sábado, 17 de novembro de 2012

Jornal do Barsil - Maria Luiza Nobre

Sol maior

"A Filha do Regimento": esplendor no Theatro Municipal 

Jornal do Brasil Maria Luiza Nobre
Emoções fortes marcaram a estreia de A Filha do Regimento, de Gaetano Donizetti, apresentada no dia 14 deste novembro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A OSB Ópera & Repertório é, sem dúvida, a maior surpresa de 2012! Regida a quatro mãos por Fernando Bicudo e Pablo Castellar, é o sinônimo sempre de refinamento e sucesso! Sucesso de público, pois lota sempre tanto o Espaço Tom Jobim quanto o Theatro Municipal, e sucesso de qualidade artística. Seus integrantes são super experientes, viveram sempre no palco e sabem as surpresas nele existentes.

No caso da récita do dia 14, foi realmente completa por uma energia delirante, capitaneada pela mais nova diva do momento, a soprano Nino Machaidze, uma georgiana que se sentiu em casa no palco do Municipal e demonstrou, antes de tudo, ser excelente colega com todos que compartilhou o palco. Geralmente, quando um artista pisa no palco, já podemos saber o que vai acontecer, pois os carismáticos têm atitudes muito personalizadas e altamente apaixonantes e cerebrais ao mesmo tempo, porque cerebralismo está sempre junto com intuição, no sentido do grande trabalho.

A voz de Machaidze é tão maravilhosa quanto sua técnica. Jamais se imagina quando ela respira, tal é a naturalidade que faz o movimento de respiração. A flexibilidade da voz é imensa, ela lança a voz e sabe exatamente o que deseja fazer, dentro de uma sólida exibição de alto profissionalismo. Seus pianíssimos são angelicais e sua afinação já faz parte de sua natureza. Sua fisionomia de alegria ao ser ovacionada pela plateia se transforma subitamente para continuar a dar vida ao seu personagem, em uma total concentração, fato que poucos podem fazer. Uma diva, sem a menor dúvida, que precisa voltar mais vezes ao Rio.

Outra presença brilhante é a de Leonardo Páscoa, com uma voz muito bem projetada e cada vez mais reafirmando seu profissionalismo, o que não é mais surpresa, mas um fato. O tenor Jacques Rocha está brilhando, com um timbre belíssimo. Está a cada dia se superando e já é um nome promissor. Luzia Rohr esteve bem em seu papel, da mesma forma que o baixo Allan Souza, o também baixo Patrick Oliveira e Marcelo França. Parabéns ao Coro, da mesma forma que foi belíssima a atuação do maestro Francesco Maria Colombo, que contribuiu muito com o sucesso da noite.

 Emoções fortes foram as ovações ao violinista Michel Bessler, que fez um belo solo, reafirmando o talentoso músico que é, e também ao nosso régisseur Fernando Bicudo, que foi carinhosamente distinguido por Nino Machaidze quando a artista do palco visualizou Bicudo em uma frisa, e o teatro veio ao delírio. Delírio este que pode ser naturalmente traduzido como o agradecimento a um dos salvadores da ópera no Rio de Janeiro, sendo, portanto, um grande realizador, o que aliás está fazendo falta no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com o retorno da energia que não pode ser perdida no nosso maior templo da cidade.
O BRAVO da coluna a todos que fizeram o sucesso desta grande e inesquecível noite.