quarta-feira, 27 de julho de 2011

FOLHA.COM: OSB propõe recontratar músicos demitidos

 26/07/2011 - 21h31
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DO RIO

Três meses depois de considerar encerradas as negociações com 33 músicos demitidos por se recusarem a passar por avaliações determinadas pelo maestro Roberto Minczuk, a direção da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) propôs ontem a recontratação do grupo.
De acordo com a proposta apresentada à presidente do Sindicato dos Músicos, Deborah Cheyne, pelos novos diretores artísticos da orquestra, Fernando Bicudo e Pablo Castellar, os músicos seriam recontratados para formar uma nova orquestra, ainda sem nome --mas que já vem sendo chamada de OSB do B-- e sem a regência de Minczuk.

A OSB teria então dois grupos. O primeiro seria formado pelos músicos que aceitaram passar pela avaliação e por outros 21 -12 estrangeiros e nove brasileiros- que foram selecionados em audições realizadas no Rio, em Londres e em Nova York, com regência de Minczuk. O segundo, pelos 33 readmitidos, ainda sem regente definido.
Os dois grupos teriam regimes de trabalho diferentes. Enquanto o primeiro receberia salários maiores, mas em contrapartida teria dedicação integral à orquestra, o segundo voltaria com os mesmos salários da época da demissão, mais baixos, mas sem dedicação exclusiva --o que permite que se apresentem individualmente ou em grupos pequenos sem o aval da orquestra.
A direção da OSB apresentou ainda duas outras alternativas ao grupo. Aqueles que preferirem poderão ter sua demissão por justa causa revertida em demissão sem justa causa, com o pagamento das indenizações cabíveis.
A doze dos músicos demitidos foi oferecida ainda a possibilidade de contratação para a orquestra principal. Os nomes foram escolhidos pelos diretores artísticos e pela comissão de músicos da OSB para preencher vagas ainda abertas. Mas, para serem recontratados, eles tem que aceitar passar pelas avaliações de desempenho.

Em nota, a OSB afirma que a proposta "abre mais uma possibilidade real de conciliação".
Para o violinista Luzer Machtyngier, ex-presidente da Comissão de Músicos da orquestra e um dos demitidos, a proposta é "ridícula".

"Eu quero voltar para o lugar que eu ocupava, não para uma outra orquestra. Isso não é reintegração", diz.
Para o músico, nenhuma das três opções é admissível. "No primeiro caso, seremos integrados a uma orquestra paralela, mas a OSB sempre foi única. Na terceira proposta, são eleitos 12 músicos dignos de serem salvos e os demais serão sacrificados. E a segunda proposta também não é boa, porque não é nada além do que a Justiça já vai nos garantir, mais cedo ou mais tarde", afirmou.

Segundo ele, os músicos farão uma reunião "o mais rápido possível" para decidir a posição a ser adotada. "Pessoalmente sou contra, mas posso mudar de ideia se a maioria entender que alguma das propostas é boa", diz.