quinta-feira, 9 de agosto de 2012

OSB Ópera & Repertório
no Espaço Tom Jobim 

Rossini, Wagner e Mozart no programa

Neste domingo, a OSB Ópera & Repertório retorna ao Espaço Tom Jobim pela Série Repertório, em concerto regido pelo Maestro Marcelo Ramos. No programa, além de obras de Rossini e Wagner, está a Sinfonia no. 39 de Wolfgang Amadeus Mozart. Ingressos já à venda nas bilheterias do local e pela ingresso.com.


Espaço Tom Jobim
OSB Ópera & Repertório
Marcelo Ramos, regência
GIOACHINO ROSSINI
Tancredi - Abertura
II Signor Bruschino - Abertura
RICHARD WAGNER
Idílio de Siegfried
WOLFGANG AMADEUS MOZART
Sinfonia n° 39 em Mi bemol maior, K 543

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Luiz Paulo Horta

O GLOBO - CULTURA
No Municipal, ópera mostra novos valores

Festa de 80 anos da ABAL, que luta para manter o gênero vivo, sacudiu o público na segunda-feira

Luiz Paulo Horta
Publicado: 8/08/12 - 7h00
Atualizado: 8/08/12 - 7h00

RIO - Segunda-feira, no Teatro Municipal, a Orquestra Sinfônica Brasileira, em sua versão Ópera & Repertório, prestou uma justa homenagem à Associação Brasileira de Artistas Líricos (ABAL), que está comemorando 80 anos de vida. Fernando Bicudo, diretor da OSB e da ABAL, contou um pouco da história do que é a ópera no Brasil — pujante no Segundo Reinado; depois, com a República, dependente de pessoas como o empresário Walter Mocchi, que trazia companhias inteiras da Itália para apresentações no Rio e em Buenos Aires. Mocchi foi o responsável pela criação da ABAL, em 1932, contando com o apoio de grandes nomes do nosso canto lírico.

Oitenta anos depois, estamos precisando de um outro Walter Mocchi que sacuda a pasmaceira em que caiu a ópera no Rio de Janeiro. Enquanto ele não aparece, a ABAL faz um trabalho de formiguinha, realizando espetáculos em circunstâncias às vezes precárias. Mas é nesse contexto que se podem treinar valores novos, que estejam disponíveis quando os ventos se tornarem, finalmente, mais favoráveis.

Valores novos estiveram presentes na animadíssima noite de segunda-feira. O público de ópera (que existe) é paixão pura, e aplaudiu com entusiasmo algumas performances, como a da soprano Marina Considera, intérprete expressiva da “Casta Diva”. O barítono Leonardo Pascoa fez um exuberante Fígaro no “Largo al factotum”, e o ótimo tenor Jacques Rocha sacudiu a plateia cantando “Ah, mes amis”, de Donizetti.

A noitada também mostrou que a chamada OSB 2 tem um papel a desempenhar num tipo de repertório não coberto pela nossa vida de concertos. Entre os números de canto, ela apresentou boas versões de aberturas como a da “Norma”, do “Barbeiro de Sevilha” e do “Guilherme Tell”. A regência foi de Jésus Figueiredo.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

MOVIMENTO.COM - Marcus Góes


O SONHO: OSB ÓPERA & REPERTÓRIO E CANTORES DO TMRJosb_or_movimento.com
Escrito por Marcus Góes em 7 ago 2012 nas áreas Crítica
 
Afinal de contas, crítico também é gente e se emociona como qualquer um.

A palavra mais própria para definir o que foi o concerto da OSB ÓPERA & REPERTÓRIO e cantores, no dia 06/08 no TMRJ, é “sonho”. É realmente um sonho ver e ouvir tantos cantores da nova geração reunidos em um só concerto, com a orquestra, sob a regência de Jésus Figueiredo em ótima forma, com ótimos cantores masculinos e principalmente com um quinteto excepcional de sopranos, em   atuações soberbas.

É muito pouco comum reunir nove cantores da nova geração em um só concerto, principalmente o  quinteto de sopranos composto por Loren Vandal, Juliana Franco, Lívia Dias, Paloma Lima e Marina Considera, todas fascinantemente no máximo do brilho, da musicalidade, da propriedade, do estilo e da beleza cênica e beleza “tout court”. “Je ne sais si je veille ou si je rêve encore.”, diria Werther.

O  barítono Leonardo Páscoa, em “Largo al factotum”, de “O barbeiro de Sevilha”, de Rossini, foi o que é: voz robusta, sólida, máscula, afinada, baritonal, de timbre agradável e de expressão cênica irrepreensível. Que mais se pode exigir de um barítono?

O baixo Pedro Olivero se apresentou em “La calunnia”, da mesma ópera. Voz também sólida e eficaz, bem aproveitada cenicamente. O muito jovem tenor Aníbal Mancini é um estilista e cantou muito bem a ária “Ecco ridente”, também de “O barbeiro de Sevilha” com extrema propriedade de “tenore di grazia”, voz bonita e afinada. Um jovem tenor do referido estilo, efetivo e capaz.

O tenor Jacques Rocha, que encerrou o programa, apresentou-se muito bem na pirotécnica ária “À mes amis”, de “A filha do regimento”, de Donizetti. Pirotecnia é com ele mesmo, e foi com prazer que o público ouviu todos aqueles dós superagudos.

O soprano Loren Vandal esteve admirável na cena “Regnava nel silenzio”, da “Lucia di Lamermoor”, de Donizetti. Voz ampla e de timbre por vezes mais escuro do que estamos acostumados a ouvir naquele trecho, esse fato tornou seu canto extremamente agradável, com os ornamentos e superagudos soberbamente refinados.

As palavras mais entusiásticas e entusiasmadas dos dicionários de música ou canto foram escritas para serem aplicadas ao soprano Lívia Dias. Na grande ária de “O pirata” de Bellini, Lívia excedeu, com voz própria, ora dramática, ora lírica, em um primor de alternações. A difícil peça parecia um brinquedo diante das habilidades e da beleza do canto de Lívia.

Mas muito mais, se mais houvesse ainda, ocorreu quando o soprano Paloma Lima cantou magníficamente  “Una voce poco fa”, do Barbeiro. Sua lindíssima voz de soprano lírico-ligeiro afrontou com inacreditável bravura as difíceis cadências, ornamentos e superagudos da peça, o que tornou sua atuação um verdadeiro primor.

O soprano Juliana Franco foi ponto altíssimo da noite de sonho. Cantando um trecho do final de “A filha do regimento”, de Donizetti, foi tudo que se pode querer de um soprano de seu registro ligeiro: canto elegantemente ligado, superagudos fáceis, timbre agradável, musicalidade, expressão. Mais um notável valor do canto lírico nacional a ser mais bem aproveitado.

O sonho  chegou a seu ponto de êxtase quando o maravilhoso e raro soprano Marina Considera cantou a cena “Casta Diva”, da “Norma”, de Bellini. Transfigurada na personagem, consseguiu a incomparável artista colocar lado a lado emoção e técnica na justa medida. Marina, que vi em versões reduzidas para canto e piano de “Norma” e “Maria Tudor”, de Gomes, é uma aparição, uma fulgurância na cena lírica mundial, a ser, como todos os seus colegas de concerto, aproveitada nos grandes palcos de ópera.

A orquestra esteve muito bem nas mãos de Jésus Figueiredo, tanto no acompanhamento dos cantores quanto nas aberturas do “Barbeiro de Sevilha”, “Norma” , “Guilherme Tell” e “A filha do regimento” que apresentou.

As observações acima não seguem a ordem do programa.
TÖNET,IHR PAUKEN !ERSCHALLET,TROMPETEN. BWV 214
MARCUS GÓES – AGOSTO 2012