quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Luiz Paulo Horta

O GLOBO - CULTURA
No Municipal, ópera mostra novos valores

Festa de 80 anos da ABAL, que luta para manter o gênero vivo, sacudiu o público na segunda-feira

Luiz Paulo Horta
Publicado: 8/08/12 - 7h00
Atualizado: 8/08/12 - 7h00

RIO - Segunda-feira, no Teatro Municipal, a Orquestra Sinfônica Brasileira, em sua versão Ópera & Repertório, prestou uma justa homenagem à Associação Brasileira de Artistas Líricos (ABAL), que está comemorando 80 anos de vida. Fernando Bicudo, diretor da OSB e da ABAL, contou um pouco da história do que é a ópera no Brasil — pujante no Segundo Reinado; depois, com a República, dependente de pessoas como o empresário Walter Mocchi, que trazia companhias inteiras da Itália para apresentações no Rio e em Buenos Aires. Mocchi foi o responsável pela criação da ABAL, em 1932, contando com o apoio de grandes nomes do nosso canto lírico.

Oitenta anos depois, estamos precisando de um outro Walter Mocchi que sacuda a pasmaceira em que caiu a ópera no Rio de Janeiro. Enquanto ele não aparece, a ABAL faz um trabalho de formiguinha, realizando espetáculos em circunstâncias às vezes precárias. Mas é nesse contexto que se podem treinar valores novos, que estejam disponíveis quando os ventos se tornarem, finalmente, mais favoráveis.

Valores novos estiveram presentes na animadíssima noite de segunda-feira. O público de ópera (que existe) é paixão pura, e aplaudiu com entusiasmo algumas performances, como a da soprano Marina Considera, intérprete expressiva da “Casta Diva”. O barítono Leonardo Pascoa fez um exuberante Fígaro no “Largo al factotum”, e o ótimo tenor Jacques Rocha sacudiu a plateia cantando “Ah, mes amis”, de Donizetti.

A noitada também mostrou que a chamada OSB 2 tem um papel a desempenhar num tipo de repertório não coberto pela nossa vida de concertos. Entre os números de canto, ela apresentou boas versões de aberturas como a da “Norma”, do “Barbeiro de Sevilha” e do “Guilherme Tell”. A regência foi de Jésus Figueiredo.