quinta-feira, 31 de março de 2011

E agora, OSB ?

John Neschling
Publicado em por semibreves

 

Porque é disso que estamos falando: de um desarme, da destruição consciente e voluntária de uma orquestra que existe há 70 anos, que sobreviveu a tempos de vacas magras e que brilhou em tempos de glória, mas que jamais foi apunhalada da forma como a estão apunhalando. A OSB como a conhecemos todos os cariocas e brasileiros há décadas, acabou, foi desmantelada, não existe mais. Nunca imaginei que o “bon mot” que cunhei em outro post ao dizer que em vez de trocar de regente a administração resolveu trocar de orquestra pudesse corresponder exatamente à realidade. Seria cômico se não fosse trágico, pois quem perpetra tal desgoverno é justamente o filho de um dos músicos que criou a aura dessa orquestra. A imprensa, no afã de tentar entender ou explicar o ineditismo da situação, procura paralelos seja em orquestras brasileiras (todas elas vítimas de nossa extrema precariedade ou grupos criados a partir do zero nos últimos anos), seja em grandes orquestras mundiais. Essas, devido às suas estruturas centenárias e às suas qualidades intrínsecas indiscutíveis não servem para comparação com qualquer orquestra brasileira, da OSESP  à Lira São Joanense. No Brasil, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais está engatinhando, a OSESP acabou de entrar na sua adolescência. As Filarmônicas de Berlim, Nova Iorque e Israel certamente não necessitam de qualquer exame de reavaliação, que, estrutrado de forma diferente e organizado de forma mais respeitosa, poderia, sim, ajudar a OSB a dar um salto de qualidade ao qual, em sã consciência, nenhum músico se oporia.

A Orquestra Sinfônica Brasileira é uma instituição privada, cujos empregados são regidos pelo regime da CLT. Esse regime prevê a possibilidade de demissão, seja por justa causa, seja indenizando-se os demitidos com o pagamento de todos os direitos previstos na lei. O programa de demissão voluntária, embora me pareça perverso no âmbito humano da OSB, é uma alternativa prevista em lei e se não foi levado em consideração pelos músicos da orquestra, é porque toda a situação lhes parecia injusta e mal encaminhada. Aos músicos demitidos cabe a partir de agora a briga na justiça,  que decidirá se as demissões são justas ou não e a administração da orquestra terá que respeitar a sentença que o juiz proferir. As consequências poderão ou não pesar muito no orçamento da orquestra.

O que não está no âmbito das decisões judiciais é o prejuízo dificilmente mensurável que tal crise trará para o futuro da orquestra. Um dos principais patrocinadores da OSB é o BNDES. A letra S no nome do banco significa a preocupação social  da empresa. Terá o banco interesse em continuar a patrocinar uma orquestra que vilipendia de tal forma seus empregados? Que demite de forma tão violenta metade de seu corpo artístico? Qual a empresa, privada ou estatal, que deseja unir seu nome a uma instituição que passa uma imagem de truculência, violência e maus tratos? Será que esse comportamento discutível, para sermos modestos, foi debatido com antecedência com a Prefeitura, um dos grandes mantenedores da orquestra? Essas questões cruciais para a sobrevivência da instituição terão de ter passado pela cabeça de seus administradores, todos versados em economia e nas regras do mercado, sob o risco de serem julgados como irresponsáveis e incompetentes. Uma orquestra não é um banco de investimentos, não é uma fábrica nem uma empresa comercial. Certamente não será necessário que se explique aqui outra vez as peculiaridades e as sensibilidades especiais de uma orquestra sinfônica. O risco que se incorreu ao deixar que essa situação de extrema tensão transbordasse e viesse a público com a violência com que veio, com sua exposição internacional gravíssima e inédita, coloca todos os responsáveis pela instituição, aí incluido o seu diretor musical, na berlinda e os obriga a explicações  claras e transparentes. A culpa que lhes pesará nos ombros, caso sobrevenha a destruição de um dos ícones de nossa cultura não é coisa fácil de expiar.
Cabe, no entanto, uma reflexão sobre o futuro da orquestra, caso se consiga, mal ou bem, ultrapassar o trauma gravíssimo que se inflingiu ao seu corpo musical. Do ponto de vista meramente artístico é de se duvidar da possibilidade do maestro continuar a liderar, por ora, um grupo composto de músicos em sua maioria amedrontados, humilhados, indignados e na defensiva. Que muito provavelmente, com ou sem razão, se sentirão culpados pela situação precária na qual se encontrarão seus colegas demitidos e que serão condenados, por parte destes, a um isolamento destrutivo para sua auto estima. Um maestro que se verá na contingência de apresentar resultados qualitativos a curto prazo a um público desconfiado. Um maestro que terá de lutar pela sua reabilitação no conceito de toda uma classe profissional,  que se opôs frontalmente à sua atitude, não só no Brasil como no exterior. Inúmeros músicos, sindicatos e orquestras do exterior se manifestaram, de forma clara e incisiva, contra o processo instaurado na orquestra carioca. Sua carreira está em risco. Seu nome está em jogo. Não será fácil trabalhar nessas circunstâncias. Terá à sua frente uma orquestra em pedaços e incompleta. Será necessário completar, e com urgência, os quadros do conjunto. Quais os músicos brasileiros de qualidade que se apresentarão aos concursos de admissão após os acontecimentos do passado recente? Qual a garantia que receberão de respeito e segurança no trabalho? Onde encontrar os músicos estrangeiros com a qualidade necessária para preencher as dezenas de vagas abertas pelas demissões? Não se admite que se tragam ao Brasil músicos de qualidade mediana após o escândalo do afastamento de tantos músicos competentes. Estes são  alguns dos problemas que terão de ser enfrentados, e com urgência, pelo diretor artístico da OSB.

Há, no entanto, e não menos grave, o problema econômico a ser enfrentado pela Fundação OSB. Foi dito reiteradas vezes tanto pelo presidente do Conselho quanto pelo diretor artístico que os salários a serem oferecidos àqueles que passarem pelas audições, e naturalmente aos novos músicos da orquestra, serão comparáveis ou mesmo superiores àqueles que são pagos atualmente pela OSESP.  Não estou mais informado extamente dos salários da orquestra paulista mas imagino que estes, devidamente reajustados, devem estar beirando os 10.000 reais para um músico de fila. Um contrato de 10.000 reais pela CLT custa ao empregador por volta de 17.000 reais por mês. Mas não esqueçamos que os “spallas” (e são dois) da orquestra ganham por volta de 18.000 (o que para o empregador não sai por menos de 30.000 mensais) e que os solistas dos diversos naipes recebem por volta de 12 a 13.000 reais mensais (não menos de 20.000 reais mensais para o empregador). Qual a garantia que a OSB tem de que terá à disposição um orçamento anual que cubra esses enormes custos de pessoal? Nunca houve transparência nas informações do “status” financeiro da Fundação. Nunca foi publicado um relatório de atividades econômicas da OSB. Nunca se soube ao certo quanto dinheiro foi arrecadado pelo seu departamento de marketing, nem como esse dinheiro foi utilizado ou em que foi aplicado. Todas as informações que circularam e circulam até hoje sobre o orçamento, a verba arrecadada e a administração financeira da Fundação são obscuras e aproximadas. Quem garante que a OSB terá os meios suficientes para a sobrevivência a longo ou ao menos a médio prazo das suas atividades?  De onde virão esses recursos? Como se arriscar a trazer 40 músicos novos nessa realidade nebulosa? É urgentemente necessário que o Conselho da Fundação venha a público com essas informações de forma clara e transparente para que o processo traumático a que obrigam a orquestra a passar tenha um mínimo de credibilidade. Como será a estrutura administrativa da orquestra num futuro como o que está sendo anunciado? Continuaremos a ter uma OSB com sua estrutura administrativa antiquada e desconhecida do público? Será que essa grande renovação que se proclama ficará restrita aos músicos? Isso faria com que as  injustiças cometidas contra os profissionais da orquestra fossem ainda mais graves.

Enfim, perguntas e mais perguntas, dúvidas em cima de dúvidas. Há, finalmente, uma outra perspectiva de análise para essa questão: e se tudo for  pelo melhor? Nossa realidade econômica, como já comentei diversas vezes, é favorável a investimentos a longo prazo. Não houve, há décadas, momento mais propício do que esse para a criação de outra OSESP, dessa vez no Rio de Janeiro. E se a OSB se transformasse, num passe de mágica administrativa e artística, numa segunda grande orquestra internacional no Brasil?  Isso  viria confirmar o momento de euforia que vivemos no País e nos colocaria de vez no mapa dos países sinfônicamente importantes. No quadro atual, é difícil ter esperança. Se essa hipótese se confirmar, viveremos o luto do processo traumático, continuaremos a pugnar pelo respeito e pela dignidade de nossos músicos, mas algum resultado positivo terá advindo desse tsunami que assolou nossa orquestra.
Caso contrário, o crime terá sido capital, e não terá perdão.

John Neschling
Publicado em por semibreves

And now, OSB?

It seems that the impasse in which the musicians and the artistic direction and the administration of the OSB found themselves has reached its climax: more than forty musicians from the ensemble are being dismissed, a plea of just cause being entered be the administration, for not presenting themselves for the control auditions called for by their artistic director. There is no doubt that the way with which the orchestral directors lead the whole process was truculent, arbitrary and socially unjust. There is no way of camouflaging the bad faith in which the auditions were announced during the musicians' holidays. There is no way of hiding the intention to dismiss, when a warning was issued that non-appearance at the tests would be considered as grave indiscipline, and the auditions and methods of control were not discussed with the musicians or their spokesmen. There is no way of humanely justifying the summary dismissal of musicians who have been members of the orchestra for 20 or 30 years and who are obviously no longer at the height of their powers. In other words, the process was invested with injustice, absolutism and lack of shrewdness from the beginning right up to its lamentable outcome. I have already written, in various posts on this blog, expressing my opinion of the away in which this whole mess was set in motion. I also refuted energetically, although it is insistently made, at the example of Roberto Minczuk in the paper "O Globo", the comparison between the process of quality control which the OSESP was put through to restructure it when I arrived and the auditions organised by the OSB. I cannot accept that the process through which the OSESP passed in 1997 is used to excuse or justify the trauma and dismantling which is occurring now in the OSB.

Because this is what we are talking about: a  dismantling, the conscious and voluntary destruction of an orchestra which has existed for 70 years, which has survived lean periods and which has shone in times of glory, but which has never been stabbed in the way it is now being stabbed. The OSB as we Cariocas and Brazilians have known it for decades has finished, has been dismantled, no longer exists. I never imagined that the "bon mot" I coined in another post saying that instead of changing the conductor, the administration decided to change the orchestra could ever correspond exactly to the reality. It would be comic if it were not tragic, because the person who is perpetrating such "misgoverning" is none other than the son of one of the musicians who created the aura of this orchestra. The press, in its eagerness to try and understand of explain this unheard-of situation, looks for parallels, whether in Brazilian orchestras (all victims of our extreme precariousness or groups created from zero in the last years) or in great world orchestras. These latter, due to their century-old structures and intrinsic indisputable qualities, cannot be compared with any Brazilian orchestra, from the OSESP to the Lira São Joanese. In Brazil, the Philharmonic Orchestra of Minas Gerais is feeling its way, the OSESP has just entered adolescence. The Philharmonics of Berlin, New York and Israel certainly don't need any kind of quality control exam, which, structured in a different way and organised in a more respectful manner, could help the OSB to a leap in standard which no musician in his right mind would oppose.

The OSB is a private institution, whose employees are governed by the rules of the CLT (Consolidation of Labour Laws). These rules presuppose the possibility of dismissal, when there is just cause, and when the dismissed are compensated with the payment of all legally prescribed rights. The programme of voluntary dismissal, although seeming to me perverse in the humane world of the OSB, is a legally prescribed alternative and if it was not considered by the musicians of the orchestra, that is because the whole situation seemed to them unjust and badly executed. The dismissed musicians can now fight in court, which will decide if the dismissals are fair or not and the administration of the orchestra will have to respect the sentence which the judge passes. The consequences may weigh heavily or not on the orchestra's budget.

What is not within the scope of the legal decisions is the immeasurable harm which such a crisis will bring to the future of the orchestra.  One of the principal patrons of the OSB is the BNDES (National Bank of Economic and Social Development). The letter S in the bank's name underlines the social concerns of the company. Will the bank be interested in continuing to support an orchestra which vilifies its employees in such a manner? Which dismisses in such a violent way half of its artistic body? Which company, private or state, would want to link its name with an institution which gives the impression of truculence, violence and ill-treatment? Could it be that this debatable behaviour, to put it modestly, was discussed in advance with the city government, one of the main financial supporters of the orchestra? These questions, crucial for the survival of the institution, will have to pass throughout the heads of its administrators, all experts in economics and the rules of the market, at the risk of being judged as irresponsible and incompetent. An orchestra is not an investment bank, it is not a factory or a commercial company. It is certainly not necessary to explain again here the peculiarities and special sensitivities of a symphony orchestra. The risk that was run in letting this extremely tense situation overflow and hit the public with the violence with which it came, with its unprecedented and extremely serious international exposure, puts all those responsible for the institution, including its musical director, in the firing-line and obliges them to come up with clear and transparent explanations. The blame which will weigh on their shoulders, should it come to the destruction of one of our cultural icons is not easy to atone for. They should, however, to reflect on the future of the orchestra, if it succeeds somehow in coming through the highly serious trauma which has ben inflicted on its musical body. From the merely artistic point of view, it is doubtful if the maestro will be able to lead for the time being a group made up of musicians , the majority of whom are intimidated, humiliated, incensed and on the defensive. Who most probably, rightly or wrongly, will feel to blame for the precarious situation in which their dismissed colleagues find themselves, and who will be condemned by them to isolation destructive to their self-esteem. A maestro who will see himself required to present short-term qualitative results to a mistrustful public. A maestro who will have to fight for his rehabilitation in the minds of an entire professional class, which opposes his attitude head-on, not only in Brazil but abroad as well. Countless musicians, unions and orchestras from abroad have expressed themselves in a clear and incisive manner against the process established in the Carioca orchestra. His career is at risk. His name is at stake. It will not be easy to work under such circumstances. He will have in front of him an orchestra in pieces and incomplete. It will be urgently necessary to fill the ranks of the ensemble. Which good Brazilian musicians will present themselves at the auditions after what has happened recently? What guarantee do they have of respect and security at work? Where can foreign musicians of the necessary quality be found to fill the dozens of vacancies left by the dismissals? It is not acceptable to bring musicians of mediocre quality after the scandal of the sacking of so many competent musicians. These are some of the problems which will have to be confronted, and with urgency, by the artistic director of the OSB.

There is however the no less serious economic problem to be confronted by the Foundation of the OSB. It has been said many times by the president of the council as well as by the artistic director that the salaries to be offered to those who take the auditions, and of course to the new members of the orchestra, will be comparable to or even higher than those paid at the moment by the OSESP. I am no longer exactly informed of the salaries of the São Paulo orchestra, but I imagine that these, duly adjusted, must be bordering on the 10.000 Reals for a rank and file musician. A contract of 10.000 Reals under the CLT costs the employer around 17.000 Reals a month. But let us not forget that the leaders (and there are two of them) of the orchestra earn around 18.000 (which will not be chess than 30.000 a month for the employer) and that the soloists of the various groups receive between 12 and 13.000 Reals a month (not less than 20.000 Reals a month for the employer). What guarantee does the OSB have that it will have an annual budget at its disposition which can cover these enormous personnel costs? There has never been transparency in the information concerning the financial "status" of the Foundation. A report of the economic activities of the OSB as never been published. It has never been known for certain how much money was collected by its marketing department, nor how this money was used or on what it was spent. All the information which circulated and circulates to this day about the budget, the acquired resources and the financial administration of the Foundation is obscure and approximate. Who guarantees that the OSB will have the sufficient means for the long-term or at least mid-term survival of its activities? Where will these resources come from? How can they risk bringing 40 new musicians into this nebulous reality? It is urgently necessary that the Council of the Foundation makes this information public in a clear and transparent manner so that the traumatic process that they have obliged the orchestra to pass through can have a minimum of credibility. What will the administrative structure of the orchestra be in a future like the one being proposed? Will we continue to have an OSB with its out-dated administrative structure hidden from the public? Will this grand renewal that is being announced be restricted to the musicians? This would lead to the injustices committed against the professionals of the orchestra being even more serious.

Anyway, questions and more questions, doubts and even more doubts. Finally, there is another perspective of analysis for this question: what if everything works out for the best? Our economic reality, as I have commented several times, is favourable to long-term investments. There has not been, for decades, a more propitious moment than this for the creation of another OSESP, this time in Rio de janeiro. And what if the OSB, in an administrative and artistic sleight of hand, transforms itself into a second great international orchestra in Brazil? This would confirm the moment of euphoria we are experiencing in the country and would put us on the map of symphonically important countries. In the present situation, it is difficult to have hope. If this hypothesis is confirmed, we will live through the battle of the traumatic process, we will continue to  fight for the respect and dignity of our musicians, but some positive result will have come from this tsunami which has devastated our orchestra.

If not, the crime will be capital and there will be no pardon.

John Neschling

Petição Pública

PARTICIPE - ASSINE!!
Moção de repúdio às ações da administração da Fundação OSB contra seus músicos e pelo restabelecimento da temporada completa da OSB

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoAssinar.aspx?pi=OSB2011

Enquete O Globo / OSB

Caros colegas,
o jornal O globo de hoje dedica bastante atenção ao nosso caso e está fazendo uma enquete sobre a posição dos leitores quanto à reestruturação da OSB. É importante que todos votem! Tem que se inscrever, mas é rápido e vale a pena...
http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/03/30/crise-pode-levar-osb-perder-quase-metade-de-seus-musicos-924127989.asp

quarta-feira, 30 de março de 2011

O fim do caso OSB – e a permanência de um velho problema

Chegou ao fim o Caso Orquestra Sinfônica Brasileira – 44 músicos foram demitidos na manhã de hoje, após quase três meses de batalha em torno das avaliações impostas pela Fundação OSB. A orquestra, durante todo esse tempo, insistiu na legalidade das audições programadas para o início de março; e os músicos, por sua vez, defendiam a posição de que as provas são uma medida autoritária e ineficaz no processo de avaliação do trabalho da orquestra. Na justiça, a Fundação OSB conseguiu autorização para levar adiante as provas, consideradas legítimas – instituição privada, a orquestra teria direito de avaliar seus funcionários. Os músicos recorreram a instâncias como o Ministério do Trabalho, que enviou ao Rio, no começo desta semana, um representante que serviria de mediador nas negociações entre as duas partes. A Fundação, no entanto, não reconheceu a mediação do ministério e – com a decisão judicial embaixo do braço – demite agora por justa causa os artistas que se recusaram a obedecer a ordem de fazer as provas. Foi sugerido um Plano de Demissão Voluntária, mas os músicos, mantendo-se fiéis a seu discurso inicial, optaram por não aceitá-lo.

Se o corporativismo às vezes resvala na teimosia, por outro lado as cartas de advertência e demissão enviadas antes da hora e a busca em audições por substitutos para vagas ainda não abertas também não sugerem a melhor das intenções. Depois da polêmica inicial em torno das provas, a fundação correu para dizer que o objetivo das avaliações jamais foi a demissão em massa. É, no entanto, justamente esse o desfecho da história. Há verdades e exageros para todos os lados. Em horas como essa, a lei parece ser um parâmetro isento ao qual recorrer: órgão privado, a OSB tem direito a demitir seus funcionários. Mas há muitas nuances das quais a lei, em alguns casos, não dá conta. A OSB, afinal, tem dinheiro público, que vem da prefeitura do Rio, à qual correu anos atrás, quando enfrentava o risco de ser fechada por falta de verbas. Além disso, a repercussão internacional, com músicos e especialistas de todo o mundo se pronunciando, é sinal de que não estamos falando apenas da relação empregador/empregado em uma empresa específica.

A proliferação de crises, que se repetem ciclicamente em orquestras brasileiras, é suficiente para mostrar que há muito mais em jogo. A lição, se é que podemos chamá-la assim, é que perdemos a chance de mudar o paradigma – ou ao menos sugerir um novo caminho – na relação trabalhista dentro de orquestras. Ainda que uma ou outra exceção exista, o fato é que músicos e direção estão sempre em lados opostos, convivendo no limite do entendimento. Fazem música não em parceria, mas apesar do convívio. O caso OSB tem muito a nos dizer sobre a vida cultural brasileira e, mais especificamente, sobre a atividade sinfônica. É toda uma relação de trabalho – e um contexto institucional precário, prejudicial aos dois lados – que está em jogo. Saímos dessa história sem avançar um milímetro nessa questão.

Músicos estão sem emprego e, como classe, se fragilizaram mais – ainda que a coesão com que lidaram com a questão seja um exemplo raro de união em um meio marcado por individualismos de todos os tipos. Por sua vez, a OSB perdeu a chance de ter criado um sistema mais humano de substituições em seu quadro orquestral. Músicos experientes, que dedicaram uma vida toda à orquestra, poderiam ter recebido tratamento melhor no momento da aposentadoria; com menos truculência, o desejo concreto de desenvolvimento artístico talvez não tivesse parecido a tanta gente uma mera desculpa. Ainda que respaldada pela justiça, é estúpido achar que a Fundação OSB sai vitoriosa da questão. Todos – músicos, maestros, orquestras, público – saímos perdendo.

João Luiz Sampaio
(Estadão.com.br/blogs)

OSB encerra acordos e pode demitir meia orquestra por insubordinação

Músicos que faltaram a testes e recusaram demissão voluntária serão punidos

O Imbróglio trabalhista que atormenta a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) teve ontem um capítulo decisivo. À tarde a fundação que administra o corpo orquestral decidiu punir por insubordinação os 41 músicos que se recusaram a realizar as provas de avaliação de desenpenho impostas pelo diretor artístico e regente titular da casa, o maestro paulistano Roberto Minczuk. De acordo com comunicado oficial da Fundação OSB (FOSB), "as punições serão conduzidas internamente, diretamente entre a Fosb e cada um dos músicos que faltaram à avaliação na primeira e na segunda chamadas, estando, portanto, cientes de que o ato se configurava caso de insubordinação, passível de punição prevista no artigo 482 da CLT, que rege as leis trabalhistas".

Os músicos receberam um telefonema da fundação convocando-os a comparecer à sede da orquestra a partir de hoje para tratar de "assunto de seu interesse".
 - Tudo indica que vamos ser demitidos por justa causa. Antes de tudo, acho isso muito triste, porque a imensa maioria dos músicos tem 20, 30, 40 anos de serviços prestados à orquestra e não merecia terminar a carreira dessa forma - lamenta Luzer Machtyngier, presidente da comissão de músicos da OSB e um dos que receberam a ligação.

Desde que os desentendimentos começaram, em fevereiro deste ano, dos 85 músicos da OSB, três aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) oferecido pela fundação, 35 compareceram às provas, seis apresentaram atestados médicos - sendo convocados para uma nova data de avaliação - e 41 faltaram à primeira e segunda oportunidades da prova.
Os músicos já haviam sido advertidos pela fundação desde 21 de fevereiro quando anunciaram oficialmente que 56 deles não compareceriam Às avaliações propostas por Minczuk. Após a primeira data, os faltantes receberam nova notificação, avisando que o não comparecimento à segunda chamada seria passível de demissão por justa causa.

As demissões ficaram suspensas, no entanto, durante as reuniões no Ministério do Trabalho, em que foi elaborado um novo PDV. Esta foi a proposta final da fundação. A reunião que poria fim ao embate deveria ter ocorrido anteontem, mas, não aconteceu. Membros da Comissão de Músicos da OSB, acompanhados por seu advogado e um representante oficial do Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, esperaram por certca de meia hora representantes da fundação, que não compareceram.

A fundação decidiu se ausentar ao saber que um representante do ministro Lupi atuaria como mediador entre as partes, retomando o debate. Segundo a instituição, que avisou que se ausentaria, os músicos da OSB têm em mãos, desde o dia 23, a proposta final da fundação e sabem que não há mais espaço para discussão. Diante da recusa dos músicos em aceitar o novo PDV, a fundação optou pela punição.

(Catharina Wrede, O Globo - Rio, 30.03.2011)

terça-feira, 29 de março de 2011

O homem mais poderoso do mundo

Imaginemos a seguinte circunstância: o técnico Dunga, diante de problemas de baixo rendimento de alguns jogadores da seleção brasileira, na véspera da estreia da seleção na Copa do Mundo da Africa, manda todos os jogadores convocados, titulares e reservas,  para o chuveiro, ou melhor, de volta ao Brasil. Tendo apoio irrestrito da CBF, ele escala então o time de juniores, prometendo contratar, tão logo quanto possível, os melhores craques da Europa para formar uma seleção dos sonhos e ganhar a copa.
Imaginemos outra situação: a presidente Dilma Roussef, logo após tomar posse e anunciar seu ministério, após identificar que dois ou três ministros estão agindo em desacordo com seu plano de governo, demite todo o seu ministério. Mas, como ela conta com o apoio total de sua base, nomeia, como novos ministros, jovens vereadores de seu partido, prometendo, porém, substituí-los o mais rápido possível, por políticos estrangeiros experientes, encantados com a possibilidade de viver num país tropical.
Ou ainda: o diretor de uma novela de TV, dois dias antes de sua estreia, insatisfeito com três atores que não decoram seus textos ,  muda todo o elenco da novela. Com total apoio dos donos da emissora,  forma um novo elenco com alunos de cursos de teatro, prometendo, porém, contratar os melhores atores de Hollywood, tão logo seja possível, reconquistando a audiência perdida.
Essas são três situações hipotéticas, é claro. Isso não aconteceria, nem numa república de bananas, quanto mais num país, potência em potencial,  recém visitado pelo homem mais poderoso do mundo. Sem chances. Isso só acontece em filmes, mesmo assim classe B, com roteiro um tanto inverossível.
Mas, como já disse Garcia Marquez, na América Latina a realidade suplanta a ficção. Eis que na Orquestra Sinfônica Brasileira aconteceu coisa muito próxima dessas situações hipotéticas. O maestro implodiu a orquestra.
E como ficamos todos nós, que, de alguma forma, temos algo a ver com música ( e com cidadania, respeito, democracia…) ? Estupefatos, de boca aberta, sem acreditar naquilo que soaria implausível num país sério, como teria dito De Gaulle, outrora o homem mais poderoso da França. Porém, como estamos num país onde as punições  para ilícitos mais do que comprovados ficam adiadas para o ano seguinte, nada mais nos supreende e nos toca.
Aliás, não sabemos mesmo quem vai tocar no lugar dos músicos que foram tocados pra fora da OSB. Talvez, assim como acontece os partidos, se crie uma OS do B - Orquestra Sinfônica do Brasil, pois a Orquestra Sinfônica Brasileira propriamente dita parece já não existir mais. Não se sabe. O que se sabe, pelo que se vê, é que o presidente americano não é o único homem mais poderoso do mundo. Há outros.

Tim Rescala
           
           

sexta-feira, 25 de março de 2011

Impasse da OSB chega a Esplanada
Audiências com o Ministro do Trabalho Carlos Lupi
e a Ministra da Cultura Ana de Hollanda abrem novas
perspectivas e Executivo tomará providências.

 

O Minsitro Carlos Lupi recebeu em audiência a presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, Deborah Cheyne, o secretário do sindicato Antonio Augusto e o presidente da Comissão de Músicos da OSB Luzer Machtyngier. Presentes também estavam  o secretário-geral da CGTB Carlos Pereira, o Procurador Jeronimo dos Santos e assessores do Ministro. 
Uma minuciosa explanação do problema foi feita pelos representantes dos músicos que receberam uma resposta positiva da participação do Ministro na questão que está mobilizando o Brasil e o mundo.

No mesmo dia em nova audiência agora com a Ministra da Cultura Ana de Hollanda, a nossa força-tarefa exibiu documentos e colocou a Ministra informada de que o Ministro do Trabalho Carlos Lupi foi sensivel ao tema e se encarregou de nomear uma pessoa para intermediar a construção de um novo processo de avaliação que contribua para o crescimento da Orquestra e não prejudique os músicos.




Orquestra Sinfônica Brasileira“Falarei com o ministro Lupi e procurarei uma forma de auxiliá-lo nessas tratativas. A música de concerto é importantíssima para o país e, portanto, precisa ser valorizada. Também falarei com o presidente da Funarte, Antonio Grassi, para que fique atento aos andamentos da questão e, se possível, destaque alguém do corpo técnico para acompanhar de perto a evolução dos acontecimentos”.http://www.cultura.gov.br/site/2011/03/24/reformulacao/

  
Senado Federal
Comissão de Educação e Cultura do Senado
também foi procurada


O grupo foi recebido pelo Secretário da Comissão Júlio Linhares que previu uma série de ações que poderão ser tomadas no âmbito desta importante comissão do Senado. Novas encontros serão realizados para definir exatamente o curso dessas ações. 




Ministro Lupi, seus assessores, o secretário-geral da CGTB Carlos Pereira, Deborah, Antonio e Luzer


Ministro Lupi, Deborah, Antonio e Luzer


Ministro Lupi, o Procurador Jeronimo dos Santos e Deborah

quinta-feira, 24 de março de 2011

Escola de Música

De: Dr. André Cardoso – Diretor da Escola de Música da UFRJ.
Para: Sr. Eleazar de Carvalho Filho – Presidente do Conselho Curador da Fundação Orquestra
Sinfônica Brasileira.

Ilustríssimo Sr. Eleazar de Carvalho Filho

A Congregação da Escola de Música da UFRJ reunida em 22 de março de 2011 aprovou o
presente documento que é encaminhado a V.Sa. com o objetivo de contribuir para a solução da crise que atravessa a Orquestra Sinfônica Brasileira.
As relações entre nossas instituições vêm de longa data e a história da OSB mostra
inequivocamente que ela nasceu dentro da Escola de Música da UFRJ a partir da ação pioneira e visionária de um grupo de nossos docentes: José Siqueira, Alfredo Gomes, Antão Soares, Orlando Frederico, Moacir Lissera e Antônio Leopardi. A Escola de Música foi o local onde, em 1940, foram realizadas as audições para a escolha dos músicos que formariam o primeiro corpo orquestral e nosso Salão Leopoldo Miguez foi o primeiro local de ensaios da OSB. Na Escola de Música também se realizou a primeira reunião pública para subscrições de ações da OSB em 05 de agosto de 1940. A antiga foto que registra o momento histórico mostra que além dos citados professores e outros esteve presente o então jovem maestro Eleazar de Carvalho, nosso exaluno e professor. Tal fato revela que as relações históricas e pessoais de V. Sa. com a OSB são a garantia de que, enquanto Presidente do Conselho Curador, agirá sempre em prol do
engrandecimento e das maiores aspirações da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Isto posto gostaríamos de manifestar nossa discordância com a decisão de submeter os músicos profissionais da orquestra a uma audição com o objetivo de reavaliá-los artisticamente. Entendemos que tal procedimento seja adequado para novos músicos que desejam ingressar na orquestra e cujo desempenho, muitas vezes, é desconhecido. Músicos gabaritados e com muitos anos de experiencia devem ser avaliados no trabalho cotidiano, durante ensaios e concertos. Uma audição nos moldes da que foi proposta é desnecessária e inútil. O maestro titular da orquestra deveria saber quais são as deficiências eventuais e pontuais de seus músicos, da mesma forma como qualquer músico de orquestra profissional sabe avaliar a competência daquele que os dirige. Por isso submeter os músicos, inclusive spallas e solistas que são postos da mais alta confiança, a uma constrangedora audição é medida desnecessária.

É igualmente inútil, pois não contribuirá em nada para a melhoria do desempenho da orquestra. Organismos coletivos por natureza, as orquestras profissionais só se desenvolvem com um trabalho de longo prazo e baseado na valorização das virtudes individuais que são colocadas em prol do conjunto. Acreditamos que a excelência, entendida como o mais alto grau de qualidade, só pode ser atingida quando se consegue extrair das pessoas aquilo que elas tem de melhor. Com a metodologia escolhida não será possível atingir tal objetivo, pois a mesma só se revela desagregadora e geradora de conflitos. Ao mesmo tempo é absolutamente incoerente pretender desenvolver e melhorar a Orquestra Sinfônica Brasileira suspendendo sua temporada de concertos.

Mas tal decisão assume contornos de irresponsabilidade quando se pretende que a OSB Jovem assuma parte da temporada de concertos da orquestra profissional, quando seus objetivos deveriam ser outros. É um grande erro que precisa ser revertido imediatamente, de modo a não prejudicar o desenvolvimento musical e artístico de jovens instrumentistas. Assim como aconteceu em 1940 com a OSB, a OSB Jovem também nasceu dentro da Escola de Música da UFRJ. Em 1999 apoiamos e abrimos as portas de nossa Escola para a OSB Jovem que não possuía, assim como ainda hoje não possui, local próprio e adequado para seus ensaios. Após vários ensaios a orquestra realizou seu primeiro concerto no Salão Leopoldo Miguez em 13 de dezembro daquele ano. Desde então nossos alunos passaram a fazer parte em grande número dos quadros da OSB Jovem e nos preocupa a enorme sobrecarga de trabalho a qual serão submetidos tendo a responsabilidade de substituir músicos profissionais perante os assinantes da OSB. Ainda que com formação adequada para a abordagem de repertório de grande exigência em termos técnicos e estilísticos, formação esta ministrada pelas instituições de ensino superior do Rio de Janeiro (Escola de Música da UFRJ, Instituto Villa-Lobos da Uni-Rio e Conservatório Brasileiro de Música) como comprova a maioria dos integrantes da orquestra, os jovens músicos ainda não podem ser expostos às pressões decorrentes do exercício profissional da atividade orquestral.

Tal situação anômala enseja igualmente considerações afeitas à ética profissional. A participação da OSB Jovem na temporada de assinaturas no lugar da orquestra profissional se torna ainda mais grave quando acontece em meio a uma crise na qual os jovens músicos se vêem constrangedoramente envolvidos e obrigados a substituir até mesmo seus professores. Assim sendo, senhor presidente, acreditamos que os membros do Conselho Curador da Orquestra Sinfônica Brasileira foram induzidos ao erro e levados a acreditar em uma estratégia que já se mostrou ineficiente, pois baseada em premissas erradas, e ao mesmo tempo desastrada, já que a negativa repercussão certamente trará prejuízos indeléveis à imagem da instituição junto ao público e aos patrocinadores se não for revertida imediatamente. Em vista do acima exposto a Congregação da Escola de Música da UFRJ manifesta sua discordância com os procedimentos adotados e que jogaram a OSB e a vida musical carioca numa inexplicável e vergonhosa crise de repercussão internacional. Assim sendo sugerimos a V. Sa. que anule as audições para os músicos profissionais da Orquestra Sinfônica Brasileira, cancele a participação da OSB Jovem na temporada de concertos em substituição aos músicos profissionais e restabeleça a normalidade da série de concertos. Em assim procedendo estará honrando sua história pessoal, os 70 anos de realizações artísticas da OSB e contribuindo decisivamente para a superação do impasse.

Muito atenciosamente
Rio de Janeiro 22 de março de 2011
Dr. André Cardoso
Diretor da Escola de Música da UFRJ
Escola de Música da UFRJ
Rua do Passeio 98
Lapa – Rio de Janeiro – RJ
20.021-290
Tel/Fax: (21) 2532-4649
diretor@musica.ufrj.br
www.musica.ufrj.br
Carta do presidente do Sindicato dos Músicos da Finlândia para o presidente da FOSB

Caro senhor,
Recentemente, fui informado da nova audição para todos os músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira. É difícil entender a lógica por trás deste esforço, para não mencionar a legalidade de tal projeto. Se os músicos eram competentes para se tornar membros da orquestra, no momento da sua audição inicial, porque questionar sua competência mais tarde, de acordo com a tradição jurídica da maioria dos países civilizados como o Brasil, necessitam de uma excepcional motivo específico e individual, como uma permanente redução da capacidade de realizar devido à doença de longa duração.


Como este não é obviamente o caso, o seu plano de re-teste todos os músicos com possíveis conseqüências do seu estado como empregado é totalmente inaceitável para a comunidade orquestra mundial.
Se o projeto for concretizado, com toda a probabilidade a Sinfônica Brasileira Orquestra será lembrado dessas práticas inaceitáveis ​​empregador por um tempo muito longo. Sem dúvida, isso teria adversos efeitos sobre muitos aspectos das futuras actividades da orquestra tanto nacional e internacionalmente. Para um músico de orquestra à procura uma posição a nível internacional, uma orquestra com este tipo de reputação não estar entre as primeiras escolhas. Hoje, a mídia social espalha notícias rápida entre os músicos da orquestra e da comunidade internacional, especialmente má notícia.
Exorto-lo a reconsiderar e desistir do plano de re-teste deseus músicos e, assim, não colocar em risco a reputação da Orquestra Sinfônica Brasileira.


Quaisquer planos para melhorar a qualidade e o funcionamento de uma orquestra devem ser discutidas abertamente e abundantemente com músicos e seus representantes. A incapacidade de envolver músicos o desenvolvimento de uma orquestra é geralmente um erro que levará muito tempo para corrigir.

Atenciosamente,
Ahti Vänttinen Presidente do Sindicato dos Músicos da Finlândia


Dear Sir,
I was recently informed of the re-auditioning of all musicians in the
Brazilian Symphony Orchestra.

It is difficult to see the logic behind this endeavor, not to mention
the legality of such a project. If musicians were competent to become
members of the orchestra at the time of their original audition, to
question this competence later would, according to the legal tradition
of most civilized countries such as Brazil, require an exceptional,
specific and individual reason, such as permanently reduced capacity
to perform due to long-term illness. As this is obviously not the
case, your plan to re-audition all musicians with possible
consequences to their employee status is totally unacceptable to the
worldwide orchestra community.

If this project is realized, in all probability the Brazilian Symphony
Orchestra will be remembered of these unacceptable employer practices
for a very long time. Without question, this would have adverse
effects on many aspects of the orchestra’s future activities both
nationally and internationally. For an orchestra musician looking for
a position internationally, an orchestra with this kind of reputation
would not be among the first choices. Today, social media spreads news
fast among musicians and the international orchestra community,
especially bad news.

I strongly urge you to reconsider and give up the plan to re-audition
your musicians and thereby risk the reputation of the Brazilian
Symphony Orchestra. Any plans to improve the quality and functioning
of an orchestra should be discussed openly and thoroughly with
musicians and their representatives. Failure to involve musicians in
the development of an orchestra is usually a mistake that will take a
long time to correct.

Sincerely,

Ahti Vänttinen
President
Finnish Musicians Union

sexta-feira, 18 de março de 2011

Carta do Representante do Sindicato dos Músicos da Noruega e do Chefe Executivo da Orquestra da Rádio da Noruega



 Caro senhor,

Fomos informados sobre a situação na Orquestra Sinfônica Brasileira.
Em nome dos músicos e da gestão da Orquestra da Rádio Norueguesa (Norwegian Radio Orchestra) nós pedimos enfaticamente que você cancele as audições previstas.

Os músicos que investiram tanto tempo e esforço para desenvolver a Orquestra Sinfônica Brasileira em uma organização que o Estado quer apoiar, não merecem ser tratados desta forma.
A qualidade é importante. Mas tem que ser baseada na cooperação e respeito entre os músicos, maestro, gestão e Estado.
O objetivo das orquestras é contribuir para desenvolvimento da identidade e da cultura brasileira. Deve, portanto, com base em valores que você deseja que a sociedade tenha.

Sinceramente,
Ingrid Uddu
Representante do Sindicato
MFO- Sindicato dos Músicos da Noruega

http://www.musikerorg.no/

e
Rolf Stensø Lennart
Orkestersjef / Chefe Executivo
KORK / Orquestra da Rádio da Noruega

www.nrk.no/kork

The Norwegian Musicians Union
Dear Sir,
We have been informed about the situation in The Brazilian Symphony Orchestra.
On behalf of the musicians and the management of The Norwegian Radio Orchestra we strongly request you to cancel the planned auditions.
The musicians who have invested so much time and effort to develop The Brazilian Symphony Orchestra into an organization the government wants to support, do not deserve to be treated this way.
Quality is important. But it has to be based on cooperation and respect between musicians, conductor, management and the government.
The orchestras aim is to contribute in developing Brazilian identity and culture. It must therefore be based on values that you want the community to have.
Yours sincerely
Ingrid Uddu
Union representative
MFO- The Norwegian Musicians Union
and
Rolf Lennart Stensø
Orkestersjef/ Orchestra Chief Executive
KORK/ The Norwegian Radio Orchestra
 
Carta do Presidente dos Sindicatos dos Músicos de Israel ao Presidente da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira.

 
Tel Aviv March 18, 2011


Presidente da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, Sr. Eleazar de Carvalho

Dear Sir,

We have been informed of your intention to reorganize the Brazilian Symphony Orchestra by way of auditioning all of its musicians. Although the objective may be to improve the quality of the orchestra, such process is in our view inappropriate and may in practice prove counter-productive.

All orchestras of significance throughout the world have a longstanding tradition of social dialogue. Such dialogue is crucial for both conflict prevention and the resolution of the various problems that may occur in the course of an orchestra’s daily life. An open and confident exchange with the musicians’ representatives should therefore be conducted before considering a decision that would not only impact the musicians’ career but also the future of your institution.

I wish to also recall that the musicians already passed an audition before being appointed. Since then, they have been playing on stage every week, which also represents another form of audition. Re-auditioning all musicians can only be an unnecessary, extremely stressful test, unable to give an accurate image of their qualities and skills.

Finally, and foremost, the artistic personality of an orchestra is the result of a long term process that depends not only on individual qualities but also on the in-depth work carried out daily by the orchestra as a whole, as well as on the artistic framework defined by its Musical Director.

I firmly believe that your objective of improved quality and the legitimate expectations of performers can be reconciled. To this end, I urge you to engage into discussions with the musicians’ representatives with no further delay, with a view to jointly identify the best ways to reach the level of excellence that is equally desired by both parties. By so doing, you would maximize your chances to successfully undertake the renewal of the orchestra, for the mutual benefit of all stakeholders involved, including the public.
The World community of performers would not understand if these requests were to remain unheard.

Yours sincerely,

Dan Gottfried, President
Israeli Musicians’ Union
6 Rabin Square, Tel Aviv 64951, Israel

Carta do Secretário Geral do Sindicato dos Músicos e Bailarinos da Hungria (Hungarian Musicians’ and Dancers’ Union)

Carta do Secretário Geral do Sindicato dos Músicos e Bailarinos da Hungria (Hungarian Musicians’ and Dancers’ Union) ao Presidente da FOSB


Sr. Eleazar de Carvalho
Presidente da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira.
Budapeste, 17 de março de 2011.

Caro Senhor,
Fomos informados sobre sua intenção em reorganizar a Orquestra Sinfônica Brasileira através de uma audição a que todos os músicos deveriam ser submetidos. Embora o objetivo possa ser o de melhorar a qualidade da orquestra, este processo no nosso ponto de vista é inapropriado e pode, em verdade, se prova contra produtivo.
Todas as orquestras mais representativas do mundo possuem uma longa tradição de diálogo social. Este diálogo é crucial tanto para prevenir conflitos, como na resolução de vários problemas que podem acontecer na rotina diária de uma orquestra.

Eu quero também lembrar que todos os músicos passaram por uma audição antes de assumirem suas posições na orquestra. Desde então, eles estão atuando sobre os palcos toda a semana, o que também representa uma outra forma de audição. Re-audicionar todos estes músicos será unicamente um desnecessário, um teste extremamente estressante, incapaz dar uma imagem acurada das qualidades e talentos destes músicos.

Finalmente, e o mais principal, a personalidade artística de uma orquestra é o resultado de um processo de longo prazo que depende não somente nas qualidades individuais, mas também na profundidade do trabalho realizado diariamente pela orquestra como um todo, assim como nas opções artísticas definidas por seu diretor musical.

Eu acredito firmemente que é possível conciliar o seu objetivo de melhorar a qualidade da orquestra com as legítimas expectativas de seus músicos. Para terminar, eu clamo para o seu envolvimento nas discussões com as lideranças dos músicos o mais rápido possível, com a intenção de juntos identificarem a melhor maneira de alcançar o nível de excelência que é igualmente desejado por ambas as partes. Fazendo isto, o senhor maximizará as chances de ser bem sucedido na renovação da orquestra, para o mutual beneficio de todos os envolvidos neste processo, incluindo o público.

A comunidade dos artistas húngaros não entenderia se estes pedidos continuassem a não ser ouvidos.

Sinceramente,
Lászlo Gyimesi
Secretário Geral

Carta da Presidente do Conselho Executivo da Organização Canadense dos Músicos de Orquestra Sinfônica ao Maestro Roberto Minczuk

  Caro Maestro Minczuk,

Em nome dos 1100 músicos que pertencem à Organização de Orquestras Sinfônica do Canadá, nós estamos escrevendo hoje para o senhor para expressar nosso coletivo espanto e preocupação com a maneira que o senhor programou avaliações de desempenho para todos os membros da Orquestra Sinfônica Brasileira, uma ação que não é apoiado pelo acordo coletivo da orquestra. Como você sabe, os nossos colegas do Brasil têm apelado à comunidade internacional musical para lhe pedir que reconsidere esta ação. Queremos juntar as nossas vozes em apoio a isso.

Aqueles que trabalharam com você nas orquestras canadenses atestarão que o senhor trouxe um compromisso forte com os mais altos níveis de desempenho de uma orquestra. Nós apoiamos e dividimos esse compromisso, no entanto temos e devemos salientar que altas ambições artísticas precisam ser unidas ao respeito e compreensão. Como Alex Klein observou a história das orquestras e em particular das grandes orquestras, são marcadas pelo respeito aos músicos como artistas e pessoas. Estas condições não são somente necessárias para nós que atuamos em uma profissão altamente exigente, mas são importantes para aqueles  possuem ideais artísticos elevados.

Chamar uma orquestra inteira para se preparar a defender os seus postos de trabalho em uma avaliação de desempenho, com um tempo de preparação limitado, durante um período programado como férias, só pode levar a uma atmosfera de desconfiança e hostilidade. Isso reflete negativamente em todos nós, e compromete o espírito de uma orquestra - que, afinal, depende para o seu sucesso na confiança e em um trabalho coletivo.

O senhor pode não estar ciente disso, mas os olhos dos músicos e ativistas sindicais de todo o mundo estão sobre o senhor agora. A situação da OSB foi um tópico na Segunda Conferência internacional de Orquestras Sinfônicas, realizada em Amsterdã, de 7 a 9 de Março. Fazemos um apelo ao senhor, por conta do trabalho positivo que o senhor tem feito no Canadá, para retirar essa exigência de avaliação e retornar ao trabalho de construção e fortalecimento da OSB através de meios positivos, com a participação da comissão eleita dos músicos da OSB.

Respeitosamente,
Conselho Executivo da Organização Canadense dos Músicos de Orquestra Sinfônica
Francine Schutzman, presidente.

http://ocsm-omosc.org/index.php

Dear Maestro Minczuk,

On behalf of the 1100 musicians who belong to the Organization of Canadian Symphony Orchestras, we write to you today to express our collective astonishment and concern at the manner in which you have scheduled performance assessments for every single member of the Orquestra Sinfonica Brasileira, an action which is not supported by the collective agreement of the orchestra. As you know, our colleagues in Brazil have appealed to the international musical community to ask that you reconsider this action. We wish to add our voices in support of theirs.

Those who have worked with you in Canadian orchestras will attest that you have brought a fierce commitment to the highest levels of orchestral performance. We support and share that commitment, yet we must point out that high artistic ambitions need to be paired with respect and understanding. As Alex Klein noted, the history of orchestras, and of the greatest orchestras in particular, is one of increasing regard for the musicians as artists and people. These conditions are not only necessary for us to function in a highly demanding profession, but are supportive of those very high artistic ideals.

Calling a whole orchestra to prepare to defend their jobs in a performance assessment, given limited preparation time over a period scheduled as vacation, can only lead to an atmosphere of distrust and hostility. This reflects poorly on all of us, and compromises the spirit of an orchestra -- which is, after all, dependent for its success on morale and a collegial workplace.

You may not be aware of it, but the eyes of musicians and labour activists around the world are upon you right now.  The situation in the OSB was a topic at the second international symphonic conference, held in Amsterdam from March 7-9th. We appeal to you, for the sake of the positive work you have done in Canada, to withdraw this demand for assessment and to return to work building and strengthening the OSB through positive means, in consultation with the OSB's elected musicians' committee.

Respectfully yours,

The Executive Board of the Organization of Canadian Symphony Musicans

Francine Schutzman, President

Matéria da Cora Ronai, 2º caderno do O GLOBO.
quinta, 17 de março de 2011 Cora Ronai


 A crise da OSB é um retrato fiel de como é tratada a cultura no Brasil: de cima para baixo, sem diálogo ou transparência. Como já sabem todos a essa altura, um belo dia o maestro e diretor artístico da orquestra (que em qualquer lugar civilizado do planeta seriam pessoas diferentes, mas aqui são uma só), achou por bem convocar os músicos para “avaliações de desempenho”. Ora, músicos de orquestra são, pela própria função, avaliados com freqüência pelo público e, sobretudo, pelo próprio regente, com quem ensaiam constantemente. Um maestro que pede uma “avaliação de desempenho” dos seus músicos está, no fundo, confessando-se incapaz de avaliá-los – ou buscando uma saída covarde para demitir desafetos.

Os músicos, mais ou menos como os povos dos países da rua árabe, revoltaram-se contra a tirania das provas, humilhantes para quem passa a vida ensaiando e tocando; a administração tenta defender um modelo autoritário indefensável; e, em conseqüência, os assinantes das séries programadas para os próximos meses terão de se conformar com a OSB Jovem, que é um conjunto simpático, porém sem responsabilidade para tanto – afinal, como o nome diz, é composta por jovens, que recebem uma bolsa modesta para ensaiar duas vezes por semana, dado que ainda não terminaram os estudos e têm outras obrigações a cumprir. Usar a OSB Jovem em concertos vendidos pela OSB é sacrificar além do dever os seus componentes e, acima de tudo, é submeter o público a um estelionato cultural e artístico.

A OSB pode não ser a melhor orquestra do mundo, mas é a orquestra que é. Não é dizer pouco. Tem 70 anos de tradição, tem músicos excelentes e, sim, tem seus altos e baixos; mas, curiosamente, os altos acontecem sempre que é regida por um bom maestro. Todos nós, cariocas que gostamos de música clássica, devemos a ela a lembrança de alguns concertos memoráveis.

Se o senhor Roberto Minczuk não está satisfeito com a orquestra que rege, que procure outra que o aceite, em vez de buscar formas torpes e dissimuladas para desfazer uma orquestra boa, digna e capaz.

Cora Ronai
(O Globo, Segundo Caderno, 17.03.2011)
 http://cora.blogspot.com/

Carta do Gerente Geral da Orquestra Filarmônica de Belgrado, Tasovac Ivan, ao Presidente da FOSB


Sr. Eleazar de Carvalho
Presidente da Fundacao Orquestra Sinfonica Brasileira

Caro senhor,
Fui informado pela Federação Internacional de Músicos sobre sua decisão de realizar um processo de avaliação de desempenho entre os músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira. Embora acreditando na sua intenção e objetivo de melhorar a qualidade artística de sua orquestra, devo expressar minha profunda preocupação com a completa inadequação do procedimento a que os músicos da orquestra estarão sujeitos.

Acreditamos firmemente que o diálogo e a conversa construtiva são fundamentais para o trabalho de todas as instituições, especialmente em um campo tão específico como as artes e a cultura. Neste caso particular, uma aberta troca de opiniões com os representantes dos músicos é especialmente importante na prevenção de conflitos e resolver problemas que obviamente a sua orquestra está enfrentando.

Gostaria também de acrescentar que em todas as orquestras sinfônicas do mundo, cada músico tem que passar por um teste, a fim de ser aceito como parte do conjunto. Assim, não tenho dúvidas de que isso também aconteceu no caso de todos os músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira. Cada um dos seus concertos representa um teste em si, então esta tentativa de re-audição, só pode resultar em estresse e sofrimento desnecessário para os músicos.

Eu acredito fortemente que você, sendo um artista mesmo, pode facilmente reconhecer a iniquidade do seu gesto e da injustiça que você faria aos seus colegas, se você tivesse que começar esta decisão. É por isso que eu também confio que você será capaz de conciliar as expectativas legítimas dos músicos e, ao mesmo tempo, aumentar a qualidade de sua orquestra.

Como Gerente Geral de uma orquestra, que compartilha muitos de seus problemas, eu estou pedindo que você inicie o diálogo mútuo logo que possível, a fim de tentar encontrar soluções, e a melhor maneira possível para atingir o nível necessário de excelência que é, como acredito, o objetivo comum das duas partes.

Atenciosamente,
Tasovac Ivan,
Gerente Geral
Orquestra Filarmônica de Belgrado
Sérvia

                                                       ____________________

Dear Sir,
I was informed through the International Federation of Musicians about your decision to undertake the process of performance evaluation among musicians of the Brazilian Symphony Orchestra. Although I wish to believe in your intention and goal to improve artistic quality of your orchestra, I must express my deepest concerns about inappropriateness of the complete procedure the orchestra musicians are subjected.

We strongly believe that mutual dialogue and constructive conversation is crucial for the work of all institutions, especially in such a specific field as arts and culture. In this particular case, open exchange of opinion with the performers’ representatives is especially important in preventing more conflicts and solving problems which your orchestra is obviously facing.

I would also like to add that in all symphonic orchestras in the world, every musician must pass the audition in order to be accepted as the part of an ensemble. So, there is no doubt that this also happened in the case of all musicians from the Brazilian Symphony Orchestra. Each of their concert performance presents an audition itself, so every attempt of re-auditioning can only result with unnecessary stress and grief for the musicians.

I strongly believe that you, being an artist yourself, can easily recognize the unfairness of your gesture and injustice you would do to your colleagues if you were to commence this decision. That is why I also trust that you will be able to reconcile legitimate anticipations of the performers, and at the same time, increase the quality of your orchestra.

As the General Manager of an orchestra, who shares many of your problems, I am urging you to start with mutual conversations as soon as possible, in order to try to find solutions, and the best possible ways to reach the necessary level of excellence which is, as I believe, the goal of which both sides agree upon.

Yours sincerely,
Ivan Tasovac,
General Manager
Belgrade Philharmonic Orchestra
Serbia

Carta do Secretário Geral Assistente do Sindicato dos Músicos Britânicos (British Musicians’ Union) para o Presidente da FOSB 


Sr. Eleazar de Carvalho
Presidente da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira.

17 de março de 2011.
Caro Senhor,
Fomos informados sobre sua intenção em reorganizar a Orquestra Sinfônica Brasileira através de uma audição a que todos os músicos deveriam ser submetidos. Embora o objetivo possa ser o de melhorar a qualidade da orquestra, este processo no nosso ponto de vista é inapropriado e pode, em verdade, se prova contra produtivo.

Todas as orquestras mais representativas do mundo possuem uma longa tradição de diálogo social. Este diálogo é crucial tanto para prevenir conflitos, como na resolução de vários problemas que podem acontecer na rotina diária de uma orquestra.
Eu quero também lembrar que todos os músicos passaram por uma audição antes de assumirem suas posições na orquestra. Desde então, eles estão atuando sobre os palcos toda a semana, o que também representa uma outra forma de audição. Re-audicionar todos estes músicos será unicamente um desnecessário, um teste extremamente estressante, incapaz dar uma imagem acurada das qualidades e talentos destes músicos.

Finalmente, e o mais principal, a personalidade artística de uma orquestra é o resultado de um processo de longo prazo que depende não somente nas qualidades individuais, mas também na profundidade do trabalho realizado diariamente pela orquestra como um todo, assim como nas opções artísticas definidas por seu diretor musical.

Eu acredito firmemente que é possível conciliar o seu objetivo de melhorar a qualidade da orquestra com as legítimas expectativas de seus músicos. Para terminar, eu clamo para o seu envolvimento nas discussões com as lideranças dos músicos o mais rápido possível, com a intenção de juntos identificarem a melhor maneira de alcançar o nível de excelência que é igualmente desejado por ambas as partes. Fazendo isto, o senhor maximizará as chances de ser bem sucedido na renovação da orquestra, para o mutual beneficio de todos os envolvidos neste processo, incluindo o público.

A comunidade mundial dos músicos não entenderia se estes pedidos continuassem a não ser ouvidos.

Sinceramente,
Horace Trubridge
Assistant General Secretary


Carta do Vice-Presidente da Federação de Músicos (American Federation of Musicians) John Acosta para o Presidente da FOSB


 
Caro Senhor
Estou escrevendo para o senhor no que diz respeito às ações recentes que sua administração tomou em relação aos músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira. Se não me engano, você está pedindo que toda a orquestra re-audicione para os seus cargos, depois de todos terem passado por um teste para sua posição atual na orquestra. Este ato vai de encontro a todas as normas que são seguidos em todas as orquestras profissionais ao redor do mundo. O Brasil se tornou um líder mundial nos negócios e nas artes, e suas ações irão diminuir a reputação do Brasil não só no Mercosul, mas em todo o mundo, onde a música clássica é tocada e apreciada. Peço-lhe que reconsidere suas ações, evitando manchar o bom nome de sua orquestra, entre as grandes orquestras do mundo. Trabalhe com seus músicos para encontrar uma solução razoável para os problemas que você enfrenta.

Atenciosamente,
John Acosta
Vice-President
American Federation of Musicians
Los Angeles, California
Professional Musicians Local 47
AFL-CIO

                                        __________________________________
              
Dear Sir

I am writing to you in regards to the recent actions your management has taken with the musicians of the Brazilian Symphony. If I am not mistaken, you are now asking that the entire orchestra re-audition for their positions, after having initially auditioned for their current position with the orchestra. This act flies in the face of all norms that are followed within all professional orchestras around the world. Brazil has become a world leader in business and the arts, and your actions will only diminish Brazil’s reputation not only in the Mercosur, but all over the world, where classical music is played and appreciated. I urge you to reconsider your actions, and avoid blemishing the good name of your orchestra among the great orchestras around the world. Work with your musicians to find a reasonable solution to the problems you face.

Sincerely,

John Acosta
Vice-President
American Federation of Musicians
Los Angeles, California
Professional Musicians Local 47
AFL-CIO