sábado, 30 de julho de 2011

O GLOBO: Luz no fim do túnel

Proposta de volta dos músicos sinaliza fim da crise na OSB

Plantão | Publicada em 30/07/2011 às 08h30m
Luiz Fernando Vianna (luiz.vianna@oglobo.com.br)
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Orquestra Sinfônica Brasileira / Divulgação
RIO - Embora tenham provocado manifestações de descontentamento, as propostas apresentadas pela nova direção artística da Orquestra Sinfônica Brasileira, na última terça-feira, aos 33 músicos afastados têm chance concreta de pôr fim à crise que se arrasta desde março.
De uma assembleia marcada para as 10h de segunda-feira, no Sindicato dos Músicos do Rio, sairá a contraproposta à oferta de Fernando Bicudo e Pablo Castellar. No dia 15, eles substituíram na direção artística o maestro Roberto Minczuk, protagonista da crise - por propor as avaliações de desempenho que revoltaram os músicos - e agora cuidando apenas da regência.

Ao fim de uma assembleia realizada na quinta-feira, líderes do movimento que pede a reintegração dos artistas demitidos pela Fundação OSB demonstraram confiança.
- A esperança está maior porque percebemos que o interesse de quem assumiu é resolver isso - afirma Luzer Machtyngier, que era presidente da Comissão de Músicos até ser afastado. - Uma negociação longa não é interessante para nós. Tomara que o desfecho seja rápido.
- Estamos confiantes em chegar a uma conclusão. Queremos montar uma contraproposta que seja boa para todos - diz a presidente do sindicato, Deborah Cheyne, que teve dois encontros com Bicudo e Castellar antes que eles concluíssem a oferta.

Os 33 músicos voltariam para integrar um outro corpo artístico da OSB, não o regido por Minczuk, com quem eles não desejam mais trabalhar. O novo grupo da orquestra faria concertos de câmara e também poderia fazer apresentações sinfônicas, somando-se a eles, no caso, parte dos integrantes do grupo maior - 59 músicos no momento, e aguarda-se a concessão de vistos de trabalho a 13 estrangeiros selecionados em audições no exterior.
- A nova orquestra não é a mini-OSB ou a OSB do B, como se tem dito. Ela é tão importante quanto a outra. Estamos enriquecendo o Rio com outra orquestra - afirma Castellar, ressaltando que tudo do grupo a ser criado será discutido com os músicos, do repertório aos maestros.

Os instrumentistas retornariam com o salário que ganhavam antes das demissões, em torno de R$ 6 mil, sem compromisso de exclusividade - e recebendo retroativamente, com exceção de um mês de suspensão. Os demais músicos ganham entre R$ 9 mil e R$ 11 mil porque estão sob um regimento diferente, de dedicação exclusiva.
Se aceita a proposta, quem não quiser ficar na OSB poderá reverter as demissões por justa causa e receber as indenizações previstas em lei.
- Acho que eles ficaram surpresos, até chocados com o avanço que demos no atendimento ao que queriam. Fizemos a proposta que era possível fazer - diz Bicudo.

A grande bandeira dos músicos, que é derrubar Minczuk, não está em pauta.
- Não é uma decisão nossa, mas do conselho da orquestra - diz Castellar, pregando o equilíbrio. - Há um sentimento de pertencimento dos músicos. Apesar de ser uma entidade privada, a OSB lida com um tipo de colaborador que é diferente de outros do mundo corporativo. Mas essa pessoa precisa entender que uma empresa tem obrigações com seus mantenedores.
A abertura da temporada 2011 - o primeiro semestre ficou a cargo da OSB Jovem - está garantida para 10 de agosto, mas Bicudo e Castellar querem resolver a crise antes.
- Não há por que não nos unirmos num mutirão pela OSB. Fazemos esse apelo a todos - afirma Bicudo.