sábado, 16 de julho de 2011

O Globo - Rio - Minczuk confirma seu desligamento do cargo de diretor artístico da OSB

Substituído por dois outros nomes, maestro agora é apenas regente titular

Catharina Wrede
(O Globo - Rio - 16 de julho de 2011)

Roberto Minczuk não é mais diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Após seis anos à frente do conjunto acumulando ao antigo cargo o papel de regente titular, o maestro decidiu se desligar da função. Como substitutos, o ex-diretor do Theatro Municipal, Fernando Bicudo, e o produtor e compositor Pablo Castellar, que assumem o cargo de forma compartilhada.

De acordo com Castellar, o presidente da Fundação OSB, Eleazar de Carvalho Filho, convidou os dois com o intuito de formar uma curadoria artística na orquestra, entretanto, em meio às discussões do novo projeto, Minczuk decidiu abdicar da função para se dedicar totalmente à regência.

- A função do Roberto, agora, é a de maestro. Ele está na OSB para falar de música e se preocupar exclusivamente com o projeto de excelência com o qual está disposto a seguir - explica Castellar.

Enquanto Minczuk concentra o foco na qualidade do corpo orquestral, os novos diretores artísticos serão os responsáveis pela elaboração das temporadas da orquestra e pela relação entre os músicos e o Conselho Curador da OSB. Além disso, dois novos conselhos de músicos foram anunciados: o Conselho Artístico, que poderá opinar na parte musical; e o Conselho dos Músicos, este responsável pelas questões pessoais e administrativas do conjunto.

- É uma forma muito mais democrática e moderna de se estruturar uma orquestra. Esperamos que isso mostre o novo posicionamento da OSB - diz Bicudo.

A separação das funções de diretor artístico e de regente titular - atitude muito solicitada por grande parte dos músicos da orquestra durante a crise que se instaurou no conjunto no início do ano - foi pensada junto ao conselho curador da Fundação OSB:

- Vimos que é muito importante esse desmembramento da parte artística das questões administrativas, que acabam gerando desgastes entre maestro e músicos - reflete Castellar.

Apesar de que, com a mudança, Minczuk perde poderes - como o de demitir músicos

- A pianista Cristina Ortiz, que cancelou suas participações com a OSB desde que 33 instrumentistas foram demitidos, não vê o fato com otimismo:

- Isso não muda nada. Criou-se uma espécie de conselho dentro do conselho. A OSB morreu e tem que ser recriada.