OSB e certamente não adotado em nenhuma das mais importantes  orquestra do mundo como costuma divulgar o Maestro Minczuk. Este documento, recebido pelos músicos em 06/01/2011, não fazia menção a possíveis demissões, porém a estranheza da convocação no inicio das férias, assim como o ineditismo da proposta, provocaram grande comoção entre os músicos. Esse tipo de exame é normalmente aplicado quando da admissão de músicos e configurava-se como uma prova, nunca uma avaliação de desempenho.

2.     A impressão de que as demissões ocorreriam foi reforçada por ocasião da divulgação da temporada de 2011, há cerca de três semanas, quando foi divulgado oficialmente que toda a programação prevista para o 1.º semestre ficaria a cargo da OSB Jovem, integrada por bolsistas, sem vínculo empregatício com a Fundação e que deveriam, na realidade, estar submetidos a um programa pedagógico compatível com os objetivos de uma verdadeira Orquestra-Escola e, portanto, atualmente inabilitada para substituir a orquestra profissional. Se não existe a intenção de demitir, qual a justificativa dos músicos da OSB não serem programados imediatamente após o término das avaliações?
Esta impressão de demissão em massa, também foi reforçada pelo anúncio de um Plano de Demissão Voluntária, realizado de maneira também surpreendente e para o qual somente três músicos se inscreveram. Um jovem que toca de maneira excepcional o corno-inglês; um oboísta com vasta experiência em orquestras internacionais, como a Filarmônica de Berlim e a Ópera de Berlim e um violinista com mais de trinta anos dedicados a OSB.

 3. O salário de $ 6.500,00 refere-se a poucas posições na orquestra. O salário base será de $ 3.529,00, mais algumas gratificações por concertos e pela cessão total dos direitos de imagem e áudio. Com este “aumento” de salário a fundação praticamente dobra o número de funções da orquestra e obriga a todos a exclusividade, além de retirar a gratificação por tempo de serviço conquistado pelos músicos após duras negociações.

4.   Os músicos concordariam com a implantação de um bem estruturado programa de “avaliação de desempenho”, desde que o mesmo incluísse critérios, estes sim, adotados em instituições sérias, conforme demonstrado ao Presidente da Fundação OSB, Dr. Eleazar de Carvalho Filho, em reunião com os membros da Comissão de Músicos, realizada em 18/02/11. Nesse caso, a avaliação estaria sujeita, necessariamente, à análise do desempenho do músico no transcorrer de um período determinado (i.e. anual ou semestral) e obrigatoriamente sujeita à apreciação dos chefes de naipe e do próprio Maestro.

5.  O Maestro Minczuk é o Diretor Artístico e Regente Titular da OSB há seis anos, período mais que suficiente para que avaliasse os integrantes da orquestra, os quais dirigiu por centenas de ensaios e apresentações.

6.  Vale lembrar que o “ritual” de admissão para a orquestra está nos estatutos e sempre foi observado. O departamento de pessoal e a contabilidade têm os registros de quando o músico foi admitido e sua história dentro da fundação desde sempre. Se o maestro está se referindo às notas dos jurados em cada audição, nem ele mesmo tem das novas (depois de 2006). Não há qualquer documento oficial das provas nem antes nem depois dele. Mas ele infere na carta dele que músicos teriam sido admitidos sem o rito necessário das audições. E isso jamais aconteceu antes dele, pois é contra o estatuto vigente. Ele, sim, contratou alguns músicos sem concurso e, em um novo regimento que tenta impor à orquestra, está tentando reivindicar para si poderes para contratar músicos sem prova e vetar músicos que tenham sido aprovados pelas bancas de prova. Isso sim constitui grave ameaça ao futuro da orquestra.

7.  Temos a convicção de que não estaríamos todos, administração e corpo orquestral, sujeitos ao atual constrangimento caso os músicos tivessem participado da elaboração do programa de avaliação, possibilidade prevista no Estatuto da Fundação OSB.

                Cordialmente,
                Luzer Machtyngier
                Presidente da Comissão de Músicos da OSB

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Dear Mr. Lebrecht,

The OSB Musicians Commission considers important to make the following remarks about the letter by Maestro Minczuk, published on this blog:

1.  The period of commotion we are experiencing for about two months, is the result of hasty disclosure of a document calling on all the orchestral body (including leaders) to participate in a misguided "performance evaluation", limited to a single individual presentation of 30 minutes long. Undoubtedly, it has never been done during the 70 years of existence of the orchestra, not stated on the employment contracts of the OSB musicians and certainly not adopted in any of the major orchestras of the world, as it is usually exposed by Maestro Minczuk. This document, received by the musicians on January 6th, 2011 made no mention of any layoffs, but the strangeness of the call at the beginning of summer holiday as well as the uniqueness of the proposal caused great commotion among the musicians. This type of audition is usually applied in order to enter the orchestra, not as a “performance evaluation”.

2.  The impression that the mass dismissal would occur was reinforced during the release of the 2011 season, about three weeks ago, when it was officially announced that all programming scheduled for March, April, May, June and July would be in charge of Brazilian Youth Symphony Orchestra, a music students ensemble, with no working contract with the OSB Foundation and which should actually be submitted to an educational program consistent with the goals of a real Youth Orchestra, and therefore, not able to replace the professional orchestra. If there is no intention to dismiss, what would justify this huge period without any schedule for the musicians of the professional OSB immediately after those auditions?
This impression of a massive dismissals, was also reinforced by the unexpectedly announcement of a Voluntary Retirement Plan, for which only three players signed up. A young musician who plays the English-horn in an exceptional manner, an oboist with extensive experience in international orchestras as the Berlin Philharmonic and Berlin Opera and a violinist with over thirty years devoted to OSB.

3.  This salary 6500.00 U.S. refers to a few positions in the orchestra. The base salary will be 3529,00 U.S. , plus extras for concerts and total assignment of image and audio rights. With this "wage increase" the orchestra nearly doubles the number of functions, and compels all musicians to exclusivity in addition to removing the bonus for years of service earned by the musicians after tough negotiations.

4.  The musicians certainly would agree to a well-structured program of "performance evaluation", since it included the same criteria used in serious institutions, as demonstrated to the President of the OSB Foundation, Dr. Eleazar de Carvalho Filho, in a meeting with members of the OSB Musicians Commission, on February 12th, 2011. In this case, the evaluation would be subject necessarily to the analysis of the musician performance in the course of a given period (i.e. annual) and obligatorily subject to review by the sections principals and the Maestro. It could never be limited to a single individual presentation, which can be negatively influenced by uncountable factors.

5.  Maestro Minczuk has been the Artistic Director and Principal Conductor of OSB for the last five and a half years. He had more than enough time to evaluate the members of the orchestra which he has worked with for hundreds of rehearsals and performances.

6.  It is noteworthy that the "ritual" for admission to the orchestra is in its statutes and was always observed. He inferred in his letter that the musicians have been admitted in the orchestra without the necessary rite of the auditions. The personnel and accounting departments have the records of every musician’s admission and their history within the institution. However, there have never existed any official documents of the auditions with the notes of the judges. He did hire some musicians without auditioning them. He can veto any candidate.

7.  We are convinced that the orchestra and its management would not be subject to the current constraint if the musicians had participated in the drafting of the evaluation program, a possibility predicted in the Statute of OSB Foundation.

 Sincerely,
Luzer Machtyngier
President of the OSB Musicians Commission