sexta-feira, 8 de julho de 2011

IG - Edu Lobo revisita repertório com demitidos da OSB

Edu Lobo revisita repertório com demitidos da OSB

IG - Último Segundo

Compositor tocou com orquestra no Oi Casa Grande: 'Músicos estupidamente demitidos por questões estúpidas', disse

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro | 07/07/2011 06:28

Foto: Isabela Kassow Ampliar
                                                                                                                                                                                                                                               Edu Lobo se apresentou com demitidos da OSB
Embora o anúncio da apresentação de Edu Lobo com 33 demitidos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) pudesse soar como um evento com forte teor de protesto, o espetáculo que durou pouco menos de duas horas nesta quarta-feira limitou o tom crítico a breves discursos de abertura. No Oi Casa Grande, no Leblon, zona sul do Rio, a melodia ecoou mais alta que os tambores de guerra e a plateia chegou a ensaiar coral enquanto o compositor cantou, e repetiu em dois bis, novos arranjos de sucessos da carreira.

Nos bastidores, câmeras do cineasta Silvio Tendler documentavam a noite. Nos agradecimentos, feitos antes do protagonista aparecer, ficava clara a solidariedade: piano com afinação e transporte cedido sem custos, instrumentos e cadeiras emprestados de outra orquestra, e liberação de direitos autorais entraram na lista. Lobo comunicara, através de assessoria, que não daria qualquer declaração, o que fez apenas no palco. "Quero que vocês me ajudem a aplaudir os músicos que foram estupidamente demitidos por questões estúpidas, e os que vieram completar a orquestra", disse, na única vez em que tocou no assunto, antes de começar a cantar.

Entre os ex-integrantes da OSB, Alexandre Brasil não se furtou a soltar o verbo depois do encerramento, enquanto guardava o contrabaixo que o acompanha há 25 anos, 13 deles na orquestra. Fez críticas ao conselho curador da OSB e se mostrou um pouco incomodado quando indagado sobre próximas apresentações: "A gente ainda não decidiu", afirmou. "Temos bastante coisa para fazer, graças a Deus trabalho não falta. Esse é o lugar no qual sabemos brigar, no palco".


Foto: Isabela Kassow Ampliar 
Alexandre Brasil, demitido da OSB, criticou direção da orquestra
A briga citada pelo músico é com o maestro e diretor artístico da OSB, Roberto Minczuk, e com o conselho curador da orquestra. As divergências em relação à implantação de avaliações de performance acabaram em demissões. "Estamos lutando contra um conselho curador que é caduco, que deveria ter saído dois anos atrás. Foram essas pessoas que mandaram a gente embora. Então estamos tentando sensibilizar o Ministério Público, o poder judiciário, para que isso mude. Essas pessoas que estão aqui hoje estão acostumadas a tocar com Theatro Municipal cheio toda semana", reclamou, dando a entender que pelo menos parte dos músicos ainda parece disposta a retomar o lugar na OSB, apesar de Minczuk já ter colocado em andamento audições internacionais para recrutamento em Londres, em Nova York, e no Rio de Janeiro.

Antes do início da apresentação, a única fala pública de protesto da orquestra, igualmente carregada de amargura. "É mais uma vitória da cidade contra a exploração indevida de seu patrimônio artístico. É a luta contra os desmandos de uma classe poderosa que manipula a opinião pública. Estamos aqui para protestar contra a insanidade que tomou de assalto nossas vidas e nosso direito ao trabalho. Ao lado de Edu Lobo estão hoje os que são caluniados pela mídia, mas vão mostrar o seu valor. Viva a OSB!", discursou um dos demitidos ao microfone.
Depois de um rápido "aquecimento" da orquestra, Lobo, sem violão, apareceu no palco e procurou dar um fim rápido ao assunto protesto. Mostrou apoio e partiu para a música. Nem mesmo um celular tocando nos primeiros segundos de show tirou o bom humor. Daí para frente, esqueceu as rusgas e passou a contar piadas, brincar com a própria idade, e se escorar em sucessos de antigas parcerias com nomes do porte de Chico Buarque e Vinícius de Moraes para ter o público na mão.

Chegou a citar um comediante americano ao esquecer o que pretendia falar para a plateia. "Uma vez vi uma entrevista do Bill Cosby e ele disse que tem uma idade que o cérebro vai para a bunda. Quando você volta para o seu lugar e senta, aí é que lembra", disse Lobo, arrancando risos e aplausos. Em "Pra dizer adeus", a plateia mostrou estar em sintonia e cantou junto, somando um coral não ensaiado à orquestra regida por Carlos Prazeres. Outras pérolas como "Ciranda da bailarina" e "Frevo Diabo" também agradaram em cheio aos presentes.