terça-feira, 12 de abril de 2011

Perguntas e contrastes

John Neschling

Acompanho, consternado, o desenrolar da crise na OSB. Tenho lido inúmeras reações ao triste momento por que passa a orquestra, e observo que algumas perguntas não foram feitas,   cujas respostas me parecem fundamentais para conhecer melhor o fundo desse imbroglio, que caminha cada vez mais inexoravelmente para um beco sem saída. Gostaria muito que a imprensa procurasse as respostas para as seguintes indagações:

1- O Conselho de Administração tem legimitidade  para atuar plenamente?
2- Todos os membros do  Conselho de Administração estão ao par dos acontecimentos e participam das tratativas com os músicos?
3- Por que o Conselho de Administração não se manifesta como um todo?        
4- Como é composta a administração da OSB e quais as pessoas que são empregadas pela Fundação?
5- Qual o verdadeiro salário a ser pago aos músicos profissionais a partir de junho, em cada categoria?  
6- Qual o plano de cargos e salários do corpo administrativo da Fundação OSB?     
7-  Qual o real orçamento anual da OSB e como ele é composto?          
8- Quais as garantias de orçamento para os (quatro, cinco) anos vindouros, que assegurem os novos
salários dos músicos?
9- Qual o real salário do Maestro?             
10-Quem foram os jurados das primeiras audições?  
11- Quem serão os julgadores das audições no exterior e que legitimidade terão?
12- Qual a posição dos principais patrocinadores (institucionais e privados) da orquestra em relação às questões social e artística que essa crise envolve?

Se essas questões, entre outras, fossem esclarecidas, e a falta de transparência nas informações não impedisse uma visão mais clara da realidade, se as declarações dos dirigentes da Fundação não fossem tão genéricas, talvez entendêssemos as verdadeiras razões para que dois conselheiros e um maestro, sem o respaldo inequívoco do resto da instituição, insistam tanto em manter um modelo que evidentemente vai contra o desejo de toda uma comunidade no Brasil e no exterior.