sexta-feira, 6 de maio de 2011

Jandira Feghali

Crise na OSB: Ministro do Trabalho diz que investigações estão adiantadas e Alerj vai instalar CPI

Jandira Feghali solicitou audiência ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, para protocolar representação contra a Fundação OSB, que demitiu 36 dos 82 músicos que compõem a orquestra, e exigir a apuração das denúncias colhidas durante a primeira audiência pública realizada pela Alerj no mês passado (18|Abril), sobre a violação de direitos trabalhistas e a prática de assédio moral. O ministro Lupi agendou para a próxima semana um encontro com a Frente Parlamentar da Cultura para tratar das investigações que estão em curso na esfera de sua pasta e se comprometeu em acionar dirigentes do BNDES para tratar da utilização de recursos públicos destinados à Fundação. No Rio, Alerj promoveu nova audiência pública na quinta-feira (5) e decidiu criar uma CPI.

Ministro Carlos Lupi (Trabalho) recebe representantes da Frente Parlamentar da Cultura, o presidente da Comissão de Cultura na Alerj, Robson Leite, e a presidente do Sindicato de Músicos do Rio, Déborah Cheyne (dia 4).
Ministro Carlos Lupi (Trabalho) recebe representantes da Frente Parlamentar da Cultura, o presidente da Comissão de Cultura na Alerj, Robson Leite, e a presidente do Sindicato de Músicos do Rio, Déborah Cheyne (dia 4).


Brasília. O ministro Carlos Lupi recebeu das mãos da deputada Sandra Rosado (PSB/RN), integrante da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura no Congresso Nacional, uma representação contra a Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (FOBS), que demitiu 36 dos 82 músicos que compõem a OSB. No documento, subscrito pela deputada Jandira Feghali, os parlamentares solicitam ao ministro que investiguem as graves denúncias, que passam por implicações trabalhistas, como a demissão de dirigentes sindicais e de um músico que se recuperava de um recente infarto.

O presidente da Comissão de Cultura da Alerj, deputado Robson Leite, e a presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, Déborah Cheyne, participaram da reunião, onde ouviram do ministro alguns relatos sobre as investigações que se encontram em curso na esfera do Ministério do Trabalho. Segundo eles, as denúncias foram oferecidas há cerca de um ano e que o núcleo jurídico de sua pasta já estaria adotando providências cabíveis. Por telefone, ele informou à deputada Jandira Feghali que as investigações estão bem adiantadas e se comprometeu em acioná-la para acompanhá-lo durante reuniões que pretende promover com representantes de empresas públicas patrocinadoras da Fundação, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A reunião foi realizada no dia 4 (quarta-feira).
Audiência Pública promovida pela Comissão de Cultura da Alerj (dia 5). Músicos executam o hino nacional.
Audiência Pública promovida pela Comissão de Cultura da Alerj (dia 5). Músicos executam o hino nacional.


Rio. Na manhã de ontem (quinta-feira, dia 5), as comissões de Cultura e de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizara a segunda audiência pública para tratar das denúncias feitas pelos músicos demitidos da OSB. Durante a reunião, foi solicitada abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar, entre outras questões, as finanças da Fundação OSB.

Sabemos que a orquestra recebe boa parte de suas verbas por meio de captação pela Lei Rouanet e, para isso, deve realizar uma série de contrapartidas, que, segundo relatos, não vem sendo cumpridas. Além disso, recebemos algumas denúncias que sugerem conflito de interesses, por exemplo: a Fundação OSB recebeu R$ 16 milhões da Vale – através da Lei Rouanet – enquanto Roger Agnelli acumulava os cargos de presidente da Vale e de vice-presidente do Conselho Curador da orquestra. As verbas da Lei Rouanet, no entanto, são públicas, já que vem de isenção de impostos, e devem ter aplicação transparente – explicou o deputado Robson Leite, um dos autores do requerimento.

O maestro da Orquestra Petrobras Sinfônica, Isaac Karabtchevsky, ex-maestro da OSB, participou da atividade e emocionou os presentes regendo o Hino Nacional. Em sua exposição, afirmou que cabe ao Conselho Curador da OSB conduzir com responsabilidade a crise, o que não vem sendo feito. “Esperávamos uma postura mais madura e correta do Conselho Curador. Quero, aqui, manifestar todo meu repúdio pelo caso e prestar toda minha solidariedade aos meus amigos músicos”, encerrou.
João Almeida, presidente da Federação dos Trabalhadores em Difusão Cultural-RJ, apresentou também seu apoio à luta dos músicos e caracterizou as atitudes de Miczuk de “verticais e antiquadas, além de completamente contrárias as determinações das organizações musicais pelo mundo, que pregam direções mais democráticas.”

A presidente do Sindicato dos Músicos-RJ, Débora Cheyne, uma das instrumentistas demitidas, ressaltou que as boas orquestras, não só no Brasil, atualmente têm um modelo de gestão onde os músicos participam das instâncias de decisões, inclusive financeiras – ao contrário do que acontece hoje na OSB.