quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Globo - Segundo Caderno

(Clássico - terça-feira, 12 de abril de 2011)

Luiz Paulo Horta

Com as cenas patéticas de sábado, no Teatro Municipal, fecha-se o pano para o que estava sendo chamado de "crise da OSB". Agora não há mais crise: há uma casa bombardeada de todos os lados, em que não há mais portas nem janelas, e onde os sobreviventes buscam um lugar para pôr o pé. Digamos que eles vão precisar de uma mesa e de algumas cadeiras para iniciar uma conversa que precisa começar da estaca zero. Zero mesmo.

"O erro parece ter sido achar que dinheiro substitui o resto. Pelo lado do "fator humano", tudo foi feito da maneira mais desastrada, culminando com a proposta de "avaliação" que parecia um vestibular, destinado a músicos que já tinham até 20 anos de casa."
A Fundação OSB tem alguns trunfos a mostrar. De fato com a atual administração, construiu-se uma base econômica que sugeria dias mais tranquilos para uma instituição que já passou por grandes dificuldades. O erro parece ter sido achar que dinheiro substitui o resto. Pelo lado do "fator humano", tudo foi feito da maneira mais desastrada, culminando com a proposta de "avaliação" que parecia um vestibular, destinado a músicos que já tinham até 20 anos de casa.

"(...) resta é sentar e conversar. Em igualdade de condições. E torcer por um milagre."
Uma a uma, foram sendo queimadas as reservas de diálogo que poderiam (deveriam) existir entre a direção e os músicos. Agora, esse capital acabou. O sonho mais enganoso seria achar que basta mandar bilhete azul em todas as direções e ir preenchendo as falhas com músicos contratados no Leste Europeu. Assim se criaria uma espécie de Frankenstein que o nosso meio musical rejeitaria a prioi. Essa estratégia não está disponível. A única que resta é sentar e conversar. Em igualdade de condições. E torcer por um milagre. A instituição não vai morrer. Mas pode sair exangue de tantos golpes recebidos.