sábado, 18 de junho de 2011

JORNAL A CIDADE

Celine Imbert fala sobre polêmica na Orquestra Sinfônica Brasileira



Na segunda parte da entrevista, a cantora lírica Celine Imbert fala sobre a polêmica que tomou conta da Orquestra Sinfônica Brasileira, dirigida por Roberto Minczuk, ex-regente da Sinfônica de Ribeirão.

A Cidade - A Orquestra Sinfônica Brasileira, sob o comando do maestro Roberto Minczuk, mandou mais de 40 músicos embora e vem realizando audições com músicos estrangeiros para substituí-los. O que acha disso?
Celine Imbert - Em princípio, sou contra que se contratem músicos de fora, porque temos muitos músicos bons aqui. Não tenho nada contra o estrangeiro, mas acho que, no Brasil, os brasileiros deveriam ter prioridade.  Mas, veja, não estou lá dentro para ver o que realmente está acontecendo.

A Cidade
- Nomes como [o violoncelista] Antônio Menezes e [a pianista] Cristina Ortiz se posicionaram contra a decisão de Minczuk.
Celine - Sim, muitos cancelaram concertos por causa disso. Pra você ver que não é só uma questão de corporativismo. O próprio [maestro] Alex Klein escreveu uma carta belíssima para o Minczuk, pedindo, com muito amor, que ele não fizesse aquilo. As grandes orquestras do mundo recuaram seu posicionamento quando pensaram em tomar esta atitude. E só quando começaram a investir nos músicos, começaram a ser grandes orquestras. Eu estou cansada da desvalorização do artista nacional. As pessoas não podem ser descartadas dessa forma. O que está faltando é um pouco de humanidade.

A Cidade
- Você trabalhou com o diretor alemão Werner Herzog, que tem fama de ser um cineasta difícil. Como foi a sua experiência com ele?
Celine - Fiz a [ópera de Richard Wagner] Tannhäuser com ele, no Rio de Janeiro, mas ele só apareceu no ensaio geral. Outro detalhe, tinha que fazer tudo exatamente do jeito que eles queriam. Não podia elaborar o personagem de acordo com o meu entendimento. As marcações dos atores/cantores tinham que ser respeitadas. Agora, o entendimento com ele foi delicioso. Foi muito querido comigo. Ele ficou muito preocupado com o meu sapato, porque achava que não iria caber no meu pé, e coube. Ele não se conformava, achava que iria ter algum problema com aquilo.

A Cidad
e - Depois, você participou da Tetralogia Wagneriana no Festival Amazonas de Ópera, mas não fala alemão. Como conseguiu?
Celine - Fiquei três meses estudando, porque, além de traduzir palavra por palavra e entender a construção da frase, que não é igual à da nossa, precisei decorar tudo aquilo. Aquele calhamaço de palavras que não têm sentido pra você. Você canta e a legenda passa em pensamento pela sua cabeça. Dá um trabalho muito grande. Foi um sacrifício.

A Cidade
- Você tem algum projeto para se apresentar em Ribeirão Preto?
Celine - Sim, já conversei com o Cláudio Cruz e devo fazer uma apresentação com a Orquestra Sinfônica no segundo semestre. Além disso, meus alunos também devem se apresentar ainda este ano.