quarta-feira, 27 de junho de 2012

MOVIMENTO.COM - Leonardo Marques

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Ópera de Vivaldi recebe muito boa interpretação da OSB O&R.
  
Griselda, o terceiro título da Série Lírica da OSB Ópera & Repertório e o primeiro apresentado no Theatro Municipal, é uma ópera em três atos de Antonio Lucio Vivaldi, sobre libreto de Carlo Goldoni, com base em outro libreto escrito anteriormente por Apostolo Zeno para o compositor Antonio Maria Bononcini, por sua vez baseado no Decameron de Giovanni Boccaccio.

Estreada em 1735 no Teatro San Samuele na Veneza do compositor, a obra conta a história da pastora Griselda, que, anos antes do início da trama da ópera, casada com o rei Gualtiero da Sicilia, deu à luz Costanza.  O rei enviou sua filha para ser criada por Corrado, príncipe de Puglia.  Anos mais tarde, ao enfrentar uma rebelião dos sicilianos, Gualtiero é obrigado a renunciar a Griselda, tendo Costanza, cuja real identidade lhe é desconhecida, como sua nova prometida.  Após as reviravoltas de praxe, comovido com a fidelidade de Griselda, Gualtiero a aceita novamente por esposa, e dá Costanza em matrimônio a Roberto, a quem ela realmente ama.

A versão concerto apresentada pela OSB O&R nesta segunda-feira, 25 de junho, foi bastante satisfatória.  Numa noite inspirada, o bom maestro italiano Marco Pace soube empregar estilo à interpretação e tirar da orquestra de cordas um som bastante homogêneo (os metais, na sua curta participação, não estiveram à altura das cordas).

As partes solistas, bastante virtuosísticas, foram defendidas a contento por um elenco equilibrado e com condições técnicas de enfrentar bem a partitura.  A mezzosoprano Carolina Faria (Corrado) foi bem melhor em seu segundo solo, La rondinella amante, que no primeiro, Alle minacce di fiera belva.  Menos satisfatório foi o contratenor sírio Razek-François Bitar (Roberto), que defendeu quatro árias com emissão desigual.  Já o tenor sueco Johan Christensson esteve bem como Gualtiero, e demonstrou ótima agilidade, especialmente em sua primeira ária, Se ria procella.

A soprano Lys Nardotto, que será Gilda num dos elencos do Rigoletto que o Municipal monta no começo de julho, esteve no geral muito bem como Ottone, apesar de ter desafinado em dois ou três grandes saltos vocais.  A mezzo Luísa Francesconi, como de hábito, exibiu sua técnica precisa como a protagonista Griselda e tirou de letra seus quatro solos ao longo da noite.  Uma ótima surpresa foi a soprano Juliana Franco, que emprestou a Costanza sua bela voz de timbre cristalino e boa técnica.  Ainda que tenha escorregado aqui ou ali, a soprano demonstrou ter um grande potencial a lapidar.  A conferir futuramente.
A próxima ópera em concerto da Série Lírica da OSB O&R, em 10 de setembro, será a imperdível Ariadne em Naxos, de Richard Strauss, com Eliane Coelho no papel-título.