terça-feira, 12 de abril de 2011

OSB, orquestra internacional?

Odette Ernest Dias
Flautista
Prof. Titular aposentada da Universidade de Brasília
Chevalier des Arts et des Lettres do Governo Francês

Tocar Beethoven como a Filarmônica de Berlim ou Viena, é esse o objetivo declarado pelo regente atual da OSB?
Fui membro da OSB durante 17 anos (1952-1969), a OSB me trouxe ao Brasil.
Mesmo com a presença de alguns estrangeiros, “gringos” como eu, que fizeram sua vida profissional e pessoal no Brasil, o som dessa orquestra é brasileiro. Essa sonoridade foi respeitada e cultivada pelos grandes maestros internacionais que a conduziram em temporadas memoráveis. Erich Kleiber, Charles Munch, Xenakis, Swarowsky, Karl Richter e Leonard Bernstein e tantos outros, do alto de sua importância, sempre trataram os músicos com o máximo respeito, encantando plateias no Rio e em São Paulo, realizando gravações e educando a audiência nos disputados Concertos para a Juventude no extinto Cine Rex.

Se o maestro não é capaz de ouvir a orquestra como um todo, como um instrumento com o qual tem intimidade e respeito e procura demitir em massa os seus músicos, desconsiderando a história dessa instituição, que nome ele adotará para a OSB?
Cada lugar, cada orquestra tem sua pronúncia, o seu comportamento cultural e sua personalidade, assim como cada instrumentista que a integra. A universalidade é, antes de tudo, o respeito às diferenças.


Odette Ernest Dias
Flautista
Prof. Titular aposentada da Universidade de Brasília
Chevalier des Arts et des Lettres do Governo Francês