terça-feira, 11 de setembro de 2012

MOVIMENTO.COM

"ARIADNE EM NAXOS" NO RIO:
AULA DE CANTO DA MAIOR DIVA BRASILEIRA
ariadne-600-2 









Escrito por Leonardo Marques em 11 set 2012 nas áreas Crítica
 

Eliane Coelho exibe em concerto sua voz generosa e única.

Nesta segunda-feira, 10 de setembro, a Orquestra Sinfônica Brasileira Ópera & Repertório (OSB O&R) apresentou em concerto Ariadne em Naxos, ópera de Richard Strauss sobre libreto de Hugo von Hofmannsthal, em uma dita versão original de 1912, quando a mesma ainda não possuía o prólogo que mais tarde o compositor inseriu em sua obra.

Escrevo “dita” porque, na verdade, o que me pareceu foi que a ópera teve apresentado o seu 1° e único ato (posterior ao prólogo) da versão definitiva, e não o ato único original de Strauss, que era um pouco diferente em relação à versão que vingou.  Pelo menos, é o que pude entender baseando-me no pouco material que encontrei a respeito da versão original da partitura.

Cabe destacar, de antemão, que uma das melhores propostas desta Série Lírica da OSB O&R consiste em unir no palco jovens promessas do canto brasileiro a artistas mais experientes.  Certamente, neste quinto concerto da Série, a proposta atingiu seu auge, porque é de se pensar e se imaginar como se sentiram jovens como Loren Vandal ou Nathalia Trigo no momento em que tiveram a oportunidade de ensaiar e se apresentar ao lado da maior cantora brasileira em atividade.  Essa união da juventude com a experiência só pode ser benéfica e, espero, frutífera e inspiradora.

Na apresentação desta segunda-feira, tudo começou pela orquestra, muito bem conduzida por Eugene Kohn, que dela tirou uma sonoridade rica e reluzente, com os naipes bem equilibrados, resultando, sem qualquer dúvida, na melhor performance a que pude assistir da OSB O&R, expressiva e bastante consistente ao interpretar a música nada fácil do gênio alemão.

Dentre os solistas, não comprometeram o tenor Ivan Jorgensen (Brighella) e o baixo Murilo Neves (Truffaldino).  O barítono Inácio de Nonno esteve correto como Arlequim, e muito bem esteve Ricardo Tuttmann como Scaramuccio, todos estes figuras representativas da Commedia dell’Arte.

Do trio de ninfas, destacaram-se a mezzosoprano Carolina Faria (Dríade), com uma voz quente e expressiva, que se adaptou muito bem à música de Strauss, e a jovem soprano Loren Vandal (Eco), que exibiu uma técnica refinada e parece trilhar pelos bons caminhos da voz – fiquemos de olhos e ouvidos abertos para ela.  Menos satisfatória foi a Náiade da soprano Nathalia Trigo, cujo instrumento ainda necessita de maior aprimoramento.

A soprano Juliana Franco oscilou como a espevitada Zerbinetta, alternando bons momentos com outros nem tanto, enquanto o tenor Juremir Vieira viveu um Baco no geral consistente.  Por fim, a soprano Eliane Coelho deu uma aula a quem a acompanhava.  Como de costume, dominou o palco, exibiu sua fantástica projeção, derramou sua técnica imaculada, alternou pianíssimos delicados com fortíssimos exuberantes, em momentos de enorme expressividade artística.  Se a Brünnhilde que interpretou há poucos dias em São Paulo foi excelente, mas não perfeita, sua Ariadne esbanjou perfeição e arte em nível superlativo.  Como todos sabem, a diva tem uma relação especial com Strauss, e sua Salomé é célebre mundo afora.

Depois deste ótimo e estimulante concerto, a próxima ópera da Série Lírica da OSB O&R será Il Pirata, de Bellini, em 1° de outubro.