quinta-feira, 7 de abril de 2011

Depoimento da empresária e pianista Myrian Dauelsberg sobre os últimos acontecimentos
na OSB


Absolutamente estarrecida com o impasse que se criou entre os músicos e a direção da OSB, sinto-me no dever de manifestar publicamente a minha posição sobre este triste episódio que, infelizmente, se tornou assunto relevante não só no meio musical do Rio de Janeiro, mas também no resto do Brasil e em muitos países do exterior.

Acho lamentável saber que colegas com mais de 25 anos de OSB foram sumariamente demitidos, alguns com idade superior a 70 anos e já sem perspectivas de trabalho no mercado. Lamentável constatar o clima de terror instaurado pela direção da orquestra e os efeitos colaterais decorrentes, tais como o constrangimento dos músicos remanescentes em relação aos seus colegas demitidos e a situação criada entre os estudantes que fazem parte da OSB Jovem e seus professores. Como se pensar em fazer boa música dentro de um clima de tamanha hostilidade?

Há quatro anos, tive a oportunidade de falar com Minczuk, quando então, de forma sincera, lhe expressei a minha preocupação ao vê-lo assumir duas orquestras no Rio e mais uma no Canadá. Dentro do meu ponto de vista, é impossível alguém, por melhor músico que seja, desincumbir-se de tantas funções e ainda ter tempo para estudar.

Estou certa de que grande parte desta crise foi decorrente de fatores tais como precipitação, falta de diálogo e, principalmente, de bom senso. Não posso imaginar que toda esta situação se tenha originado a partir de objetivos espúrios ou desavenças pessoais.

O erro é parte ativa da natureza humana. Não seria nenhuma prova de fraqueza se repensar decisões tomadas e, de forma sensata, procurar caminhos menos infelizes, pautados no respeito para com músicos que investiram grande parte da sua vida para contribuir com a grandeza alcançada pela OSB.

Myrian Dauelsberg