terça-feira, 16 de outubro de 2012

Secretaria de Estado de Cultura - SEC

Ópera “Anjo Negro” será encenada no Parque Lage


15/10/2012 - 14:33h - Atualizado em 15/10/2012 - 16:07h

Récitas da montagem inédita no Rio serão nos dias 20 e 21 de outubro de 2012



No âmbito das comemorações do centenário de Nelson Rodrigues, a ópera Anjo Negro, de João Guilherme Ripper, baseada na peça homônima do dramaturgo, será encenada nos dias 20 e 21 de outubro, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Com direção cênica de André Heller-Lopes, o espetáculo fará sua estreia carioca interpretado pela OSB Ópera & Repertório, sob a regência do maestro Abel Rocha. A montagem é patrocinada pela Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

Ensaio da ópera Anjo Negro, no Parque Lage - Foto: Caru Ribero

Composta em 2003, quando foi apresentada pela primeira vez em São Paulo, a ópera ganha nova versão com mudanças na música e na parte cênica. Compositor e diretor tiveram que rever todo o trabalho original para a montagem no Rio. Acompanhada originalmente por um pequeno conjunto de câmara, a ópera agora terá uma orquestra. “Ampliei a orquestração e reescrevi boa parte da ópera. Tornei algumas cenas mais ágeis, porque a correspondência entre os tempos dramáticos do teatro e da ópera me incomodava na versão original. Além disso, nove anos após a estreia, minha linguagem musical e a compreensão do texto do Anjo Negro mudaram”, explica Ripper.

O mesmo amadurecimento artístico é defendido pelo diretor carioca André Heller. Ele acredita que esta será uma abordagem totalmente diferente da anterior, com uma nova visão, imposta também pela grandiosidade do espaço cênico: "O cenário, por assim dizer, está pronto. É um absoluto desafio para mim, Fábio Retti (luz) e Marcelo Marques (figurinos) sairmos de uma obra gigantesca como o Anel do Nibelungo e mergulharmos numa estética totalmente diferente. A ideia é explorar ao máximo a direção de atores e todo o espaço - inclusive a piscina".

Escrita em 1946, a peça Anjo Negro aborda questões como racismo, crime, estupro e incesto, misturando realismo com referências à mitologia e ao teatro grego. Ismael, médico negro, mantém Virgínia, sua esposa branca, confinada em casa. Os filhos que nascem acabam afogados em um tanque, mortos por Virginia por serem negros como o pai. No dia do último enterro, Virgínia aproveita a ausência do marido para levar ao seu quarto Elias, meio-irmão de Ismael, branco e cego, a fim de ter um filho que não fosse negro. Ao retornar à casa, Ismael é informado do que ocorreu pela tia de Virgínia, que a odeia e que a tudo assistiu. Ismael obriga Virgínia a atrair Elias e o mata.

Um corte temporal na peça leva a história a 16 anos depois, quando aparece Ana Maria, branca e cega, apaixonada por Ismael, que acredita ser seu pai e o único homem branco do mundo. Ismael, também envolvido com Ana Maria, constrói um mausoléu para trancar-se com ela e protegê-la do desejo dos outros homens. Antes de expulsar Virgínia de casa, dá à mulher a chance de contar a Ana Maria toda a verdade. Virgínia fracassa, mas consegue convencer Ismael de que seu amor e ódio são maiores do que este mundo. Ismael tranca Ana Maria sozinha no mausoléu. Virgínia e ele permanecerão juntos para sempre, gerando filhos negros que morrerão afogados no tanque.

No elenco da montagem carioca, que terá três atos e cinco cenas, estão os solistas Luisa Francesconi, no papel de Virgínia, Ruth Staerke, que interpreta a tia, David Marcondes como Ismael e Marcos Paulo, que vive Elias. Além deles, Dafne Boms, Michele Menezes, Maíra Lautert, Flavia Fernandes, Carolina Faria, Frederico de Oliveira, Fabrizio Claussen e Murilo Neves compõem o cast.

Sobre a OSB Ópera & Repertório:

A OSB Ópera & Repertório é um dos corpos artísticos da Fundação OSB. A orquestra tem foco em repertório lírico (em versão de concerto, ou seja, não encenado) e música de câmara. Os músicos apresentam, atualmente, duas séries: Lírica e Repertório. Para cada performance, há um regente convidado.

Ficha Técnica:
Música – João Guilherme Ripper
Diretor cênico/Diretor Artístico – André Heller-Lopes
Orquestra – OSB Ópera & Repertório
Regência – Abel Rocha
Cantores solistas:
(Virgínia) - Luisa Francesconi
(Tia) – Ruth Staerke
(Ismael) – David Marcondes
(Elias) – Marcos Paulo
Cantores:
(Ana Maria) - Dafne Boms e Michele Menezes (em datas alternadas)
(3 primas) - Maíra Lautert - Flavia Fernandes e Carolina Faria
(3 carregadores) - Frederico de Oliveira - Fabrizio Claussen e Murilo Neves
Figurinista – Marcelo Marques
Iluminador – Fabio Retti
Maquiador – Ulysses Rabelo
Projeto gráfico – Angélica Carvalho
Assessoria de imprensa – Érica Avelar
Assistente de direção/Direção de palco – Juliana Santos e Menelick de Carvalho
Direção de produção – Amanda Menezes
Produtores executivos – Juliana Cabral e Fernanda Soriano
Coordenação geral: Maria Angela Menezes
Produção e administração: Tema Eventos Culturais

Serviço:

Ópera Anjo Negro
Récitas dias 20 de outubro, às 20h, e 21 de outubro, às 19h (sábado e domingo)
Local: Escola de Artes Visuais do Parque Lage
Endereço: Rua Jardim Botânico, 414 – Jardim Botânico - RJ
Preço: R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia)
Venda de ingressos: no Parque Lage, 2 horas antes das apresentações
Informações: (21) 9638-1983 (das 12h às 18h)
Capacidade: 300 pessoas
Classificação etária: 16 anos