terça-feira, 11 de setembro de 2012

MOVIMENTO.COM

MEIA "ARIADNE" JÁ FOI MUITO...

ariadne-600---1-OK 









Escrito por Marcus Góes em 11 set 2012

A obra, mais uma obra-prima do mestre, com libreto de Hugo von Hofmannsthal, foi criada com um prólogo e um ato em 1916 em Viena.

A OSB – ÓPERA e REPERTÓRIO, prosseguindo em sua brilhante trajetória, apresentou no dia 10/09 no TMRJ, em forma de concerto, uma parte, que na versão completa original é chamada comumente “a ópera”, de ARIADNE AUF NAXOS, de Richard Strauss (1864/1949).  Antes,a segunda parte havia sido encenada em 1912 em Stuttgart, e Strauss efetuou modificações nessa segunda parte para a criação da ópera completa em Viena. Não sabemos qual a versão da segunda parte ora apresentada. Alguns programas anunciam  a “versão de 1916”, o que nos leva a crer que seja a versão da segunda parte estreada em Viena. Outros, como o programinha distribuído no teatro, alegam a execução da “versão original de 1912”. Aceito informações.

Isto posto, e sem perda de tempo, digamos que o corpo e alma desta apresentação é o regente norte-americano Eugene Kohn, velho conhecido do TMRJ, no qual regeu edições memoráveis. Eugene conhece o métier como poucos, tem altíssima sensibilidade e conhecimento  musicais, ama o que faz e sabe comandar uma orquestra, cantores e instrumentistas. Faz ele MÚSICA com “m” maiúsculo, e não se limita a marcar o tempo. Foi enorme prazer para o público poder ver e ouvir a obra nas mãos musicalíssimas de Eugene Kohn.

A protagonista, soprano Eliane Coelho, livre das agruras de Abigaille e Bruenhilde, rendeu mais, apesar de alguns agudos gritados e discrepantes. Sua voz está cansada. Já a advertiram de que voz não dura sempre e, por não durar sempre, a voz de Eliane se apresenta por vezes áspera. Os italianos dizem que um cantor de ópera deve “finire in bellezza”, ou seja, sair de cena enquanto bem de voz e quando se apresentam os primeiros sinais de cansaço vocal. Não é isso que faz Eliane Coelho. Não são importantes aplausos do público. Este, segundo Nélson Rodrigues, aplaude até minuto de silêncio…

A Zerbinetta de Juliana Franco foi razoável, de voz pequena para o papel, além do mais  prejudicada pela péssima acústica do teatro. No entanto, essa artista se vem confirmando um dos sucessos da nova geração. O Baco de Juremir Vieira foi cantado com dignidade e boa projeção da voz. O papel fica aquém das possibilidades de Juremir, a ser aproveitado em maiores papeis.

O resto do elenco esteve todo ele bem. Nas mãos de Eugene Kohn, que foi também “maestro cocertatore”,e da miraculosa pianista e musicista Priscila Bomfim, que os ensaiaram, todos renderam a pleno contento, naturalmente uns mais e outros menos: Carolina Faria, voz redonda e bonita de meio-soprano, Nathalia Trigo, bom soprano, soprano Loren Vandal, Eco impecável, outro valor notável que surge na novíssima geração, Inácio de Nonno, barítono muito à vontade no papel que conhece bem, Ivan Jorgenssen, tenor de voz sadia, audível, expressiva, Murilo Neves, baixo que aqui se mostrou eficiente e agradável de se ouvir, e, por fim, o tenor Ricardo Tuttmann, de antiga tradição em atuações no TM, o qual sempre que sobe àquele palco é admirável artista e musicista.

Em suma, foi só meia ARIADNE AUF NAXOS, mas bastou. Melhor pouco e bom do que tudo e ruim.

HERR GOTT,DICH LOBEN WIR – BWV 16
MARCUS GÓES-SET/2012