quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Último concerto da Série Lírica 2012 da OSB O&R

Marcos Portugal (1762 - 1830)
O OURO NÃO COMPRA O AMOR
de Marcos Portugal

Último concerto da Série Lírica da OSB Ópera & Repertório

comemoração pelos 250 anos de nascimento do mais importante compositor brasileiro do período Colonial e Imperial.

Dia 10 de dezembro, segunda-feira às 20h, Teatro Municipal do Rio de Janeiro




O regente:

Bruno Procopio faz parte de uma nova geração de cravistas merecedora de especial atenção. Sua trajetória exemplar e sua formação junto aos professores Pierre Hantai e Christophe Rousset, fazem dele um dos mais interessantes jovens talentos do atual mundo do cravo.
Bruno Procopio fundou na França o selo discográfico Paraty com o objetivo de criar uma nova dinâmica ao disco clássico. 
Já na sua primeira experiência discográfica, Bruno Procopio propôs uma versão inovadora das monumentais Partitas de J.S.Bach. Este disco foi muito bem acolhido pela crítica francesa, recebendo a classificação de 5 Diapasons. Foi também escolhido como um dos cinco melhores discos de música barroca do ano de 2004, pelos exigentes críticos da revista americana Fanfare. Seu disco dedicado às Sonatas para viola da gamba e cravo de J.S.Bach  recebeu o Choc du Monde de la Musique, uma das mais importantes recompensas discográficas em música clássica. O disco também recebeu a recompensa de 5 croches da Pizzicato, revista especializada de Luxemburgo. Bruno Procopio gravou um disco dedicado ao compositor francês François Couperin, esta gravação foi realizada em um cravo original do século XVIII (Collesse 1748, coleção de Laurent Soumagnac). 

O selo Paraty, dirigido pelo artista, lançou em novembro de 2009 a primeira gravação das obra « Matinas de Natal » escrita pelo luso-brasileiro Marcos Portugal em 1811, primeira obra do compositor escrita no Brasil. Esta gravação recebeu entre outras recompensas discográficas a classificação de 5 Diapasons da revista francesa. 
 Em 2013 Bruno Procopio lançará três discos; como solista gravou a Integral das Pièces de clavecin en concerts de Rameau, como maestro convidado, Bruno Procopio gravou a Missa Grande do Marcos Portugal com o coro francês L'Échelle e com a prestigiosa Simón Bolivar Youth Orchestra of Venezuela gravou Ballets e Aberturas de Operas de Rameau.
O selo discográfico Paraty recebeu a Victoire de la Musique classique de 2010, pelo melhor disco do ano na França, este importante prêmio foi entregue em uma cerimônia na televisão francesa France 3 (www.Paraty.fr).
Nascido em 1976 em Juiz de Fora (MG), começou seus estudos musicais no Rio de Janeiro com Marcelo Fagerlande e Pedro Persone. 
Em 1996 obteve a primeira colocação no concurso de entrada para o Conservatoire National Superieur de musique et danse de Paris (CNSMDP) nas classes de cravo do professor Christophe Rousset. Em junho de 2001 Bruno Procopio obteve dois Primeiros Prêmios no CNSM de Paris - em cravo e em música de câmara. 
Durante oito anos  teve aulas com o cravista Pierre Hantaï.
Bruno Procopio é regularmente convidado pelas Universidades : Universidad Católica do Chile, Universidad Simón Bolivar em Caracas e Universidade Federal do Rio de Janeiro, Unirio, para ministrar master-classes de cravo e música de câmara, atualmente Bruno Procopio é professor convidado do Conservatório Central de Pequim (China). 
Bruno Procopio regeu recentemente a orquestra do Teatro Amazonas, a orquestra da Universidade Católica do Chile , a Orquesta Sinfónica de Mérida (Venezuela) e a Orquesta Sinfónica Simón Bolívar de Venezuela. Em maio de 2013 fará uma tournée na Asia como maestro convidado em diversas formações.

O OURO NÃO COMPRA O AMOR

Elenco:


Bruno Procópio, regência
Gabriela Geluda, soprano | Lisetta
Marcos Paulo, tenor | Alberto
Homero Velho, barítono | Giorgio
Leonardo Páscoa, baixo-baritono | Pasquale
Aníbal Mancini, tenor | Cecchino
Andressa Inacio, mezzo-soprano | Dorina
Marianna Lima, soprano | Carlotta
Daniel Soren, baixo-baritono | Casalichio
Luiz Henrique Furiati,
Luiz Ricardo Lopes,
Victor Borborema, coro

O Compositor:Marcos Portugal (1762 - 1830) foi o primeiro compositor de Operas do Brasil, compôs mais de 40.
Teve uma dimensão internacional, sendo o diretor do Teatro San Carlos em Nápoles durante 7 anos (1800 à 1807). Primeiro compositor do Brasil Colonial e primeiro compositor do Brasil Império.
Compôs o primeiro Hino da Independência do Brasil, que ficou em vigor durante décadas.



 Pequena Sinopse da opera L'oro no compra amore:


O Barão Alberto de Moscabianca resolve namorar as donzelas dos seus terrenos. Com a ajuda do mestre de escola D. Casalicchio, que, desde que receba, está sempre às ordens, o Barão tenta seduzir as moças. Apesar dos respetivos namorados e familiares, oferecendo dinheiro tem algum sucesso. Em especial, seduz Lisetta, prometida de Giorgio. Apesar de suas próprias reservas, as protestações da sua família e as intenções de vingança contra ela da parte de Giorgio, Lisetta mantém uma certa ligação com o Barão até o momento que os credores deste vêm tomá-lo preso. Alberto percebe o seu erro, o seu dinheiro lhe é devolvido, Lisetta e Giorgio são reconciliados e toda a gente percebe que o Ouro não compra amor.

Sinopse grande, realizada para uma representação com cortes em 1953.


1) Qual foi a repercussão da opera L'oro na época? Quais foram os países que produziram esta opera no século 19?
Após a estreia em 1804, foi reposta em cena em Lisboa, no Teatro de S. Carlos, em 1810, sob a direção do compositor, e outra vez em 1825, a última encenação oitocentista conhecida. A sua grande popularidade internacional começa no Scala de Milão, em novembro de 1808, quando foi apresentado pela cantora Elisabetta Gafforini, para quem MP compôs a ópera em Lisboa. A partir desse ano, durante 15 anos consecutivos nunca deixa de ser representado nos teatros italianos.
No resto da Europa houve encenações em Paris (1815), Munique (1817), Madrid (1819) e Barcelona (1823);
No Rio de Janeiro, a 17 de dezembro de 1811 (no Teatro Régio, para o aniversário da rainha D. Maria I), provavelmente dirigido pelo compositor, e em agosto de 1817 (no Teatro de S. João).
Seria importante salientar que os anos de popularidade de L’oro non compra amore coincidiram com a ascensão de Rossini, e esta ópera foi uma das poucas de outros compositores que ainda mantinham a sua popularidade face à nova estrela.

2) Podemos dizer que Marcos Portugal é o elo que faltava entre Mozart et Rossini? Qual a importância da obra do MP para o bel canto?
Na visão do público em geral, Marcos Portugal pode ser visto assim, mas na verdade, nos anos que Marcos Portugal passou em Itália (entre 1792 e 1800) e nos anos que passou como diretor musical no Teatro de S. Carlos (1800-07), as óperas de Mozart eram quase desconhecidas fora do mundo germânico. Portanto, seria mais verdade dizer que constituiu um elo importante entre os compositores italianos do século XVIII, como Paisiello e Cimarosa, e o século XIX, especialmente a figura de Rossini.
O termo “bel canto” significa a “arte do bem cantar”, uma noção que vem sobretudo do barroco, e que se refere especialmente a um estilo altamente virtuosístico e uma técnica vocal extremamente ágil. Neste sentido, Marcos Portugal exemplifica bem este estilo, especialmente no que exige dos papéis de Lisetta e Giorgio.

3) Por que é importante para o Brasil produzir hoje uma ópera do 
Marcos Portugal?
Marcos Portugal não foi um compositor português mas sim um compositor luso-brasileiro. Nasceu português e faleceu brasileiro, tendo-se tornado cidadão brasileiro ao abrigo da primeira Constituição do Brasil, de 1824, pelo artigo 6.º § 4.º, onde consta:
[...] Título II (Dos Cidadãos Brazileiros), Artigo 6. Parágrafo 4º. Todos os nascidos em Portugal e suas Possessões, que sendo já residentes no Brazil na época em que se proclamou a Independência nas Províncias, onde habitavam, adheriram a esta expressa, ou tacitamente, pela continuação da sua residência. Marcos Portugal não só se tornou brasileiro, como compôs um Hino da Independência do Brasil, cantado nas comemorações do 7 de Setembro durante dezenas de anos.
Com a única exceção de Villa-Lobos, é o compositor brasileiro de música erudita mais divulgado internacionalmente, em todas as épocas juntas.
Uma parte muito significativa da música de Marcos Portugal é da qualidade de muitos dos melhores compositores do seu tempo, como se reconhecia no seu tempo pelo fato de as suas óperas terem sido ouvidas desde Londres até Corfu e desde S. Petersburgo até ao Rio de Janeiro, e o fato de algumas das suas obras religiosas se terem mantido no repertório continuamente em Portugal até às primeiras décadas do século XX.