sexta-feira, 4 de março de 2011

Prof. Paulo Bosisio

Mesmo não integrando o quadro de instrumentistas da Orquestra Sinfônica Brasileira, minha relação com aquele conjunto já vem de 1966, quando solei como jovem concertista, sob a regência do então Titular Maestro Karabtchewsky. Retornando da Europa, apresentei-me diversas vezes na serie oficial da OSB, em cujo corpo integram hoje, não só antigos e novos colegas, como também alunos e ex-alunos.

Participante ativo da vida musical de nosso país fui surpreendido pela noticia de um possível teste de avaliação interna nos quadros daquela orquestra, de natureza estranha, no mínimo. Estranha por não ter eu presenciado tal procedimento nos oito anos de minha permanência na Suiça e Alemanha, estranha por não poder avaliar os músicos da orquestra por suas maiores qualidades - a experiência profissional e o convívio harmônico com os colegas - ,estranha pelo seu tom autoritário.

A ideia de que a OSB-Jovem, onde também tenho alunos, possa por um espaço de tempo suprir a ausência da OSB profissional, é absurda. Aquela orquestra jovem deveria estar cumprindo a missão de orquestra escola, como foi a antiga Orquestra Juvenil do Teatro Municipal, sob a regência do maestro Hack, que ofereceu ao cenário sinfônico carioca os seus melhores músicos profissionais. Para ter este perfil, deveria trabalhar com um repertório compatível com o nível existente, o que definitivamente não é o caso.

Voltando aos profissionais cito, para quem não sabe, que o grande violinista Arnold Rosé, spalla da Opera de Viena sob a regência de Mahler, ocupou durante 57 anos aquele posto, não sendo obrigado a passar por qualquer prova de avaliação. Foi afastado pelos nazistas austríacos.
A ideia de avaliação interna é deplorável e humilhante. Mas se assim fosse a filosofia, por que não avaliar o maestro? Não é músico também? É uma questão de coerência.

Paulo Bosisio.
Paulo Bosísio ocupa a Cadeira 08 na Academia Brasileira de Música.