sexta-feira, 6 de maio de 2011

DEPUTADO QUER INVESTIGAR REPASSES DE RECURSOS PÚBLICOS FEITOS À OSB

5 de maio de 2011

A falta de publicidade nos gastos da fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, que recebe recursos públicos através de convênios diversos, fez com que o presidente da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Robson Leite (PT), anunciasse, nesta quinta-feira (05/05), que pretende propor a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito a fim de investigar os repasses.

 Leite pretende protocolar e colher as assinaturas ainda esse semana. Segundo o parlamentar, apesar de se tratar de uma fundação privada, muito dinheiro público é investido. “O dinheiro é meu, seu, nosso. Achamos necessária a criação dessa CPI, uma vez que essa fundação não vem dando a devida transparência de tudo que é aplicado. Muita coisa não condiz com o contrato estabelecido e é isso que queremos averiguar”, explicou o petista durante a audiência, realizada em parceria com a Comissão de Direitos Humanos da Casa, presidida pelo deputado Marcelo Freixo (PSol).


“Esse conjunto de horror não condiz com a história vivida pela nossa Orquestra, em outrora. Isso já passou dos limites e não pode continuar do jeito que está”,


 Ouça matéria na Rádio Alerj:
http://radioalerj.posterous.com/deputado-vai-propor-cpi-para-investigar-recur

No encontro, Freixo apresentou números, não oficiais, dos principais patrocinadores da Orquestra. “Somando recursos repassados pela Prefeitura, pela Vale e pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), chegamos ao montante de R$ 58 milhões. Será que esse dinheiro está sendo investido corretamente? É isso que precisamos saber”, questionou Freixo. Em relação aos 36 músicos demitidos pela OSB, o parlamentar disse que o fato já virou caso da comissão que preside, no Parlamento. “Esse conjunto de horror não condiz com a história vivida pela nossa Orquestra, em outrora. Isso já passou dos limites e não pode continuar do jeito que está”, frisou.


"O que está acontecendo atualmente fere a honra e a dignidade de cada instrumentista. Quero, aqui, manifestar todo meu repúdio pelo caso e prestar toda minha solidariedade aos meus amigos”, desabafou Karabtchevsky."

O maestro Isaac Karabtchevsky, atual diretor artístico da Orquestra Petrobras Sinfônica e ex-maestro da OSB, lamentou a atual situação do grupo e disse que nunca viu nada parecido. “Particularmente, falo pelo tempo em que regi, por 26 anos, esse grupo de músicos maravilhoso. O que está acontecendo atualmente fere a honra e a dignidade de cada instrumentista. Quero, aqui, manifestar todo meu repúdio pelo caso e prestar toda minha solidariedade aos meus amigos”, desabafou Karabtchevsky.

Com a crise, dos 82 músicos que compõem a OSB, 36 foram demitidos por não atenderem a exigência do ex-diretor artístico do Theatro Municipal, maestro Roberto Minczuk. Segundo as denúncias feitas à Comissão de Cultura, o regente agia de maneira autoritária, não respeitando a integridade física dos integrantes da OSB. A presidente do Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro, Débora Cheyne, classificou o caso como um absurdo. “Trata-se de um número substancial e impressionante. Os músicos são submetidos a uma prova, antes de entrarem, efetivamente, para o conjunto. Por conta de toda essa confusão, além dos demitidos, mais da metade da Orquestra está afastada e todas as apresentações, desse primeiro semestre, foram canceladas”, relatu Cheyne. Também estiveram presentes na audiência os deputados Jânio Mendes e Myrian Rios, ambos do PDT, e Aspásia Camargo (PV), além do presidente da Federação dos Trabalhadores em Difusão Cultural do Rio, João Daltro de Almeida, e da presidente do Comitê de Música da Unesco, Maria Luiza Nobre.