segunda-feira, 18 de abril de 2011

Músicos da OSB denunciam Minczuk por assédio moral e ameaças à integridade física. Frente da Cultura cuidará do assunto em Brasília.


Denúncias de assédio moral e de ameaça à integridade física feitas pelos integrantes da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e a OSB Jovem serão notificadas ao Ministério Público do Trabalho pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), presidida pelo deputado estadual fluminense Robson Leite (PT).  Essas serão as primeiras providências adotadas pelos idealizadores da audiência pública realizada na tarde de ontem (18|Abril2011) para investigar as causas de uma crise que já dura mais de seis meses e parece longe do fim.

Durante a reunião, músicos, parlamentares, professores da OSB e representantes do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro confirmaram algumas evdiências que vinham sendo divulgadas pela grande mídia nos últimos meses. Para Robson Leite, autor da iniciativa, os esclarecimentos prestados até agora são suficientes para se justificar a adoção de medidas punitivas. “Descobrimos oficialmente que além de ser regente da OSB, o maestro Roberto Minczuk também é diretor artístico do Theatro Municipal. Isso é ilegal. É uma questão de princípio republicano. Há uma violação de direitos do estatuto dos músicos e há dinheiro público federal aplicado na OSB que não sabemos como está sendo utilizado”, afirmou Leite.

 Depois de ouvir relatos, ler o Estatuto do Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio e ter acesso ao contrato do maestro Roberto Minczuk, Jandira disse estar convencida sobre a existência de sérias irregularidades. “O estatuto diz que qualquer demissão deve passar primeiro pela Comissão de Músicos da OSB e isso não aconteceu. O maestro não tem poder de pedir esse tipo de avaliação, sem contar que ele está assinando um atestado de incompetência ao pedir que seja feita uma avaliação da orquestra que ele mesmo rege há cinco anos. Isso significa que se Minczuk não teve capacidade para avaliar os músicos em cinco anos, o que dizer se reduzíssemos esse tempo para 30 minutos”, completou.

Até a realização da audiência pública, o contrato do maestro Minczuk também era outro grande mistério. Seus rendimentos foram omitidos por uma “cláusula de sigilo”, que Jandira Feghali nunca conseguiu quebrar nem mesmo quando foi Secretária Municipal de Cultura do Rio. Mas, o silêncio foi quebrado quando a parlamentar leu publicamente o teor de um contrato terceirizado com empresa prestadora de serviços para a Fundação OSB. Outro detalhe curioso: embora o regente Minczuk não seja funcionário da OSB, seus proventos alcançam a ordem de 1 milhão e 200 mil reais anuais brutos. Isso fora os adicionais equivalentes a 5% de comissões sobre os valores de todos os contratos firmados com empresas patrocinadoras. Só para ilustrar, isso corresponderia a um total de 1 milhão e 700 mil reais somente sobre o valor de 35 milhões patrocinado pelo BNDES.

Outros depoimentos. O ex-presidente da Comissão dos Músicos da orquestra, Luzer David, foi o primeiro a ser ouvido. “Nunca fomos contra a avaliação dos músicos, apenas somos contra a maneira como ela é feita. Em nenhum lugar do mundo – e isso sabemos porque entramos em contato com orquestras do mundo inteiro -, uma avaliação desse porte é feita em uma apresentação individual, por 30 minutos e na frente de uma banca internacional. A avaliação sempre é feita através da observação da integração diária na orquestra, vendo como cada um se dedica”, contou.

Representante da Comissão dos Músicos da OSB Jovem, Ayram Nicodemo explicou o motivo da recusa da orquestra em se apresentar no concerto do último dia 9, quando os artistas se levantaram e se retiraram do palco. “Desde que tomamos ciência do quê acontecia com a orquestra profissional, ficamos abalados. A maioria dos demitidos tinha uma ligação grande com muitos de nós, por serem professores e amigos. Após semanas de debates na comissão, decidimos, no dia anterior ao concerto, que não iríamos nos apresentar. Tentei me explicar para o público, mas o microfone foi cortado. Mesmo assim, conseguimos divulgar nossa carta de desculpas”, explicou Ayran, que garantiu não ter sido coagido por nenhum dos músicos demitidos.
Ele também contou que Minczuk ia aos ensaios escoltado por seguranças armados. “Um colega meu disse ter sido ameaçado por um dos seguranças do maestro somente por ter se aproximado da sala de Minczuk”, declarou Nicodemo, comentando o medo que os integrantes da OSB Jovem tinham do regente da orquestra. Para o deputado Robson Leite, os músicos, apesar de jovens e aprendizes, foram muito corajosos. “Eles colocaram em risco suas bolsas de estudos deles pelo bem-estar comum de toda a OSB”, ressaltou.

Débora Cheyne, que representou o Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, afirma que espera que haja conciliação entre a direção da OSB e os músicos da entidade, mas ressalta que a demissão dos músicos trouxe a interrupção do processo de criação e de maturação das peças que seriam apresentadas na temporada.

Denúncias de assédio moral e de ameaça à integridade física feitas pelos integrantes da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e a OSB Jovem serão notificadas ao Ministério Público do Trabalho pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), presidida pelo deputado estadual fluminense Robson Leite (PT).  Essas serão as primeiras providências adotadas pelos idealizadores da audiência pública realizada na tarde de ontem (18|Abril2011) para investigar as causas de uma crise que já dura mais de seis meses e parece longe do fim.

Durante a reunião, músicos, parlamentares, professores da OSB e representantes do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro confirmaram algumas evdiências que vinham sendo divulgadas pela grande mídia nos últimos meses. Para Robson Leite, autor da iniciativa, os esclarecimentos prestados até agora são suficientes para se justificar a adoção de medidas punitivas. “Descobrimos oficialmente que além de ser regente da OSB, o maestro Roberto Minczuk também é diretor artístico do Theatro Municipal. Isso é ilegal. É uma questão de princípio republicano. Há uma violação de direitos do estatuto dos músicos e há dinheiro público federal aplicado na OSB que não sabemos como está sendo utilizado”, afirmou Leite.


A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que preside a Frente Parlamentar de Cultura no Congresso Nacional, disse que pretende dar continuidade ao trabalho e levar adiante as investigações iniciadas pela Alerj. “Cuidaremos do assunto no âmbito da Frente. A ideia é unir esforços com as comissões de Educação e Cultura da Câmara e do Senado e provocarmos providências por parte da Receita e Ministério Público Federal, além de realizarmos audiências públicas. O indispensável é que consigamos garantir transparência em todo o processo de gestão e também venhamos a mudar a direção da orquestra”, antecipou a parlamentar.

Depois de ouvir relatos, ler o Estatuto do Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio e ter acesso ao contrato do maestro Roberto Minczuk, Jandira disse estar convencida sobre a existência de sérias irregularidades. “O estatuto diz que qualquer demissão deve passar primeiro pela Comissão de Músicos da OSB e isso não aconteceu. O maestro não tem poder de pedir esse tipo de avaliação, sem contar que ele está assinando um atestado de incompetência ao pedir que seja feita uma avaliação da orquestra que ele mesmo rege há cinco anos. Isso significa que se Minczuk não teve capacidade para avaliar os músicos em cinco anos, o que dizer se reduzíssemos esse tempo para 30 minutos”, completou.

Até a realização da audiência pública, o contrato do maestro Minczuk também era outro grande mistério. Seus rendimentos foram omitidos por uma “cláusula de sigilo”, que Jandira Feghali nunca conseguiu quebrar nem mesmo quando foi Secretária Municipal de Cultura do Rio. Mas, o silêncio foi quebrado quando a parlamentar leu publicamente o teor de um contrato terceirizado com empresa prestadora de serviços para a Fundação OSB. Outro detalhe curioso: embora o regente Minczuk não seja funcionário da OSB, seus proventos alcançam a ordem de 1 milhão e 200 mil reais anuais brutos. Isso fora os adicionais equivalentes a 5% de comissões sobre os valores de todos os contratos firmados com empresas patrocinadoras. Só para ilustrar, isso corresponderia a um total de 1 milhão e 700 mil reais somente sobre o valor de 35 milhões patrocinado pelo BNDES.


Outros depoimentos. O ex-presidente da Comissão dos Músicos da orquestra, Luzer David, foi o primeiro a ser ouvido. “Nunca fomos contra a avaliação dos músicos, apenas somos contra a maneira como ela é feita. Em nenhum lugar do mundo – e isso sabemos porque entramos em contato com orquestras do mundo inteiro -, uma avaliação desse porte é feita em uma apresentação individual, por 30 minutos e na frente de uma banca internacional. A avaliação sempre é feita através da observação da integração diária na orquestra, vendo como cada um se dedica”, contou.

Representante da Comissão dos Músicos da OSB Jovem, Ayram Nicodemo explicou o motivo da recusa da orquestra em se apresentar no concerto do último dia 9, quando os artistas se levantaram e se retiraram do palco. “Desde que tomamos ciência do quê acontecia com a orquestra profissional, ficamos abalados. A maioria dos demitidos tinha uma ligação grande com muitos de nós, por serem professores e amigos. Após semanas de debates na comissão, decidimos, no dia anterior ao concerto, que não iríamos nos apresentar. Tentei me explicar para o público, mas o microfone foi cortado. Mesmo assim, conseguimos divulgar nossa carta de desculpas”, explicou Ayran, que garantiu não ter sido coagido por nenhum dos músicos demitidos.
Ele também contou que Minczuk ia aos ensaios escoltado por seguranças armados. “Um colega meu disse ter sido ameaçado por um dos seguranças do maestro somente por ter se aproximado da sala de Minczuk”, declarou Nicodemo, comentando o medo que os integrantes da OSB Jovem tinham do regente da orquestra. Para o deputado Robson Leite, os músicos, apesar de jovens e aprendizes, foram muito corajosos. “Eles colocaram em risco suas bolsas de estudos deles pelo bem-estar comum de toda a OSB”, ressaltou.

Débora Cheyne, que representou o Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, afirma que espera que haja conciliação entre a direção da OSB e os músicos da entidade, mas ressalta que a demissão dos músicos trouxe a interrupção do processo de criação e de maturação das peças que seriam apresentadas na temporada.

Memória. O acúmulo de funções por Roberto Minczuk vinha sendo criticado pelos músicos do teatro. Já na OSB, a crise era bem mais profunda: depois de alguns afastamentos, o clima ficou tão tenso que parte do corpo da orquestra pedia à fundação que administra a orquestra que o maestro fosse afastado. A insatisfação do corpo de músicos da Fundação em relação ao maestro Roberto Minczuk se agravou com a tentativa de se implantar um teste de avaliação aos membros da orquestra.

Trinta e três músicos, descontentes com a medida, foram demitidos. Em carta aberta para divulgar suas contrapropostas, músicos da OSB querem que os 33 demitidos sejam readmitidos, convertendo as justas causas em suspensão de dois dias, e criar um comitê artístico para auxiliar a direção artística de 2011.
Demissão. A assessoria da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, presidida pela atriz Carla Camurati desde 2007, divulgou uma nota no fim da manhã de ontem (18|Abril|2011) informando que o maestro Minczuk solicitou exoneração do cargo de diretor artístico, sendo substituído pelo maestro Sílvio Viegas, titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal (OSTM).