sábado, 9 de julho de 2011

ESTADÃO: Minczuk perde poder

Minczuk perde poder

09 de julho de 2011 | 0h 00
Roberta Pennafort - O Estado de S.Paulo
 
Uma decisão do Conselho Curador da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira relativiza o poder do maestro Roberto Minczuk, figura-cerne da crise com os músicos que vem desde o início do ano, e que resultou na demissão de 33 deles.

Foi criado um comitê artístico, "de caráter consultivo e de aconselhamento externo", formado por três nomes: o ex-diretor do Teatro Municipal do Rio Fernando Bicudo, o musicólogo Pablo Bacelar e um outro a ser chancelado pela nova comissão de instrumentistas, que teria como liderança o experiente flautista Paulo Guimarães Ferreira (a que negociou com a Fosb durante a crise teve seus integrantes demitidos). Isso foi definido numa reunião do conselho em abril, mas os dois nomes só foram fechados recentemente.

A OSB nega que Minczuk tenha perdido o cargo de diretor artístico, que acumula com o de regente titular, como se noticiou. O comitê não seria, explicou ainda, oficialmente, um intermediário entre o maestro e o corpo orquestral, como seria natural supor. O presidente da Fosb, Eleazar de Carvalho Filho, procurado pelo Estado, não pôde dar entrevista, por estar embarcando numa viagem.

A criação do comitê - já com essa configuração de um músico externo, indicado pelo corpo orquestral, um profissional indicado pelo conselho e um profissional do meio acadêmico também proposto pelo conselho - consta da proposta apresentada pela Fosb para a permanência do grupo que acabou demitido por justa causa. Entre suas funções está a retomada da temporada pós-crise - com início marcado para 10 de agosto, no Municipal - e a formulação de propostas para 2012. A proposta, que tinha este e mais seis itens, não foi aceita pelos músicos, que condicionaram a sua permanência à saída do maestro da OSB.

Na quarta-feira, noite do concerto emocionado que fizeram com Edu Lobo, no qual leram carta protestando contra as demissões, eles ouviram rumores sobre o assunto. "O boato era de que Minczuk seria substituído por Bicudo. Essa separação dos dois cargos era nosso desejo, porque ele monopoliza toda a estrutura. Tinha poder de veto nas audições, definia a temporada, podia demitir. O conselho só referendava." A OSB realizou audições e já tem 21 novos músicos, sendo 12 estrangeiros.