RIO - Trinta e sete músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira se reuniram nesta terça-feira, 12, por duas horas e, ao fim, sinalizaram que poderão vir a aceitar, em parte, alguns dos pontos da proposta feita pela direção da fundação que administra a OSB. A deliberação pode ser interpretada como um primeiro passo para se chegar ao fim da crise iniciada em janeiro.
Os instrumentistas foram demitidos por justa causa por terem se recusado a se submeter a uma avaliação de desempenho formulada à sua revelia. Na semana passada, tiveram encontros individuais com o presidente da FOSB, Eleazar de Carvalho Filho, que os convocou para 'conversas construtivas' com objetivo de 'salvar uma grande Instituição'.

Eles não aceitam a possibilidade de serem punidos com três dias de suspensão caso sejam readmitidos - seria como uma sanção previamente estabelecida, o que não faria sentido num ambiente de conciliação. Tampouco entendem que tudo possa voltar a ser como era antes num passe de mágica.
Por outro lado, veem como um dado positivo a possível formulação de um novo modelo de avaliação, da qual participariam, e que seria realizada não imediatamente, mas até o mês de junho. Outros pontos que agradaram foram o compromisso da FOSB de manter as promoções dos músicos que as conseguiram recentemente e a preservação da OSB Jovem em sua função de Orquestra-escola.

Isso não quer dizer que o distensão esteja garantida. Na quinta-feira, os músicos voltarão a se encontrar. Vão elaborar o texto final da contra-proposta a ser entregue à FOSB - que aguardava uma definição antes disso. E outras questões estão vindo à tona.
'Estamos estudando a proposta, e ela nos parece restrita. Se for assim, vamos acabar desembocando numa nova crise', ponderou o spalla (primeiro violino) da OSB, Michel Bessler. 'Temos de ampliar a discussão, falar com todos os 18 conselheiros, e não só com um (David Zylberzstajn). Queremos participar das decisões artísticas. O poder está totalmente concentrado na figura do regente titular e diretor artístico (Roberto Minczuk, idealizador da avaliação). O mandato dos diretores têm de ter começo e fim.'

Com o desgaste decorrente do conflito, e depois do concerto frustrado no último sábado, em que quase toda a OSB Jovem, em solidariedade à OSB, se negou, já no palco do Teatro Municipal, a tocar sob a batuta de Minczuk - e que este foi vaiado por parte da plateia por sua condução da crise -, Bessler diz que 'não há clima favorável' para que o grupo demitido volte a trabalhar com o maestro.

'O problema todo é a falta de diálogo, mas aparentemente está havendo uma vontade da direção de iniciá-lo', disse o violinista Luzer Machtyngier terminada a reunião de ontem. 'Estamos aproveitando a oportunidade para colocar coisas que queremos há muito tempo.' Por conta do incidente no Municipal, as atividades da OSB Jovem foram suspensas por esta semana. Ainda não se sabe se haverá punições.