sexta-feira, 29 de abril de 2011

Escola de Música da UFRJ

OSB: Músicos demitidos fazem concerto

Acontece neste sábado, 30, no Salão Leopoldo Miguez da Escola de Música (EM) o concerto manifesto dos 44 músicos recentemente demitidos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Como solista, a pianista Cristina Ortiz, que estava escalada para temporada oficial da OSB, mas cancelou sua participação por considerar a demissão dos músicos injusta. O regente será Osvaldo Colarusso.

No programa, Alvorada da ópera Lo Schiavo de Carlos Gomes, a Bachiana nº4 de Villa-Lobos e o concerto para piano e orquestra no 4 de Beethoven.

Além dos demitidos, comporão a orquestra que irá se apresentar amigos e instrumentistas solidários. A entrada é franca.

A crise da OSB, que se arrasta por quase cinco meses, provocou manifestações de importantes músicos brasileiros e alcançou ampla repercussão nos meios culturais nacionais e internacionais. Além de Cristina Ortiz, os bailarinos Ana Botafogo e Alex Neora e o pianista Nelson Freire, entre outros, cancelaram apresentações com a orquestra.

A congregação da EM também se manifestou em apoio aos atingidos e encaminhou documento (leia aqui) ao presidente do Conselho Curador da OSB, Eleazar de Carvalho Filho.

No domingo um naipe de metais composto por 15 músicos demitidos da OSB vai abrir a Festa do Trabalhador, às 10h, na comunidade do Complexo do Alemão.  O evento é organizado por diversas centrais sindicais




Demitidos da OSB preparam concertos com Cristina Ortiz e no Complexo do Alemão

Os músicos demitidos da Orquestra Sinfônica Brasileira programaram um concerto com a pianista Cristina Ortiz e o maestro Osvaldo Colarusso para o sábado, dia 30 de abril, às 19h na Escola de Música da UFRJ, no Rio de Janeiro. A apresentação com Cristina Ortiz acontece no mesmo dia em que a pianista iria se apresentar com a OSB Jovem e Roberto Tibiriçá no Teatro Municipal do Rio – concerto que foi cancelado após a pianista e o maestro desistirem da participação e após o ato de protesto da OSB Jovem.

No domingo, os músicos que integravam o grupo de metais da OSB irão se apresentar no Complexo do Alemão, nas comemorações do 1º de maio organizadas pelas Centrais Sindicais.

Sobre o encerramento das negociações por parte da OSB [leia aqui], Déborah Cheyne, presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, afirmou que “não aceitar os termos oferecidos pela Fosb não quer dizer que os músicos estivessem evitando a conciliação, pelo contrário. Os músicos propuseram as condições de retorno, o que significa a disposição em voltar ao trabalho e tratar de assuntos realmente relevantes para a ascensão artística e estrutural da FOSB”.

Segundo ela, na proposta da Fundação havia termos impossíveis de serem aceitos, como a criação de um comitê sem qualquer músico da OSB e a adesão a um novo regimento que previa distorções nos rendimentos, com gratificações não incorporadas ao salário e não contabilizadas para FGTS e outros benefícios. “Em alguns casos, o músico passaria a receber menos do que recebe hoje”, complementa Déborah.

Os músicos, que segundo o Sindicato conversavam sobre uma contraproposta e consideravam as negociações abertas, foram surpreendidos pelo encerramento das negociações pela OSB.

Os próximos passos dos instrumentistas incluem ações individuais na justiça, a realização de atos e concertos públicos, além do apoio a políticos como o deputado estadual Robson Leite, que levará uma ação junto ao ministério público por assédio moral. O Sindicato dos Músicos também acionou o Ministério do Trabalho e o Ministério da Cultura, que, segundo Déborah, por meio da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic) vai analisar as prestações de contas da OSB e as relações com patrocinadores.

Fosb chama seis músicos de volta

Dentro do grupo de músicos que se recusaram a participar das audições na OSB, há seis instrumentistas que não haviam recebido a carta de demissão e que, segundo o Sindicato, foram chamados pela OSB para uma nova conversa. Neste grupo estão músicos com mais de 20 ou 30 anos de dedicação à orquestra.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Carta dos Músicos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro

Caros colegas da Orquestra Sinfônica Brasileira,

Nós colegas da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro queremos prestar ato de solidariedade a cada um de vocês pela dor de ver sua orquestra e seu trabalho de anos sendo destruídos. Temos muitos amigos na OSB que sabemos do valor como músicos de excelência, como respeitados chefes de família, como dedicados trabalhadores e, sobretudo como servidores devocionados à música. Não podemos nos silenciar diante de uma causa tão absurda que está acontecendo com vocês, por isso somamos nossos protestos juntamente com o resto do mundo para que uma situação de trabalho correta, justa e respeitosa se restabeleça o quanto antes, reincorporando todos os que foram demitidos e garantindo assim a continuidade de trabalho para cada um. A OSB é patrimônio não só do Rio de Janeiro, mas de TODOS!
Abraços,

Músicos da OSTNCS

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Concerto dos Músicos

      ANCELMO GOIS






O Globo - Rio, 27/04/2011

Da pianista Cristina Ortiz, explicando por que vai participar da apresentação dos ex-músicos da OSB, sábado no Rio:
 
    - Nunca na vida me posicionei politicamente. Mas sou música e não é justo que músicos sejam encurralados. A música é mais forte que todos nós.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Folha.com

25/04/2011 - 20h03

Músicos decidem rejeitar proposta da OSB


Músicos demitidos da OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira) se reuniram hoje pela manhã e decidiram rejeitar a proposta de readmissão feita na semana passada pelo conselho curador da orquestra.
O principal impasse continua sendo a permanência do maestro Roberto Minczuk como regente titular e diretor artístico.

Eles devem reafirmar a proposta que já haviam feito anteriormente, na qual pediam a saída do maestro e o retorno às funções sem nova avaliação.
"Nossas propostas fazem parte de um desejo não só dos músicos demitidos, mas de toda a sociedade", disse a presidente do Sindicato dos Músicos do Rio, Deborah Cheyne.
Até o início da noite, a Fundação OSB, que aguarda uma resposta dos músicos, não havia recebido nenhum comunicado oficial.

SRZD - Rio

Maestro chegava com seguranças armados para ensaiar, afirma denúncia

Hélio Almeida | Rio+ | 25/04/2011 16h17

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que preside a Frente Parlamentar de Cultura no Congresso Nacional, disse que a presença do maestro Roberto Minczuk, ex-regente da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), estava insustentável. "O maestro não tinha mais condições de permanecer. Ele já chegou com seguranças armados para ensaiar. Será que ele estava com medo de algum músico atacá-lo?", questiona Jandira, informando que pretende provocar a Receita e Ministério Público Federal e do Trabalho.
 "Estamos solidários com os músicos. Vamos lutar para que eles voltem para a OSB. Não é uma prova de 30 minutos que irá avaliá-los. Isso tem que ser em todas as apresentações. O maestro estava na OSB, no Theatro Municipal e com uma orquestra do Canadá. Vamos investigar isso", disse a deputada federal, que chamou o contrato do maestro Minczuk de "grande mistério", devido seus rendimentos terem sido omitidos por uma "inexplicável cláusula de sigilo", que a parlamentar disse não ter descoberto nem mesmo quando foi Secretária Municipal de Cultura do Rio.

Mas, o silêncio foi quebrado quando Jandira leu publicamente o teor de um contrato terceirizado com empresa prestadora de serviços para a Fundação OSB, o que credita ao caso mais um detalhe intrigante. Embora o regente Minczuk não seja funcionário da OSB, seus proventos chegam, segundo Jandira, a 200 mil reais mensais, além dos rendimentos como diretor artístico e maestro da Filarmônica de Calgary, no Canadá.

"O estatuto determina que qualquer demissão deve ser submetida à Comissão de Músicos da OSB e isso não aconteceu. Ele está assinando um atestado de incompetência ao pedir que seja feita uma avaliação da orquestra que ele mesmo rege há cinco anos. Se Minczuk não teve capacidade para analisar o desempenho dos músicos durante cinco anos, o que dizer de apenas 30 minutos de prova", indaga Jandira.

Roberto Minczuk, maestro da OSB, foi pivô de toda a crise que fez pedir exoneração de outro cargo, o de diretor artístico do Theatro Municipal, no mesmo dia em que foi realizada a audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para analisar o caso.

Os músicos já vinham criticando o acúmulo de funções por Roberto Minczuk. Na OSB, o clima ficou tão tenso que parte do corpo da orquestra pediu para a fundação que administra a orquestra que o maestro fosse afastado. A insatisfação se agravou com a tentativa de se implantar um teste de avaliação aos membros da orquestra. Descontentes com a medida, 33 músicos foram demitidos. Em carta aberta os músicos da OSB querem que os 33 demitidos sejam readmitidos, convertendo as justas causas em suspensão de dois dias.

A assessoria do Theatro Municipal informou em nota que a contratação de Minczuk  foi legal e de conhecimento de todos. "O maestro Roberto Minczuk foi Diretor Artístico do Theatro Municipal de dezembro de 2007 até pedir exoneração na última segunda-feira, dia 18 de abril. Sua contratação foi legal e de conhecimento público. É igualmente de conhecimento geral que o maestro era diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira".
A equipe do SRZD entrou em contato com a assessoria da OSB, que não retornou até a publicação desta matéria.

Gazeta do Povo

Uma relação muito desafinada

Monica Imbuzeiro/Agência O Globo / Músicos da Sinfônica fazem protesto diante do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Fundação da Orquestra Sinfônica Brasileira e músicos demitidos estão há quatro meses em uma crise sem precedentes

Caderno G
Publicado em 24/04/2011 | Yuri Al’Hanati, especial para a Gazeta do Povo

Quatro meses após o início da crise na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), o cenário não parece apresentar uma solução iminente. Desde que, no início de janeiro, uma avaliação individual obrigatória dos músicos foi idealizada pelo maestro e diretor artístico Roberto Minczuk, e apresentada aos músicos na forma de um comunicado, já ocorreram diversas reuniões e audiências públicas para tentar conciliar os representantes da orquestra e os 41 músicos que se recusaram a se submeter ao método e foram demitidos por insubordinação.
Na última dessas reuniões, realizada no dia 18 de abril, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, os deputados Jandira Feghali e Robson Leite prometeram aprofundar as investigações das causas da crise.


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O quadro foi particularmente agravado no último dia 9, quando a maior parte dos músicos integrantes da OSB Jovem, que substituíam o corpo orquestral principal, deixou o palco do Theatro Municipal no Rio de Janeiro em protesto, após o maestro se apresentar.
Além de assédio moral — por obrigar os músicos a participar de uma avaliação sem precedentes — Minczuk também é acusado de acumular também o cargo de diretor artístico do Theatro Municipal, o que, segundo Robson Leite, é uma violação de direitos do Estatuto dos Músicos. Na última segunda-feira, o maestro deixou seu cargo no Theatro Municipal.

O maestro não se pronuncia sobre a crise, mas a Fundação da Orquestra Sinfônica Brasileira (Fosb), em comunicado oficial, afirmou que o objetivo da avaliação é “conhecer a fundo as de­­­mandas do conjunto, seguindo no propósito de atingir o patamar de qualidade almejado”.

Para o músico e regente gaúcho Alex Klein (ex-diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo), o que aconteceu foi uma manobra discriminatória. Segundo ele, nenhum músico deve ser avaliado dessa forma. “A avaliação do músico acontece todos os dias em sua prática, e qualquer maestro é capaz de avaliar a competência de cada músico já nas primeiras semanas de trabalho com eles”, afirma.

Tamara Campos, assessora de imprensa do Sindicato dos Músicos, que apoia a Comissão dos Músicos da OSB, explicou a razão pela qual os músicos consideraram a proposta de Minczuk suspeita: “Ao mesmo tempo em que anunciaram essa decisão vertical, a Fosb abriu audições para a contratação de novos músicos em Nova York e Londres, e ainda criou um programa de demissão voluntária, que consideramos imoral e insuficiente. Todos tiveram certeza de que haveria demissões”.

Alex Klein concorda com as suspeitas dos músicos: “Isso me parece discriminação contra os músicos brasileiros. Eles sabiam que os poucos que se submeteriam à avaliação eram os estrangeiros, pois caso não o fizessem, perderiam seus vistos de trabalho. Acho que é possível manter padrões internacionais com músicos brasileiros e não é preciso uma avaliação para isso”.

A presidente do Sindicato dos Músicos, Déborah Cheyne, declarou que pretende encaminhar outra proposta para a Fosb, pois considerou que a última posição da fundação em relação à crise não considerava a demanda dos músicos. Embora seja líder sindical, o que deveria garantir estabilidade em seu cargo, Déborah recebeu na última terça feira um comunicado anunciando a suspensão de seu contrato com outros três músicos.

O número de demitidos pela Fosb sobe agora para 37. Segundo a assessoria do Sindicato dos Músicos, os outros quatro músicos que não compareceram à avaliação têm seus casos tratados de forma especial. Somados a três músicos que aderiram ao programa de demissão voluntária da Fundação, são 44 profissionais que não compactuaram com a avaliação de Minczuk.

Cronologia
Entenda a crise da Orquestra Sinfônica Brasileira:
Início de janeiro – A direção da OSB anuncia que os músicos passariam por uma avaliação de desempenho que tinha como objetivo proporcionar um feedback para o músico e tentar alcançar um determinado patamar de qualidade. Os testes foram idealizados pelo maestro Roberto Minczuk. Paralelamente a esse comunicado, a OSB abre audições para contratação de novos músicos em Nova York e Londres.

18 de fevereiro – Após uma correspondência assinada pela Comissão dos Músicos da OSB enviada dia 24 de janeiro, acontece a primeira reunião dos músicos com os representantes da Fundação OSB (Fosb), que tem como propósito debater as avaliações de desempe­nhos que estavam marcadas para março. A Fosb reitera a obrigatorie­dade da avaliação e os músicos solicitam uma revisão do repertório.

24 de fevereiro – Começa o prazo para a adesão ao Programa de Demissão Voluntária, que havia sido criado pela Fosb ante o desconten­tamento dos músicos. O PDV previa a verba normal para demissão sem justa causa e a continuidade de salário e plano de saúde até junho deste ano. Três músicos aderem.
4 de março – O Sindicato dos Músicos envia à Fosb uma ação judicial que tem como objetivo o cancelamento das avaliações. A ação é rejeitada liminarmente em primeira e segunda instâncias.

10 de março – Começam as avaliações de desempenho na UERJ, e apenas 35 músicos comparecem. O ato de outros 41 ausentes (excluindo-se os três que aderiram ao PDV) é caracteri­zado como insubordinação, previsto no Código de Leis Trabalhistas (CLT).

28 de março – A Fosb recebe a notícia de que 41 músicos que se recusaram a participar da avaliação recusaram também o pedido de reabertura do PDV após o período de adesão. 33 são demitidos e outros têm seus casos avaliados.

9 de abril – A OSB Jovem se retira de uma apresentação em protesto ao maestro Minczuk (foto).
18 de abril – Acontece na Alerj uma audiência pública para tratar do caso. Os deputados Jandira Feghali e Robson Leite prometem averiguar a fundo as causas da crise.

19 de abril – A líder do Sindicato dos Músicos e violista da OSB, Déborah Cheyne, recebe a notícia de que seu contrato e de mais três músicos estão suspensos, aumentando para 37 os casos de demissões ou suspensões pela Fosb.

Luís Nassif online

Comentário de Carlos Henrique Machado no Blog do Luís Nassif.

Nós não erramos. Todo esse jogo de cena, essas falsas teorias progressistas da música a partir de um totalitarismo técnico tenta, na verdade, esconder uma falaciosa situação que tende a se agravar se em tempo não erguermos um grito de alerta contra a mistificação, o charlatanismo existencialista que acabou se transformando em filosofia de um período político que inicia com Collor e ganha status progressista na era FHC. Não é atoa que o mesmo é presidente de honra da OSESP.

O fundamentalismo "de excelência" que Minczuk vive a saracotear não passa de sombras deformantes. Na realidade, no fundo dessa alegoria universal há um trabalho de destruição do caráter nacional, uma coisa inteiramente divorciada das nossas características, algo que corresponde ao abstracionismo barato, a um universalismo cerebral muito mais afeito à regras do que ao sentimento. Tudo muito matemático, típico da cultura de inteligências saturadas que acaba sendo refúgio dos medíocres. Há muita coisa que se revela no comportamento do pretensioso Minczuk. Todo esse contorcionismo cerebral e antiartístico que ele diz ser característica do seu método é, na verdade, uma caricatura erudita, algo que, segundo seus princípios, é inovador quando na realidade é vulgar, esdrúchulo e falso.

O povo brasileiro, especialmente para a música, tem uma intuição aguda e sempre soube saborear os grandes documentos sonoros dentro de uma rica ingenuidade, ao contrário do que imagina o posudo maestro, o povo é tão sabido que despreza arremedos, cacoetes, guinchos e pinotes de um "autorizado" a definir uma única lógica.

Os grandes nomes da música brasileira meditaram a partir do sentimento coletivo da sociedade. E a Orquestra Sinfônica Brasileira sempre foi uma expressão viva do nosso caráter nacional. Todos nós sentimos que, escutá-la e divulgá-la, é ajudar a construir o engrandecimento da cultura brasileira. O que esse maestro quer é o silêncio constrangido dos músicos, é o comprometimento deles com uma conivência servil para aplaudir o seu "requinte de inteligência". Minczuk se agarra nas técnicas para se filiar ao pensamento único, assim como Neschling e, com isso, não se preocupa com a expressão característica dos nossos grandes músicos.

Nós não erramos. Essa ignorância toda o maestro provavelmente importou. E aí, ele carrega, pra cima e pra baixo, esse embrulho com etiqueta estrangeira, exibindo servilmente o seu contrabando importado e, dentro do embrulho há somente um paralelepípedo de concreto, um pedaço do muro que separa civilizações, ao invés fazer uso dos sons para universalizar pela alma, pelo aspecto humano e pela solidariedade entre os povos, porque essa anti-brasilidade que marca a sua intolerância está longe de ser base para a realização da obra de arte verdadeira. Se o maestro perdeu o contato com a realidade, a cultura brasileira não perdeu. Se ele quer sufocar o talento brasileiro, este belíssimo e fundamental depoimento de Paulo Sergio Santos mostra que o pensamento de Minczuk é antiartístico e apenas nutre o gosto de pequenas elites de "requintados" que adoram viver de simulações eurocêntricas dentro do Brasil.

English version

Comment by Carlos Henrique Machado in Blog Luis Nassif. Excellent definition of the ideology that guides the OSB today
by Eduardo Monteiro, Monday, April 25, 2011 at 15:57
Your note was created.
We will not falter. All this posturing, these false theories of progressive music from a technician attempts to totalitarianism, in fact, hide a flawed situation that tends to worsen in time does not stand up a cry of warning against deception, charlatanism existentialist who eventually turning into a period of political philosophy that begins with Collor and gain status in the progressive era FHC. No wonder that it is honorary president of OSESP.

Fundamentalism "excellence" that Minczuk philander lives are simply shadows deforming. In fact, at the bottom of this universal allegory is a work of destruction of national character, something entirely divorced from our features, something that corresponds to abstraction cheap, a lot more cerebral universalism accustomed to the rules that feeling. All very mathematical, typical of saturated culture of intelligence that turns out to be a refuge of the mediocre. There is much that is revealed in the behavior of pretentious Minczuk. All of this contortion antiartístico brain and what he says is characteristic of his method is actually a caricature of erudite, something that according to its principles, is innovative when in fact it is vulgar, and false esdrúchulo.

The Brazilian people, especially for music, has an acute intuition and taste always knew the great documents within a rich sound naive, rather than imagine posudo conductor, the people are so well known that despises imitations, tics, winches and bucking an "authorized" to define a single logic.

The big names of Brazilian music meditated from the collective feelings of society. And the Brazilian Symphony Orchestra has always been a vital expression of our national character. We all feel like hearing it and release it, is to help build the advancement of Brazilian culture. The conductor that is either embarrassed silence of the musicians is their commitment to a servile complicity to applaud his "refinement of intelligence." Minczuk grabs the techniques for joining the single thought, as Neschling and, therefore, is not concerned with the characteristic expression of our great musicians.

We will not falter. This ignorance probably imported across the conductor.Then, it loads, up and down, that bundle with a foreign label, displaying his slavishly imported and smuggled inside the wrapping there is only a parallelepiped of concrete, a piece of wall that separates civilizations, instead making use of sounds to universalize the soul, the human aspect and solidarity among peoples, because this anti-Brazilianness that marks his intolerance is far from being the basis for the realization of the true work of art. If the conductor has lost touch with reality, Brazilian culture is not lost. If he wants to stifle the Brazilian talent, the beautiful and fundamental statement of Paulo Sergio Santos shows that the thought is Minczuk antiartístico and only nurtures the taste of small elites of "exquisite" who love live simulations Eurocentric within Brazil.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Crise na OSB: em carta aberta, Frente Parlamentar da Cultura diz que pretende coibir abusos

by Patricio

abril 20th, 2011


Em carta aberta à sociedade, integrantes da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura no Congresso Nacional repudiam atitudes do regente Roberto Minczuk e informam que pretendem intervir para contornar a crise vivida pela OSB. A realização de audiências públicas na Câmara e no Senado, representações junto ao Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Secretaria da Receita Federal estão entre as iniciativas que visam apurar supostas irregularidades. O pedido de uma intervenção na Fundação OSB e o retorno dos músicos  demitidos não são descartados pelos parlamentares. Confira íntegra da nota.

CARTA ABERTA EM DEFESA DA ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA

Nós, integrantes da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura no Congresso Nacional, manifestamos nosso irrestrito apoio aos músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e da Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem, que buscam superar a maior, inusitada e grave crise de sua história.
A OSB é um patrimônio da arte e cultura brasileiras, foi criada por músicos, detém o talento, qualidade e dedicação dos profissionais, muitos dos quais há mais de trinta anos fazendo soar em nossos ouvidos a musica sinfônica e executando obras de grande exigência técnica, melódica e sensibilidade artística.
Refutamos, pois, todas as atitudes autoritárias, desrespeitosas e desprovidas de ética profissional e humana, que levaram à demissão arbitrária, sem qualquer respaldo legal de 50% dos músicos que compõem o corpo orquestral. Os fatos comprovam as denúncias de assédio moral e abuso de poder por parte da fundação e do diretor artístico, Roberto Minczuk, que não satisfeito em planejar uma falsa avaliação, adentrou o ambiente de trabalho da orquestra com seguranças armados.
A Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, uma das mais tradicionais orquestras do país, tem como fonte de financiamento recursos públicos e privados  e  deve dar acesso democrático a todas as camadas sociais do seu conhecimento musical e aos espetáculos de qualidade que sempre foi capaz de produzir. O que assistimos na noite do último dia 9/4, quando os músicos da Orquestra Jovem abandonaram o palco do Teatro Municipal em protesto às medidas impostas pelo maestro Roberto Minkzuk, foi um retrato da dignidade, da solidariedade,  do inconformismo e da indignação de uma geração de músicos em formação que não se permitem submissos ou usados.
As informações colhidas durante audiência pública realizada pela Comissão de Cultura da Asssembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), no último dia 18/04, descortinam a veracidade das acusações e revelam inúmeras irregularidades de uma gestão sem transparência, que viola seus próprios estatutos, que determina baixos salários para os músicos e um  altíssimo rendimento ao maestro, que é remunerado por três fontes, acumulando rendimentos de duas fontes públicas.
A burla da lei é tão flagrante que um músico foi demitido em período de licença médica por infarto, além de dois dirigentes do sindicato dos músicos, inclusive a presidente. A insensibilidade, o desrespeito das relações de trabalho e da legalidade levam a Frente Parlamentar Mista de Cultura a tomar de imediato as seguintes medidas:
- Amplificar as denúncias e a mobilização para a volta de todos os músicos demitidos;
- Realizar audiências públicas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal envolvendo as Comissões de Educação e Cultura, a de Trabalho e a de Finanças e Tributação;
- Representar junto ao Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Secretaria da Receita Federal, para apuração das irregularidades e, se for o caso, determinar intervenção na Fundação OSB e outras penalidades cabíveis;

- Explicitar nosso aplauso perante a atitude da OSB jovem.

Viva a cultura brasileira.
Viva a música brasileira.
Viva a OSB e seus dedicados e dignos músicos!

Deputada Jandira Feghali
Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura no Congresso Nacional

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Crise na OSB : Alain Lompech editor de cultura do jornal francês “Le Monde” - Publicado em 20/04/2011 por semibreves

← Direto da Europa
Contribuição de Alain Lompech
Publicado em 20/04/2011 por semibreves

O texto que abaixo reproduzo é um comentário ao meu último post. No entanto, dada a importância de seu conteúdo e a importância de quem o redigiu, achei necessário estampá-lo com destaque nesse blog. O original, em francês, é de autoria de Alain Lompech, editor de cultura do jornal francês “Le Monde”, um dos mais importantes jornais europeus e cuja irradiação é imensamente maior do que a desse modesto blog. Em seguida tomei a liberdade de traduzi-lo para o português, para que fosse compreensível para todos os leitores. Finalizo dizendo que é uma honra para esse blogueiro poder trazer aqui com exclusividade um texto de Alain Lompech sobre a nossa realidade musical e cultural. Mais feliz ainda fico por observar que muito daquilo que vem no texto condiz com as linhas mestras do pensamento que venho tentanto expressar no decorrer dos últimos 10 meses de existência desse blog. Divirtam-se.

“A única coisa que pode estar por detrás do “affair” OSB é a mediocridade intelectual de indivíduos que não entenderam que uma instituição artística é mais importante do que aqueles que detém um simples poder temporal sobre ela. Eles precisam devolvê-la num estado melhor do que aquele que existia quando as chaves lhes foram entregues.

Uma instituição não é um utensílio de promoção pessoal: quando este é o caso, não passa de uma catástrofe e da ruína. Só quando os seus dirigentes não têm outro objetivo senão fazer crescer a instituição, é que o prestígio dessa instituição acaba por resvalar sobre eles próprios.
O Brasil é um país que, visto de fora, mudou profundamente. Não é mais somente aquele país tropical, sensual e perigoso, um país perseguido por um futuro radioso, que nunca consegue alcançá-lo. O Brasil está finalmente sendo visto pelo que ele é, um país cujas culturas erudita e popular são tão importantes para o mundo quanto a floresta amazônica o é para o equilíbrio ecológico do planeta.

A mediocridade intelectual a que me referia está refletida naquilo que a OSB não representa, mas que deveria representar para os seus tutores, tanto públicos quanto privados: o tesouro nacional que deveria ser. O resultado é que se confia a instituição a artistas e a administradores que não têm a consciência do desafio que esta instituição representa, do seu passado e do seu futuro, e das fortes implicações que ela necessita excercer na vida intelectual e musical do país.

A única justificativa que existe para que se mantenha uma instituição sinfônica, assim com uma ópera, é que ela crie a música de nosso tempo e que ela mantenha vivo o repertório no seu mais alto nível de qualidade.
O Brasil possue recursos financeiros e intelectuais para levar um tal projeto à vitória. Ele o pode e ele o deve.”
Voilà…

La seule chose qui soit derrière l’affaire OSB, c’est la médiocrité intellectuelle d’individus qui n’ont pas compris qu’une institution artistique était plus importante que ceux qui détiennent un simple pouvoir temporel sur elle. Ils doivent la rendre en meilleur état que le jour où ils en ont reçu les clefs.
Une institution n’est pas un outil de promotion personnelle : quand il en est ainsi, ce n’est que catastrophe et ruine. Quand ceux qui la dirigent n’ont qu’un but : faire grandir l’institution, alors le prestige de l’institution rejaillit sur eux.
Le Brésil est un pays qui, vu de l’extérieur, a profondément changé. Il n’est plus seulement ce pays tropical, sensuel et dangereux, ce pays poursuivi par un avenir radieux qui ne le rattrapait jamais. Le Brésil est enfin vu pour ce qu’il est, un pays dont la culture érudite et populaire est aussi importante pour le monde que la forêt amazonienne l’est pour l’équilibre écologique de la planète.
La médiocrité intellectuelle dont je parlais vient de ce que l’OSB n’est pas regardé par ses tutelles, autant publiques que privées, comme le trésor national qu’il devrait être. Alors, on le confie à des artistes et des administrateurs qui n’ont pas conscience de l’enjeu que représente cette institution, de son passé comme de son avenir et de la forte implication qu’elle doit avoir dans la vie musicale et intellectuelle du pays.
La seule justification qu’il y a de maintenir en vie une institution symphonique, comme un opéra, est qu’elle créée la musique de notre temps et qu’elle maintienne en vie le répertoire au plus haut niveau de qualité possible.
Le Brésil a les ressources financières et intellectuelles pour mener un tel projet à la victoire. Il le peut et il le doit.

Músicos da OSB vão abrir festa do trabalhador no Complexo do Alemão

Plantão | Publicada em 20/04/2011 às 12h55m

O Globo - Rio - Ronaldo Braga

Rio - A Festa de 1º de Maio dos Trabalhadores, que será realizada no Campo do Ordem, no Complexo do Alemão, na Vila Cruzeiro, será aberta com a execução do hino nacional, pelos músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Eles também irão presentear o público com trechos de músicas clássicas e regionais. Segundo Francisco Dal Prá, presidente do comitê organizador, essa é a primeira vez que a festa será organizada pelas centrais sindicais Força Sindical, Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).

- A festa começa às 10h com um ato ecumênico realizado por representantes das religiões católica, evangélica e afro-brasileira. Vale lembrar também que vários prêmios serão sorteados, e as primeiras 30 mil pessoas que chegarem ao local do evento, receberão o cupom para concorrer - explicou.
Ele disse ainda que, em seguida, um show gospel com a cantora Léa Mendonça e os grupos Bala de Coco e Bom Gosto, vai animar os milhares de trabalhadores que estão sendo esperados pela organização. Para encerrar, muito samba com o cantor e compositor Arlindo Cruz. Dal Prá lembra ainda que, independente de ser uma data festiva e de confraternização, ela serve também para reafirmar a necessidade de melhorar as condições de trabalho dos profissionais que atuam no estado do Rio de Janeiro, como por exemplo, o aperfeiçoamento da mão-de-obra, a redução da jornada de trabalho, o fim do fator previdenciário, reajuste para os aposentados e uma melhoria dos serviços públicos de saúde e educação.

- É isso que queremos para o futuro - disse o presidente do comitê organizador.
Outra novidade é que todas as pessoas que irão trabalhar no dia evento, como recepcionistas e na montagem e desmontagem da infra-estrutura, são moradores da comunidade Complexo do Alemão, que foram contratados pela associação de moradores a pedido da organização do evento.

Músicos DEMITIDOS da OSB abrem festa do trabalhador no Complexo do Alemão



Músicos da OSB abrem festa do trabalhador no Complexo do Alemão

Rio - A festa de 1º de Maio, Dia do Trabalhador, do Complexo do Alemão, na Vila Cruzeiro, será aberta com a execução do hino nacional, pelos músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Eles também irão presentear o público com trechos de músicas clássicas e regionais.

De acordo com Francisco Dal Prá, presidente do comitê organizador, essa é a primeira vez que a festa será organizada pelas centrais sindicais Força Sindical, Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).

"A festa começa às 10h com um ato ecumênico realizado por representantes das religiões católica, evangélica e afro-brasileira. Vale lembrar também que vários prêmios serão sorteados, e as primeiras 30 mil pessoas que chegarem ao local do evento, receberão o cupom para concorrer", explicou Francisco.

Ele disse ainda que, em seguida, um show gospel com a cantora Léa Mendonça e os grupos Bala de Coco e Bom Gosto, vai animar os milhares de trabalhadores que estão sendo esperados pela organização. Para encerrar, muito samba com o cantor e compositor Arlindo Cruz.

Dal Prá lembra ainda que, independente de ser uma data festiva e de confraternização, ela serve também para reafirmar a necessidade de melhorar as condições de trabalho dos profissionais que atuam no estado do Rio de Janeiro, como por exemplo, o aperfeiçoamento da mão-de-obra, a redução da jornada de trabalho, o fim do fator previdenciário, reajuste para os aposentados e uma melhoria dos serviços públicos de saúde e educação.

Outra novidade é que todas as pessoas que irão trabalhar no dia evento, como recepcionistas e na montagem e desmontagem da infra-estrutura, são moradores da comunidade Complexo do Alemão, que foram contratados pela associação de moradores a pedido da organização do evento.

SESSÃO DIRIGIDA PELO DEPUTADO ROBSON LEITE COM PARTICIPAÇÃO DA DEPUTADA JANDIRA FEGHALI

Para o bem da cultura do Rio de janeiro...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Músicos da OSB denunciam Minczuk por assédio moral e ameaças à integridade física. Frente da Cultura cuidará do assunto em Brasília.


Denúncias de assédio moral e de ameaça à integridade física feitas pelos integrantes da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e a OSB Jovem serão notificadas ao Ministério Público do Trabalho pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), presidida pelo deputado estadual fluminense Robson Leite (PT).  Essas serão as primeiras providências adotadas pelos idealizadores da audiência pública realizada na tarde de ontem (18|Abril2011) para investigar as causas de uma crise que já dura mais de seis meses e parece longe do fim.

Durante a reunião, músicos, parlamentares, professores da OSB e representantes do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro confirmaram algumas evdiências que vinham sendo divulgadas pela grande mídia nos últimos meses. Para Robson Leite, autor da iniciativa, os esclarecimentos prestados até agora são suficientes para se justificar a adoção de medidas punitivas. “Descobrimos oficialmente que além de ser regente da OSB, o maestro Roberto Minczuk também é diretor artístico do Theatro Municipal. Isso é ilegal. É uma questão de princípio republicano. Há uma violação de direitos do estatuto dos músicos e há dinheiro público federal aplicado na OSB que não sabemos como está sendo utilizado”, afirmou Leite.

 Depois de ouvir relatos, ler o Estatuto do Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio e ter acesso ao contrato do maestro Roberto Minczuk, Jandira disse estar convencida sobre a existência de sérias irregularidades. “O estatuto diz que qualquer demissão deve passar primeiro pela Comissão de Músicos da OSB e isso não aconteceu. O maestro não tem poder de pedir esse tipo de avaliação, sem contar que ele está assinando um atestado de incompetência ao pedir que seja feita uma avaliação da orquestra que ele mesmo rege há cinco anos. Isso significa que se Minczuk não teve capacidade para avaliar os músicos em cinco anos, o que dizer se reduzíssemos esse tempo para 30 minutos”, completou.

Até a realização da audiência pública, o contrato do maestro Minczuk também era outro grande mistério. Seus rendimentos foram omitidos por uma “cláusula de sigilo”, que Jandira Feghali nunca conseguiu quebrar nem mesmo quando foi Secretária Municipal de Cultura do Rio. Mas, o silêncio foi quebrado quando a parlamentar leu publicamente o teor de um contrato terceirizado com empresa prestadora de serviços para a Fundação OSB. Outro detalhe curioso: embora o regente Minczuk não seja funcionário da OSB, seus proventos alcançam a ordem de 1 milhão e 200 mil reais anuais brutos. Isso fora os adicionais equivalentes a 5% de comissões sobre os valores de todos os contratos firmados com empresas patrocinadoras. Só para ilustrar, isso corresponderia a um total de 1 milhão e 700 mil reais somente sobre o valor de 35 milhões patrocinado pelo BNDES.

Outros depoimentos. O ex-presidente da Comissão dos Músicos da orquestra, Luzer David, foi o primeiro a ser ouvido. “Nunca fomos contra a avaliação dos músicos, apenas somos contra a maneira como ela é feita. Em nenhum lugar do mundo – e isso sabemos porque entramos em contato com orquestras do mundo inteiro -, uma avaliação desse porte é feita em uma apresentação individual, por 30 minutos e na frente de uma banca internacional. A avaliação sempre é feita através da observação da integração diária na orquestra, vendo como cada um se dedica”, contou.

Representante da Comissão dos Músicos da OSB Jovem, Ayram Nicodemo explicou o motivo da recusa da orquestra em se apresentar no concerto do último dia 9, quando os artistas se levantaram e se retiraram do palco. “Desde que tomamos ciência do quê acontecia com a orquestra profissional, ficamos abalados. A maioria dos demitidos tinha uma ligação grande com muitos de nós, por serem professores e amigos. Após semanas de debates na comissão, decidimos, no dia anterior ao concerto, que não iríamos nos apresentar. Tentei me explicar para o público, mas o microfone foi cortado. Mesmo assim, conseguimos divulgar nossa carta de desculpas”, explicou Ayran, que garantiu não ter sido coagido por nenhum dos músicos demitidos.
Ele também contou que Minczuk ia aos ensaios escoltado por seguranças armados. “Um colega meu disse ter sido ameaçado por um dos seguranças do maestro somente por ter se aproximado da sala de Minczuk”, declarou Nicodemo, comentando o medo que os integrantes da OSB Jovem tinham do regente da orquestra. Para o deputado Robson Leite, os músicos, apesar de jovens e aprendizes, foram muito corajosos. “Eles colocaram em risco suas bolsas de estudos deles pelo bem-estar comum de toda a OSB”, ressaltou.

Débora Cheyne, que representou o Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, afirma que espera que haja conciliação entre a direção da OSB e os músicos da entidade, mas ressalta que a demissão dos músicos trouxe a interrupção do processo de criação e de maturação das peças que seriam apresentadas na temporada.

Denúncias de assédio moral e de ameaça à integridade física feitas pelos integrantes da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e a OSB Jovem serão notificadas ao Ministério Público do Trabalho pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), presidida pelo deputado estadual fluminense Robson Leite (PT).  Essas serão as primeiras providências adotadas pelos idealizadores da audiência pública realizada na tarde de ontem (18|Abril2011) para investigar as causas de uma crise que já dura mais de seis meses e parece longe do fim.

Durante a reunião, músicos, parlamentares, professores da OSB e representantes do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro confirmaram algumas evdiências que vinham sendo divulgadas pela grande mídia nos últimos meses. Para Robson Leite, autor da iniciativa, os esclarecimentos prestados até agora são suficientes para se justificar a adoção de medidas punitivas. “Descobrimos oficialmente que além de ser regente da OSB, o maestro Roberto Minczuk também é diretor artístico do Theatro Municipal. Isso é ilegal. É uma questão de princípio republicano. Há uma violação de direitos do estatuto dos músicos e há dinheiro público federal aplicado na OSB que não sabemos como está sendo utilizado”, afirmou Leite.


A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que preside a Frente Parlamentar de Cultura no Congresso Nacional, disse que pretende dar continuidade ao trabalho e levar adiante as investigações iniciadas pela Alerj. “Cuidaremos do assunto no âmbito da Frente. A ideia é unir esforços com as comissões de Educação e Cultura da Câmara e do Senado e provocarmos providências por parte da Receita e Ministério Público Federal, além de realizarmos audiências públicas. O indispensável é que consigamos garantir transparência em todo o processo de gestão e também venhamos a mudar a direção da orquestra”, antecipou a parlamentar.

Depois de ouvir relatos, ler o Estatuto do Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio e ter acesso ao contrato do maestro Roberto Minczuk, Jandira disse estar convencida sobre a existência de sérias irregularidades. “O estatuto diz que qualquer demissão deve passar primeiro pela Comissão de Músicos da OSB e isso não aconteceu. O maestro não tem poder de pedir esse tipo de avaliação, sem contar que ele está assinando um atestado de incompetência ao pedir que seja feita uma avaliação da orquestra que ele mesmo rege há cinco anos. Isso significa que se Minczuk não teve capacidade para avaliar os músicos em cinco anos, o que dizer se reduzíssemos esse tempo para 30 minutos”, completou.

Até a realização da audiência pública, o contrato do maestro Minczuk também era outro grande mistério. Seus rendimentos foram omitidos por uma “cláusula de sigilo”, que Jandira Feghali nunca conseguiu quebrar nem mesmo quando foi Secretária Municipal de Cultura do Rio. Mas, o silêncio foi quebrado quando a parlamentar leu publicamente o teor de um contrato terceirizado com empresa prestadora de serviços para a Fundação OSB. Outro detalhe curioso: embora o regente Minczuk não seja funcionário da OSB, seus proventos alcançam a ordem de 1 milhão e 200 mil reais anuais brutos. Isso fora os adicionais equivalentes a 5% de comissões sobre os valores de todos os contratos firmados com empresas patrocinadoras. Só para ilustrar, isso corresponderia a um total de 1 milhão e 700 mil reais somente sobre o valor de 35 milhões patrocinado pelo BNDES.


Outros depoimentos. O ex-presidente da Comissão dos Músicos da orquestra, Luzer David, foi o primeiro a ser ouvido. “Nunca fomos contra a avaliação dos músicos, apenas somos contra a maneira como ela é feita. Em nenhum lugar do mundo – e isso sabemos porque entramos em contato com orquestras do mundo inteiro -, uma avaliação desse porte é feita em uma apresentação individual, por 30 minutos e na frente de uma banca internacional. A avaliação sempre é feita através da observação da integração diária na orquestra, vendo como cada um se dedica”, contou.

Representante da Comissão dos Músicos da OSB Jovem, Ayram Nicodemo explicou o motivo da recusa da orquestra em se apresentar no concerto do último dia 9, quando os artistas se levantaram e se retiraram do palco. “Desde que tomamos ciência do quê acontecia com a orquestra profissional, ficamos abalados. A maioria dos demitidos tinha uma ligação grande com muitos de nós, por serem professores e amigos. Após semanas de debates na comissão, decidimos, no dia anterior ao concerto, que não iríamos nos apresentar. Tentei me explicar para o público, mas o microfone foi cortado. Mesmo assim, conseguimos divulgar nossa carta de desculpas”, explicou Ayran, que garantiu não ter sido coagido por nenhum dos músicos demitidos.
Ele também contou que Minczuk ia aos ensaios escoltado por seguranças armados. “Um colega meu disse ter sido ameaçado por um dos seguranças do maestro somente por ter se aproximado da sala de Minczuk”, declarou Nicodemo, comentando o medo que os integrantes da OSB Jovem tinham do regente da orquestra. Para o deputado Robson Leite, os músicos, apesar de jovens e aprendizes, foram muito corajosos. “Eles colocaram em risco suas bolsas de estudos deles pelo bem-estar comum de toda a OSB”, ressaltou.

Débora Cheyne, que representou o Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, afirma que espera que haja conciliação entre a direção da OSB e os músicos da entidade, mas ressalta que a demissão dos músicos trouxe a interrupção do processo de criação e de maturação das peças que seriam apresentadas na temporada.

Memória. O acúmulo de funções por Roberto Minczuk vinha sendo criticado pelos músicos do teatro. Já na OSB, a crise era bem mais profunda: depois de alguns afastamentos, o clima ficou tão tenso que parte do corpo da orquestra pedia à fundação que administra a orquestra que o maestro fosse afastado. A insatisfação do corpo de músicos da Fundação em relação ao maestro Roberto Minczuk se agravou com a tentativa de se implantar um teste de avaliação aos membros da orquestra.

Trinta e três músicos, descontentes com a medida, foram demitidos. Em carta aberta para divulgar suas contrapropostas, músicos da OSB querem que os 33 demitidos sejam readmitidos, convertendo as justas causas em suspensão de dois dias, e criar um comitê artístico para auxiliar a direção artística de 2011.
Demissão. A assessoria da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, presidida pela atriz Carla Camurati desde 2007, divulgou uma nota no fim da manhã de ontem (18|Abril|2011) informando que o maestro Minczuk solicitou exoneração do cargo de diretor artístico, sendo substituído pelo maestro Sílvio Viegas, titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal (OSTM).

G1 - Pop & Arte

18/04/2011 17h58 - Atualizado em 18/04/2011 21h05

Roberto Minczuk pede exoneração da direção artística do Theatro Municipal

Maestro, porém, se mantém à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira.
Com a decisão, Sílvio Viegas passa a responder interinamente pelo cargo.


O maestro Roberto Minczuk pediu exoneração do cargo de diretor artístico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro após uma reunião com o Conselho da Orquestra Sinfônica Brasileira, realizada na manhã desta segunda-feira (18). Apesar da exoneração, Minczuk segue como maestro da OSB.
Com a decisão, o regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal (OSTM), maestro Sílvio Viegas, passa a responder interinamente pelo cargo.
O pedido de exoneração de Minczuk foi uma solicitação da própria Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira, que formalizou ao maestro o desejo de tê-lo integralmente dedicado à restruturação por que passa a instituição.

Contraproposta elaborada na semana por músicos demitidos da Fundação OSB, para que aceitassem a reintegração à instituição, pedia que Minczuk deixasse de ocupar a função de diretor artístico na Orquestra Sinfônica Brasileira, além do afastamento do maestro do cargo de regente titular. As sugestões não foram acatadas.

Avaliações podem mudar
Em reunião realizada nesta segunda (18), o conselho que integra a fundação ratificou a proposta de readmissão dos músicos afastados, convertendo as justas causas em suspensão de dois dias. O retorno imediato às funções regulares fica condicionado à realização da avaliação de desempenho, agendada para junho, nos moldes sugeridos pelos próprios músicos na reunião realizada em conjunto com o representantes do conselho no último dia 8.

As avaliações serão adaptadas para um formato de música de câmara, em que os músicos formarão seus próprios conjuntos e escolherão peças de uma lista de compositores do clássico ao contemporâneo, fornecida pelo maestro. Eles apresentarão dois movimentos contrastantes para uma banca composta pelo maestro, o chefe de naipe e três convidados externos escolhidos pelo maestro e referendados pelo conselho.
O conselho da Fundação OSB também propôs a reabertura do prazo para sugestões dos músicos ao novo regimento interno, submetido à aprovação; a criação de um conselho artístico para auxiliar na retomada da temporada 2011; e a continuidade das atividades da OSB Jovem. O prazo estabelecido pelo conselho para que os músicos possam ser reintegrados às suas atividades é o próximo dia 25.

Denúncia de assédio moral
Depois de uma audiência pública realizada na tarde desta segunda-feira, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) decidiu encaminhar para o Ministério Público do Trabalho uma denúncia de assédio moral contra o maestro Roberto Minczuk. De acordo com o presidente da Comissão de Cultura da Alerj, Robson Leite (PT), o maestro, na companhia de seguranças armados, teria ameaçado integrantes da OSB Jovem com o objetivo de obrigá-los a substituir os instrumentistas demitidos na orquestra principal.
Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa da Fundação OSB negou as acusações e esclareceu que tanto os seguranças contratatos pelo teatro quanto os terceirizados não trabalham armados. A assessoria afirmou também que o maestro Minczuk está fora do país e não poderia conceder entrevista.

O Globo

Fundação OSB propõe novo acordo para tentar encerrar crise com músicos

Plantão | Publicada em 18/04/2011 às 21h39m
Catharina Wrede

RIO - A Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (Fosb) comunicou nesta segunda-feira, após reunião com seus conselheiros, sua proposta final de acordo para a crise que assombra a OSB. O documento foi uma resposta à contraproposta feita semana passada pelos músicos demitidos. Num dos sete tópicos apresentados, a instituição anunciou, conforme antecipara o colunista Ancelmo Gois em seu blog , o afastamento do maestro Roberto Minczuk da direção artística do Teatro Municipal, cargo que ele ocupava junto com a direção artística e a regência da OSB. No Rio, o maestro se dedicaria exclusivamente à OSB. Minczuk também é diretor artístico e maestro da Filarmônica de Calgary, no Canadá.

O documento não foi o que os músicos esperavam. Na contraproposta, os insurgentes haviam sugerido o desligamento de Minczuk da OSB. Outra medida comunicada pela fundação - e que desagradou aos músicos - foi a substituição das demissões por justa causa por suspensões de dois dias. Os instrumentistas defendiam o retorno à orquestra sem punições.

Na proposta da OSB, as avaliações de desempenho, que detonaram a crise, estão mantidas, só que em outros termos - acordados, segundo o documento, com os músicos numa reunião no último dia 8. Para retomarem suas funções, os músicos afastados por terem boicotado os testes terão que se submeter a uma avaliação em junho. A prova foi adaptada para um formato de música de câmara, em que os músicos formarão conjuntos e escolherão o repertório. Se aceitarem os termos, os demitidos serão reintegrados até 25 de abril.

Outro ponto do comunicado é a criação de um comitê artístico, de caráter consultivo, para auxiliar a direção artística. Além disso, os músicos da OSB Jovem voltarão a suas atividades regulares, concentrando-se nos Concertos da Juventude.

Globo.com

Segunda-feira, 18/04/2011

Deputados do Rio vão denunciar a Fundação da OSB por assédio moral



Numa audiência na Assembleia Legislativa, representantes da Comissão de Músicos do Estado do Rio pediram a readmissão de instrumentistas que foram mandados embora da OSB. Roberto Minksuk deixou o cargo de diretor-artístico do Theatro Municipal.

Rádio ALERJ

JusClip - Clipping de Notícias Jurídicas

Músicos da osb Denunciam Assédio Moral e Ameaça à Integridade Física

http://jusclip.com.br/musicos-da-osb-denunciam-assedio-moral-e-ameaca-a-integridade-fisica/
(texto de Maria Rita Manes)
18/04/2011

Denúncias de assédio moral e de ameaça à integridade física feitas pelos integrantes da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) Profissional e da OSB Jovem serão notificadas ao Ministério Público do Trabalho pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), presidida pelo deputado Robson Leite (PT).

“Descobrimos oficialmente que o maestro Roberto Minczuk também é diretor artístico do Theatro Municipal e isso é ilegal, pois se trata de uma questão de princípio republicano. Há uma violação de direitos do estatuto dos músicos e há dinheiro público federal aplicado na OSB que não sabemos como está sendo utilizado”, afirmou o petista, durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (18/04).

Ouça na Rádio Alerj: http://radioalerj.posterous.com/crise-na-osb-obriga-comissao-de-cultura-a-not
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), integrante da Frente Parlamentar de Cultura e Arte do Congresso Nacional, também participou da reunião. “O Congresso Nacional poderá fazer requerimentos para obter as informação necessárias e poderá ampliar as denúncias e atuar em parceria com o MP, para fazer com que mudem a gestão da orquestra e para que tenhamos mais transparência”, declarou a parlamentar.

A reunião do colegiado teve como intuito esclarecer a crise da OSB que já dura quatro meses. O ex-presidente da Comissão dos Músicos da orquestra, Luzer David, foi o primeiro a ser ouvido. “Nunca fomos contra a avaliação dos músicos, apenas somos contra a maneira como ela é feita. Em nenhum lugar do mundo – e isso sabemos porque entramos em contato com orquestras do mundo inteiro –, uma avaliação desse porte é feita em uma apresentação individual, por 30 minutos e na frente de uma banca internacional. A avaliação sempre é feita através da observação da integração diária na orquestra, vendo como cada um se dedica”, contou.
Após ouvir os relatos, Jandira Feghali leu o Estatuto do Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio e o contrato do maestro Roberto Minczuk – neste último, ela detectou irregularidades.

“O estatuto diz que qualquer demissão deve passar primeiro pela Comissão de Músicos da OSB e isso não aconteceu. O maestro não tem poder de pedir esse tipo de avaliação, sem contar que ele está assinando um atestado de incompetência a partir do momento que pede que seja feita uma avaliação da orquestra que ele mesmo rege há cinco anos. Isso significa que, se Minczuk não tem capacidade para avaliar os músicos em cinco anos, que dirá em 30 minutos”, completou a parlamentar.


Representante da Comissão dos Músicos da OSB Jovem, Ayram Nicodemo explicou o motivo da recusa da orquestra em se apresentar no concerto do último dia 9, quando os artistas se levantaram e foram embora. “Desde que tomamos ciência do quê acontecia com a orquestra profissional, ficamos abalados. A maioria dos demitidos tinha uma ligação grande com muitos de nós, por serem professores e amigos. Após semanas de debates na comissão, decidimos, no dia anterior ao concerto, que não iríamos nos apresentar. Tentei me explicar para o público, mas o microfone foi cortado. Mesmo assim, conseguimos divulgar nossa carta de desculpas”, explicou Ayran, que garantiu não ter sido coagido por nenhum dos músicos demitidos.
Nicodemo contou à comissão da Alerj que Minczuk “ia aos ensaios escoltado por seguranças armados”. “Um colega meu disse ter sido ameaçado por um dos seguranças do maestro somente por ter se aproximado da sala de Minczuk”, declarou Nicodemo, comentando o medo que os integrantes da OSB Jovem tinham do regente da orquestra. Para o deputado Robson Leite, os músicos, apesar de jovens e aprendizes, foram muito corajosos. “Eles colocaram em risco suas bolsas de estudos deles pelo bem-estar comum de toda a OSB”, ressaltou.

Estiveram presentes na audiência a presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, Débora Cheyne, e músicos integrantes da OSB Profissional e da OSB Jovem.

(texto de Maria Rita Manes)

Agência Brasil

Deputados estaduais discutem crise da OSB sem a presença de representantes da fundação que administra a orquestra

18/04/2011 - 19h25
Rio de Janeiro - Por decisão da diretoria da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (Fosb), a entidade não mandou nenhum representante à audiência pública promovida hoje (18) pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A audiência foi convocada para debater a crise que se instalou na Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) com a demissão de 33 músicos que não aceitaram se submeter à avaliação determinada pela direção da companhia.

O presidente da comissão, deputado Robson Leite (PT-RJ), disse à Agência Brasil que existem "indícios claros" de desrespeito aos direitos humanos e de assédio moral por parte da direção da orquestra. "A gente vai apurar isso também”, garantiu. Ele lamentou a “falta de consideração” da direção da orquestra, que não deu nenhuma justificativa para a ausência na audiência pública.
O parlamentar criticou a decisão de avaliar a competência técnica dos músicos da OSB. “É difícil de imaginar que um músico, com 30 anos de orquestra, tenha que fazer uma prova. Não entra na cabeça de ninguém. Se você quer fazer uma avaliação, que a faça de forma regular para aprimorar e melhorar a qualidade dos músicos. É diferente”.

A presidenta do Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (Sindmusi), Débora Cheyne, espera que haja conciliação entre a direção da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e os músicos da entidade.
Ela acredita que não há necessidade de submeter os músicos à avaliações de competência técnica porque eles passam por avaliações "diariamente, nos ensaios, e nas apresentações, pelo público".
A proposta do sindicato para reintegração dos músicos demitidos está sendo avaliada hoje (18) pelo conselho da Fundação OSB. Na audiência da Alerj, a presidenta do Sindmusi, que também integra a OSB, esclareceu que a avaliação de desempenho exigida pela direção da orquestra foi “a gota d’água” em um processo de desgaste com os músicos que já vinha ocorrendo há cinco ou seis anos.
A demissão dos músicos trouxe, segundo Débora, a interrupção do processo de criação e de maturação das peças que seriam apresentadas na temporada de 2011, que corre o risco de se cancelada por causa da crise.

Edição: Vinicius Doria

sábado, 16 de abril de 2011

Carta de apoio da MUSIMAGEM Brasil aos músicos da OSB

 

A MUSIMAGEM BRASIL - Associação Brasileira de Compositores de Música para Audiovisual- solidariza-se com os músicos da OSB –Orquestra Sinfônica Brasileira. As declarações e atitudes da FOSB - Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira -, e do maestro Roberto Minczuk são equivocadas, desrespeitosas e ferem a dignidade, não só dos músicos da OSB, como também dos integrantes da OSB Jovem. 

Os músicos da orquestra jovem, ainda em fase de aprendizado, foram levados a atender a interesses imediatistas , enquanto que músicos de carreira consolidada e respeitada, viram-se, da noite para o dia, e de forma casuística e oportunista, privados de sua principal atividade profissional.
 
A MUSIMAGEM BRASIL junta-se ao coro uníssono de artistas e entidades que levanta sua voz contra esta série lamentável e infindável de arbitrariedades, cometida contra profissionais que sempre estiveram dispostos e disponíveis para enfrentar todos os momentos difíceis pelos quais a orquestra já passou. Esperava-se do maestro e da FOSB que esta dedicação de décadas fosse recompensada com reconhecimento e agradecimento e não com desdém e descrédito público.
 
Nossa entidade, cujos membros sempre tiveram grande apreço e admiração pelos músicos da OSB, mantém a esperança de que a FOSB reavalie seus princípios e métodos.

 A MUSIMAGEM BRASIL acredita que o processo de avaliação da orquestra, almejando sempre um maior nível de qualidade, ocorre no dia-a-dia do trabalho do maestro com a orquestra que dirige. Se este convívio é feito de forma salutar, transparente, presente e séria, não há a menor necessidade de avaliações traumáticas, como esta proposta pelo maestro Minczuk e apoiada pela FOSB.

Os músicos da OSB Jovem, quando se negam a tocar sob pressão e constrangimento, não desrespeitam o público. Muito pelo contrário. O público é que está sendo desrespeitado, sendo privado de ouvir o elenco principal de uma orquestra, afastado de forma torpe e indigna de suas funções. Os jovens músicos que se negaram a tocar sob uma batuta tirana, merecem aplausos. Isso é ser coerente. Isso é ter dignidade.

O dia 9 de abril tornou-se histórico para a música brasileira e será lembrado como o “ Dia Internacional do direito do músico". Do direito de tocar, de ser respeitado, de ser avaliado com competência, de ter sua voz, e não só seu instrumento, ouvida.
 
Nós, que fazemos música para imagem, muitas vezes com a indispensável colaboração dos músicos da OSB, esperamos que a paisagem atual da música clássica carioca mude rapidamente. Que no lugar da arbitrariedade e da truculência, haja consideração e democracia.
 
Viva a OSB e viva o amor à música!
 
MUSIMAGEM Brasil

Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro

COMUS - Comissão de músicos, montadores e arquivistas da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo

Carta de solidariedade

Nós músicos, montadores e arquivistas da OSM-Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo repudiamos totalmente as avaliações de desempenho ocorridas na OSB-RJ. Manifestamos nossa total solidariedade e respeito aos nossos colegas músicos integrantes de uma das mais importantes instituições musicais do Brasil que é a Orquestra Sinfônica Brasileira.

Antonio Carlos de Mello pela
COMUS - Comissão de músicos, montadores e arquivistas da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo-SP
CRISE NA OSB FAZ COMISSÃO CONVIDAR MAESTRO E MÚSICOS PARA ENCONTRO

A Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), presidida pelo deputado Robson Leite (PT), realizará, nesta segunda-feira (18/04), às 14h, na sala 316 do Palácio Tiradentes, uma audiência pública para apurar as denúncias dos músicos de uma suposta “postura autoritária e anticultural” do maestro Roberto Minczuk, responsável pela Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). “A diversidade cultural e a democratização da cultura, assim como a necessidade de mais investimentos para o setor, foram temas destacados pelos presentes no encontro da Frente Parlamentar de Multiculturas, em Brasília. Por isso, quero, nesta audiência, ouvir todas as partes envolvidas e estudar as possibilidades de solução deste conflito aqui no estado, para termos maiores transparência e democratização na OSB”, disse o petista.
O maestro Minczuk e os músicos da orquestra foram convidados para a audiência.


Ouça na Rádio Alerj: http://radioalerj.posterous.com/crise-na-osb-mobiliza-comissao-de-cultura-da

Orquestra Filarmônica de Minas Geraes


Carta aberta aos Músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Nós, Músicos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, vimos por meio desta manifestar nossa solidariedade aos colegas da Orquestra Sinfônica Brasileira.
Somos favoráveis à busca da excelência artística e à conquista de melhorias, desde que alcançadas através do diálogo.
A OSB é uma Orquestra de grande tradição e importância em nosso país.
Esperamos que haja cordialidade na busca de uma solução para esta delicada circunstância em que ela se encontra.
Gostaríamos ainda de estender nosso carinho aos músicos da OSB jovem.
Estes jovens fazem parte do futuro do nosso país.Torcemos para que continuem acreditando na música.

Belo Horizonte, 14 de Abril de 2011.
Músicos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais


An Open Letter to the Musicians of “Orquestra Sinfônica Brasileira”.

The musicians of “Orquestra Filarmônica de Minas Gerais” hereby manifest solidarity to the colleagues from “Orquestra Sinfônica Brasileira”.
We support the pursuit of artistic excellence and the accomplishing of improvements as long as these are reached throughout dialogue.
OSB is an orchestra of great tradition and importance in our country and our orchestra hopes there will be cordiality in the efforts for a solution to this delicate circumstance which OSB is facing.
Still, expressing the wish to extend our affection to the “OSB Jovem” musicians, we hope they will keep believing in music. This young group is part of the future of our country. 
Sincerely,
Belo Horizonte, April 14th 2011.
The Musicians  from “Orquestra Filarmônica de Minas Gerais”. 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Globo - Rio

OSB: músicos demitidos elaboram contraproposta

Grupo diz estar insatizfeito com acordo
sugerido pela fundação


Catharina Wrede
(O Globo - Rio 15/04/2011)

Os 33 músicos demitidos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) por não terem comparecido às avaliações de desenpenho criadas pelo maestro Roberto Minczuk, elaboraram ontem uma contraproposta ao acordo sugerido pela Fundação OSB em reunião na última sexta-feira. O encontro, proposto pela instituição, tinha o intuito de abrir espaço para uma negociação entre as duas partes.

Déborah Cheyn, presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro e uma das musicistas demitidas por justa causa pela OSB, não quis revelar o conteúdo da contraproposta, mas explicou que ela é mais "abrangente" que a oferecida pela administração da orquestra.
  - Além disso, ela é melhor estruturada, mais clara e objetiva - defene Déborah.

De acordo com ela, a nova proposta foi enviada por e-mail ao presidente da Fundação OSB, Eleazar de Carvalho, com cópia para todos os membros do conselho curador.
Na última sexta-feira, a fundação propôs, segundo Déborah, a readmissão dos 33 músicos demitidos, com a condição de converter a justa causa em uma suspensão de três dias, além de Minczuk continuar no posto de regente titular e diretor artístico, e novas avaliações serem discutidas para junho.

A Fundação OSB tem reunião interna marcada para segunda-feira e deve debater as reinvidicações dos músicos

quinta-feira, 14 de abril de 2011

G1 - Pop & Arte

14/04/2011

Músicos demitidos da Orquestra Sinfônica Brasileira cancelam apresentação na manhã do último domingo (10), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro (Foto: Neco Varella/AE)Músicos demitidos elaboram contraproposta para voltar à OSB

Reivindicações serão encaminhadas ainda nesta quinta-feira (14).
Fundação ofereceu rever demissões e realização de avaliação em grupo.


Henrique Porto Do G1 RJ
 
Músicos demitidos da Orquestra Sinfônica
Brasileira cancelam apresentação na manhã do
último domingo (10), no Teatro Municipal do Rio de
Janeiro (Foto: Neco Varella/AE)
 
Músicos demitidos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) definiram nesta quinta-feira (14) uma contraproposta para serem reintegrados à OSB em reunião que terminou por volta das 12h30, realizada na sede do Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro (SindMusi), no Centro da cidade.
As reivindicações serão encaminhadas à Fundação OSB ainda na tarde desta quinta-feira (14). A diretora do sindicato, Déborah Cheynne, disse ao G1 que não poderia adiantar os termos da contraproposta, mas afirmou que ela esta mais "bem elaborada".

“Posso adiantar que esta é uma proposta que atende melhor à demanda dos músicos demitidos, bem como à dos instrumentistas que permanecem na orquestra", explicou Déborah, que também é musicista da OSB.
Na última semana, a fundação propôs, entre outros itens, a reintegração dos 33 músicos demitidos, com a condição de converter a justa causa em uma suspensão de três dias, além de submetê-los a uma nova avaliação em junho, desta vez em grupo.

"O acordo que nos foi apresentado pelo presidente da OSB, Eleazar de Carvalho Filho, simplesmente nos reconduz ao trabalho retirando apenas a justa causa, mas mantendo ainda com outras duas punições: uma advertência e uma suspensão de três dias. O que, a meu ver, não representa um retorno muito honroso”, explicou a presidente do Sindicato dos Músicos do Rio e integrante da orquestra.

Crise na orquestra

Os músicos foram afastados em março último depois de se recusarem a realizar avaliações individuais de desempenho propostas pela instituição.
Segundo a assessoria de imprensa da OSB, o exame acontece da seguinte forma: divididos por naipes (cordas, sopro, percussão, entre outros), os instrumentistas são identificados por um número e recebem o trecho de uma obra que faça parte do repertório fixo da orquestra nos últimos dois anos. A sequência é então executada sem que haja contato visual entre os músicos e os integrantes da banca examinadora.
“Não somos contra avaliação, pelo contrário. Só defendemos um tipo de teste necessário ao desempenho da nossa atividade. Um exame individual entre 25 e 30 minutos não avalia o desempenho do integrante de uma orquestra. Nossos músicos não são solistas. Inclusive um grande solista nem funciona dentro de uma orquestra. É como colocar Plácido Domingo para cantar em um coral. E ainda existem os fatores artísticos, que devem ser levados em consideração”, disse a musicista.

Além das propostas de rever as demissões e realizar avaliações em grupo, a oferta da OSB aos ex-integrantes inclui manutenção dos resultados dos músicos já avaliados; manutenção da OSB Jovem e a substituição dos músicos da OSB Jovem por instrumentistas profissionais da casa durante a agenda do primeiro semestre de 2011.

Saia-justa política
Mesmo com modificações na avaliação, entretanto, Deborah afirma que o grupo de músicos demitidos também quer o desligamento do maestro Roberto Minczuk, que também acumula o cargo de diretor artístico da instituição.
"É muito difícil de imaginar a convivência deste maestro com os músicos depois de toda essa confusão. Inclusive, muitos deles que fizeram a avaliação também se sentem incomodados com Minczuk. E é um absurdo ele ocupar dois cargos dentro da Fundação. Todas as decisões acabam sendo tomadas por ele, pois não existe diálogo com os músicos. A gente deixa de dialogar com dois setores", afirmou.
Por e-mail, presidente da Fundação OSB, Eleazar de Carvalho Filho, declarou lamentar "profundamente tudo o que vem acontecendo" e explicou os motivos pelos quais a instituição decidiu adotar novas avaliações.

"Desde o início, o propósito da Fundação OSB foi de elevar a qualidade artística da orquestra, para que ela alcance um nível de excelência internacional. Existe um projeto por trás das ações, elas não se sustentam isoladamente", disse Carvalho Filho, reforçando que as avaliações "serviram como mais um meio para que pudéssemos apurar o rendimento artístico do corpo orquestral, oferecendo um feedback individual a cada integrante".

O presidente da fundação destacou também que os testes foram feitos com peças que já faziam parte do repertório da OSB nas últimas temporadas e avaliados por integrantes de orquestras internacionais reconhecidos. "Nosso projeto maior é transformar a OSB na principal orquestra do país nos próximos anos, além de possibilitar a gravação de CDs e DVDs e a realização de turnês no exterior, entre outras ações", explicou, citando ainda a oferta de um aumento de 50% nos salários partir de julho. "Os músicos passam a receber entre R$ 9 mil e R$ 11 mil, um dos maiores salários da América Latina", disse.

Crise já dura quase cinco meses
A crise na Orquestra Sinfônica Brasileira teve início em janeiro deste ano, quando a Fundação OSB anunciou que os músicos passariam pelas tais avaliações. Alegando que já haviam feito teste semelhante para entrar na orquestra, os instrumentistas se colocaram contra a avaliação, mesmo depois de o repertório ter sofrido mudanças a pedidos. A Fundação não recuou, o que provocou o boicote da maior parte dos músicos às provas, que começeram no dia 10 de março.

Diante do impasse, um Programa de Demissão Voluntária foi oferecido pela instituição aos seus músicos entre os dias 24 de fevereiro e 2 de março de 2011. A iniciativa, aceita por apenas três integrantes, incluía verbas relativas à demissão sem justa causa (aviso prévio, multa de 40% do FGTS e saque do saldo do FGTS) além da continuidade dos salários e do plano de saúde até o final do mês de junho de 2011.
Uma reunião no Ministério do Trabalho no início de março foi marcada como tentativa de pôr fim ao imbróglio. Foi elaborado um novo PDV, mas os músicos o recusaram, o que acarretou a demissão por justa causda de 33 deles.

Apesar da resistência, as avaliações de desempenho, que ocorreram entre 10 e 21 de março, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), contaram com a participação de 35 músicos, que já estão de volta ao trabalho.
A crise ganhou repercussão internacional, que incluiu comentários de críticos, maestros e músicos clássicos na internet, quase sempre citando o maestro Minczuk como a causa maior do problema.
Depois das demissões em massa, artistas convidados da temporada 2011 da OSB cancelaram suas apresentações, como a bailarina Ana Botafogo e os pianistas Nelson Freire e Cristina Ortiz.

O episódio mais emblemático envolvendo o impasse entre a direção da OSB e seus músicos aconteceu no último sábado (9), durante o primeiro concerto da temporada 2011. A ocasião marcaria a apresentação da OSB Jovem no Theatro Municipal do Rio, mas um grande protesto, dentro e fora do local, fez com que o concerto fosse interrompido. Minczuk foi muito vaiado pelo público, os músico da OSB Jovem sairam do palco e o maestro teve que se retirar.
No e-mail enviado ao G1, o presidente da Fundação OSB disse que "mesmo com a manifestação ocorrida no início do concerto da OSB Jovem no sábado, de nossa parte os termos tratados estão mantidos”.