domingo, 28 de outubro de 2012

 
28 de outubro de 2012
ALVARO SIVIERO
Música clássica decodificada

PABLO DE LEÓN: um spalla de spallas

http://blogs.estadao.com.br/alvaro-siviero/files/2012/10/Pablo-de-Le%C3%B3n-Carnegie-Hall.jpg

A foto acima, tirada durante um ensaio, provocou frisson no facebook: dezenas de comentários, “curtir” e compartilhamentos. Por que? É o que explico abaixo.

Em uma orquestra, cada um dos naipes de instrumentos (violoncelos, contrabaixos, trompas, violinos I, violinos II, etc) possui um chefe. Sim, uma orquestra é uma hierarquia. Este chefe de naipe é responsável pelo ajuste de sonoridade, pela coesão e até mesmo pelo bom relacionamento de seus integrantes, garantindo que boa música seja feita em seu “departamento”.  Houve casos, inclusive, em que chefes de naipe intercederam pela não demissão de um dos músicos sob seu comando. Fechando o modelo, surge também a figura do chefe dos chefes. É ele que vai chefiar toda a orquestra. Baseados em tradição musical de longa data, essa missão é confiada ao chefe dos violinos I e este receberá, por esta função, o nome de spalla (do italiano, ombro), devido ao fato de estar em uma posição que se encontra ao lado do ombro (esquerdo) do maestro.

A posição é cobiçada, talvez, mais por aqueles que enxergam neste serviço uma fonte de autopromoção e poder. Há spallas que conseguem destaque e convites, mais pela posição “política” que ocupam do que por outra coisa. Mas o spalla , independentemente das mazelas humanas, é o chefe de todos os chefes. Quando há alguma questão de cunho artístico ou administrativo que envolva toda a orquestra, é o spalla quem falará em nome dessa orquestra, funcionando como um fio condutor entre maestro e músicos.  A deferência a essa função, por sua importância, é incontestada: a própria orquestra em suas apresentações, a título de exemplo, permite que o spalla entre separadamente, após a entrada de todos os músicos, com aplausos exclusivos.

O spalla da orquestra acima é Pablo de León. E a orquestra acima – pasmem! – é a WOP – World Orchestra for Peace, formada somente por spallas, e detentora de um nível artístico de arrepiar, contendo em suas fileiras spallas de orquestras como a Filarmônica de Londres, Filarmônica de Viena, Orquestra de Paris, Israel, entre outras iconizadas. Isso mesmo: só feras! Pablo de León é o único spalla de uma orquestra brasileira chamado a participar do seleto e exigente grupo que faz música em promoção da paz. Violinista que pouco (ou nada) é comentado pela mídia, seu nome circula extensamente pela classe artística por seu prestígio profissional. Coube a ele ser, durante os concertos da WOP-2012 o spalla de spallas. Isso mesmo, foi Pablo de León quem comandou o grupo, sentando-se à frente do spalla da Orquestra de Paris (segunda cadeira) e à frente do spalla da Filarmônica de Viena (Rainer Kuchl, terceira cadeira, com Pablo na foto abaixo).



O reconhecimento crescente pelo trabalho deste violinista é inversamente proporcional ao deslumbramento imaturo que este prestígio poderia provocar. O sucesso parece não ter tomado conta dele. O conteúdo veiculado em uma entrevista concedida a este espaço revela um pouco do interior do músico (leia íntegra aqui).
Entrando em contato com Pablo, que retornará ao Brasil no próximo 31 de outubro, perguntei-lhe qual a emoção diante de uma situação de tamanho reconhecimento: ” Estrear no famoso palco do Carnegie Hall liderando um grupo formado pelos principais chefes de diversas orquestras do mundo é um privilégio para poucos. Confesso que ao entrar no palco senti uma grande responsabilidade e um enorme orgulho de representar o Brasil”. A apresentação ocorreu no último dia 19 de outubro, em NY, e no dia 21, no Symphony Center, em Chicago (foto abaixo), sob a regência de Valery Gergiev.

Em sua última edição, a Revista Veja destacou, em competente matéria assinada por Sérgio Martins, outro fato alentador: o violinista Luiz Filip (até então respeitado no restrito círculo artístico, mas igualmente desconhecido da mídia) conquista uma das cadeiras da lendária Filarmônica de Berlim. Um fato inédito, inusitado. Façanhas desta envergadura não acontecem com pó de pirilim-pim-pim. Estes artistas, já consagrados, merecem receber luz, visibilidade, mesmo que tardia. Fica a lição. Se o sol nasceu para todos – como diz o ditado – que um pouco de luz também incida sobre eles.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

ACORDES DE LACÍVIA E DESESPERO

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Escrito por Fabiano Gonçalves em 22 out 2012 nas áreas Crítica
 
A ópera Anjo Negro, de João Guilherme Ripper, com direção de André Heller-Lopes, tem estreia eletrizante no Rio de Janeiro.

As paredes do Parque Lage, palacete construído nos anos 1920 no Rio de Janeiro para o contralto Gabriella Besanzoni por seu marido Henrique Lage, acostumadas aos refinamentos do canto lírico, há tempos não acolhiam bemóis e sustenidos emitidos por vozes humanas. Na noite do dia 20 de outubro, o casarão foi cenário perfeito para a estreia carioca da ópera Anjo Negro, com música e libreto de João Guilherme Ripper, a partir da peça homônima de Nélson Rodrigues, cujo centenário de nascimento comemora-se em 2012.

Escrita em 1946, a peça de Nélson alcança uma grandiosidade trágica ao retratar o drama de Ismael, negro que não aceita sua raça, marido de Virgínia, mulher branca cujos filhos negros recém-nascidos sucessivamente morrem. Estupro, incesto, traição e volúpia em uma obra de tonalidades gregas transformam-se em matéria-prima essencial para um drama musical lírico. A tragédia rodrigueana, entretanto, está sempre a um passo do dramalhão piegas quando em mãos que não entendem sua dimensão trágica e cotidiana.

Quase uma década após sua estreia nacional, ocorrida em 2003, em São Paulo, a ópera de Ripper ganha nova versão, na qual o compositor enxuga sua duração e troca um grupo de instrumentos de câmara por uma orquestra – neste caso, a OSBrasileira Ópera & Repertório, sob a regência de Abel Rocha. “Reescrevi boa parte da ópera. Nove anos após a estreia, minha linguagem musical e a compreensão do texto da peça mudaram”, explica Ripper.

As mudanças foram acertadas. O libreto flui, conciso e preciso, respeitando as intenções do primeiro autor. Palavras e música imprimem ao espetáculo um desespero atávico e de proporções míticas. As emoções intensas dão também o tom da direção cênica de André Heller-Lopes, que elegante e inteligentemente explora a área em torno da piscina do Parque Lage, desenrolando ali o cerne da ação trágica. Colaboram ainda sobremaneira a iluminação de Fábio Retti e os (belos e expressivos) figurinos de Marcelo Marques.

As paredes de pedra, iluminadas ainda pela luz da lua, não escondiam as obsessões dos personagens, mas, antes, eram cenário que se aliava com total aderência a toda a concepção artística e musical, bem como ao excelente desempenho do time de cantores. Intérprete de voz expressiva, David Marcondes tem physique-du-rôle perfeito para o monumental Ismael, trágico como um Otelo de subúrbio. Ao seu lado, a talentosa Luísa Francesconi alcançou, em diversos momentos, a angústia doentia de Virgínia. Marcos Paulo criou um cego Elias de doçura e fragilidade, enquanto (no dia 20) Michele Menezes fez de sua Ana Maria uma jovem Electra perdida na escuridão. Merece ainda destaque pela imponente presença cênica a Tia interpretada por Ruth Staerke, acompanhada, como uma revoada de corvos, pelas filhas Flavia Fernandes, Maíra Lautert e Carolina Faria (que timbre!). Completaram o elenco Fabrizio Claussen, Murilo Neves e Frederico de Oliveira (este com trabalho corporal digno de nota).

A direção cênica bem elaborada, a regência precisa e o desempenho intenso da orquestra, a interpretação inspirada dos cantores, os figurinos primorosos, a expressiva luz – aliados à lua no alto, ao cenário perfeito, aos reflexos bruxuleantes da água da piscina – foram os ingredientes que coroaram à perfeição a requintada ópera de Ripper. São inesquecíveis momentos como o coro da maldição de Virgínia; a cena em que a protagonista alterna frivolidade e languidez para seduzir o cunhado cego; o terceiro ato, de grande variedade rítmica e beleza melódica, que culmina em um surpreendente e eletrizante final. Apesar de toda a tragédia da trama, resta, ao fim, a alegria de tantos talentos reunidos e levando aos palcos uma bela obra, originada do nosso mais importante dramaturgo. Que venham as outras dezesseis.

O GLOBO - Luiz Paulo Horta


sábado, 20 de outubro de 2012

O GLOBO - Segundo Caderno

UMA ÓPERA REVISTA E AMPLIADA

Insatisfeito com a versão que criou em 2003, João Guilherme Ripper estreia um novo 'Anjo Negro'

 Catharina Wrede

Nos últimos nove anos, o compositor João Guilherme Ripper padeceu da angústia de não ter realizado, na sua opinião, uma adaptação bem-feita de uma peça de teatro para ópera. O texto em questão é “Anjo negro”, obra de Nelson Rodrigues que Ripper transformou em ópera em 2003 e cujo resultado não fora satisfatório. Em junho agora, ele decidiu se debruçar, finalmente, sobre o antigo projeto e reescrevê-lo quase que por completo. Hoje, às 20h, o compositor estreia o espetáculo do jeito que queria, acompanhado pela OSB Ópera & Repertório, tendo o Parque Lage como cenário.


A ópera, no Parque Lage, terá orquestra
Foto: Camilla Maia / Agência O Globo
Readaptação. A ópera, no Parque Lage, terá orquestra


A ideia do projeto surgiu quando o diretor cênico da ópera, André Heller-Lopes, convidou Ripper para adaptar a peça de Nelson. A versão de “Anjo negro” feita em 2003 chegou a ser apresentada em São Paulo no mesmo ano, mas parou por aí.

 — Eu estava extremamente insatisfeito com a transposição do tempo dramático da peça para o tempo dramático da ópera. Na época, musiquei a peça inteira sem fazer libreto. Só que uma coisa é ler uma peça, outra coisa é cantá-la. Estava longuíssima — recorda Ripper. — Ao cortá-la, faltaram as ligações necessárias. Meu trabalho neste ano foi libretar o texto de Nelson. Criei algumas cenas e sintetizei outras. Modifiquei 80% da primeira versão.
Outra mudança importante que transforma, segundo o compositor, a versão atual é que em São Paulo Ripper contou apenas com um quinteto de cordas, piano e percussão. Hoje, ele conta com uma orquestra sinfônica. Quem rege a OSB O&R é o maestro Abel Rocha.

Escrita em 1946, “Anjo negro” aborda questões como racismo, estupro e incesto, misturando realismo com referências à mitologia e ao teatro gregos. A peça narra a história de Ismael (David Marcondes), médico negro que mantém Virgínia (Luisa Francesconi), sua esposa branca, confinada. Os filhos que nascem acabam sendo afogados por Virgínia em um tanque (o que faz do Parque Lage, com sua piscina, o cenário ideal), por serem negros como o pai. 

Num corte temporal, a história dá um salto de 16 anos quando surge Ana Maria, branca e cega, apaixonada por Ismael, que acredita ser seu pai e o único homem branco do mundo.
— Minha primeira reação foi negar o convite do André para adaptá-la. É uma peça pesada, dramática, que não combina com as outras óperas que já fiz — conta o compositor. — Mas repensei e me apaixonei pelo texto. Percebi que ele foi escrito nos moldes de uma tragédia grega perfeita, com um coro tradicional que comenta e acusa. Então, pude aproveitar isso. Mantive 70% do texto do Nelson e o resto criei.

Ripper é o compositor brasileiro de ópera mais produtivo da atualidade. Dos compositores contemporâneos de música de concerto, ele é o que tem mais óperas apresentadas. Com “Anjo negro”, contabiliza a marca de três óperas encenadas apenas neste ano (as outras foram “Piedade”, em abril, e “Domitila”, em julho).

— Como compositor e libretista, é um privilégio acompanhar os ensaios e poder ir afinando o espetáculo que criei à medida que ele vai sendo encenado, na minha frente — diz Ripper.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pablo de Leon

Carnegie Hall - Symphony Center

WORLD ORCHESTRA FOR PEACE

Tribute to the 100th birthday of Sir Georg Solti

Participação de Pablo de Leon
Spalla da OSB Ópera & Repertório 

Pablo de León Violino
Pablo de Leon














 19/10/2012 . 20:00 – 21:45
Carnegie Hall

881 Seventh Avenue at 57 street
New York

21/10/2012 . 13:15 – 15:00
Symphony Center
220 S. Michigan Ave
Chicago

O DIA - Guia Show & Lazer




terça-feira, 16 de outubro de 2012

Secretaria de Estado de Cultura - SEC

Ópera “Anjo Negro” será encenada no Parque Lage


15/10/2012 - 14:33h - Atualizado em 15/10/2012 - 16:07h

Récitas da montagem inédita no Rio serão nos dias 20 e 21 de outubro de 2012



No âmbito das comemorações do centenário de Nelson Rodrigues, a ópera Anjo Negro, de João Guilherme Ripper, baseada na peça homônima do dramaturgo, será encenada nos dias 20 e 21 de outubro, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Com direção cênica de André Heller-Lopes, o espetáculo fará sua estreia carioca interpretado pela OSB Ópera & Repertório, sob a regência do maestro Abel Rocha. A montagem é patrocinada pela Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro.

Ensaio da ópera Anjo Negro, no Parque Lage - Foto: Caru Ribero

Composta em 2003, quando foi apresentada pela primeira vez em São Paulo, a ópera ganha nova versão com mudanças na música e na parte cênica. Compositor e diretor tiveram que rever todo o trabalho original para a montagem no Rio. Acompanhada originalmente por um pequeno conjunto de câmara, a ópera agora terá uma orquestra. “Ampliei a orquestração e reescrevi boa parte da ópera. Tornei algumas cenas mais ágeis, porque a correspondência entre os tempos dramáticos do teatro e da ópera me incomodava na versão original. Além disso, nove anos após a estreia, minha linguagem musical e a compreensão do texto do Anjo Negro mudaram”, explica Ripper.

O mesmo amadurecimento artístico é defendido pelo diretor carioca André Heller. Ele acredita que esta será uma abordagem totalmente diferente da anterior, com uma nova visão, imposta também pela grandiosidade do espaço cênico: "O cenário, por assim dizer, está pronto. É um absoluto desafio para mim, Fábio Retti (luz) e Marcelo Marques (figurinos) sairmos de uma obra gigantesca como o Anel do Nibelungo e mergulharmos numa estética totalmente diferente. A ideia é explorar ao máximo a direção de atores e todo o espaço - inclusive a piscina".

Escrita em 1946, a peça Anjo Negro aborda questões como racismo, crime, estupro e incesto, misturando realismo com referências à mitologia e ao teatro grego. Ismael, médico negro, mantém Virgínia, sua esposa branca, confinada em casa. Os filhos que nascem acabam afogados em um tanque, mortos por Virginia por serem negros como o pai. No dia do último enterro, Virgínia aproveita a ausência do marido para levar ao seu quarto Elias, meio-irmão de Ismael, branco e cego, a fim de ter um filho que não fosse negro. Ao retornar à casa, Ismael é informado do que ocorreu pela tia de Virgínia, que a odeia e que a tudo assistiu. Ismael obriga Virgínia a atrair Elias e o mata.

Um corte temporal na peça leva a história a 16 anos depois, quando aparece Ana Maria, branca e cega, apaixonada por Ismael, que acredita ser seu pai e o único homem branco do mundo. Ismael, também envolvido com Ana Maria, constrói um mausoléu para trancar-se com ela e protegê-la do desejo dos outros homens. Antes de expulsar Virgínia de casa, dá à mulher a chance de contar a Ana Maria toda a verdade. Virgínia fracassa, mas consegue convencer Ismael de que seu amor e ódio são maiores do que este mundo. Ismael tranca Ana Maria sozinha no mausoléu. Virgínia e ele permanecerão juntos para sempre, gerando filhos negros que morrerão afogados no tanque.

No elenco da montagem carioca, que terá três atos e cinco cenas, estão os solistas Luisa Francesconi, no papel de Virgínia, Ruth Staerke, que interpreta a tia, David Marcondes como Ismael e Marcos Paulo, que vive Elias. Além deles, Dafne Boms, Michele Menezes, Maíra Lautert, Flavia Fernandes, Carolina Faria, Frederico de Oliveira, Fabrizio Claussen e Murilo Neves compõem o cast.

Sobre a OSB Ópera & Repertório:

A OSB Ópera & Repertório é um dos corpos artísticos da Fundação OSB. A orquestra tem foco em repertório lírico (em versão de concerto, ou seja, não encenado) e música de câmara. Os músicos apresentam, atualmente, duas séries: Lírica e Repertório. Para cada performance, há um regente convidado.

Ficha Técnica:
Música – João Guilherme Ripper
Diretor cênico/Diretor Artístico – André Heller-Lopes
Orquestra – OSB Ópera & Repertório
Regência – Abel Rocha
Cantores solistas:
(Virgínia) - Luisa Francesconi
(Tia) – Ruth Staerke
(Ismael) – David Marcondes
(Elias) – Marcos Paulo
Cantores:
(Ana Maria) - Dafne Boms e Michele Menezes (em datas alternadas)
(3 primas) - Maíra Lautert - Flavia Fernandes e Carolina Faria
(3 carregadores) - Frederico de Oliveira - Fabrizio Claussen e Murilo Neves
Figurinista – Marcelo Marques
Iluminador – Fabio Retti
Maquiador – Ulysses Rabelo
Projeto gráfico – Angélica Carvalho
Assessoria de imprensa – Érica Avelar
Assistente de direção/Direção de palco – Juliana Santos e Menelick de Carvalho
Direção de produção – Amanda Menezes
Produtores executivos – Juliana Cabral e Fernanda Soriano
Coordenação geral: Maria Angela Menezes
Produção e administração: Tema Eventos Culturais

Serviço:

Ópera Anjo Negro
Récitas dias 20 de outubro, às 20h, e 21 de outubro, às 19h (sábado e domingo)
Local: Escola de Artes Visuais do Parque Lage
Endereço: Rua Jardim Botânico, 414 – Jardim Botânico - RJ
Preço: R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia)
Venda de ingressos: no Parque Lage, 2 horas antes das apresentações
Informações: (21) 9638-1983 (das 12h às 18h)
Capacidade: 300 pessoas
Classificação etária: 16 anos

O GLOBO - Segundo Caderno

CLÁSSICO

LUIZ PAULO HORTA

Óperas

Baseada em peça homônima de Nelson Rodrigues, a ópera "Anjo Negro", de João Guilherme Ripper, será levada sábado (às 20h) e domingo (às 19h) no Parque Lage, com a OSB Ópera & Repertório e direção cênica de André Heller-Lopes. A obra é de 2003, quando foi apresentada pela primeira vez em São Paulo. Regência de Abel Rocha.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Movimento.com

il-pirata-600

Escrito por Leonardo Marques em 3 out 2012 nas áreas Crítica
Dois concertos e três grandes cantores encantam o Rio.

(...) No dia seguinte, 1° outubro, foi a vez de a Orquestra Sinfônica Brasileira Ópera & Repertório (OSB O&R) subir novamente ao palco do Municipal para prosseguir com sua Série Lírica, que ajuda a matar a forme de ópera do público carioca – fome esta que o Municipal está bem longe de saciar em sua temporada própria.
.
Ao contrário dos outros títulos da série, Il Pirata (O Pirata), ópera em dois atos de Vincenzo Bellini sobre libreto de Felice Romani, foi apresentada completa, inclusive com seus recitativos.  Se houve cortes (e um no primeiro ato certamente houve), foram aqueles de tradição, sem prejuízo ao entendimento da obra como um todo.  Baseada em Bertram, ou le Pirate, de Isidore J. S. Taylor, por sua vez inspirado na tragédia Bertram, or The Castle of Saint-Aldobrand, de Charles Maturin, a terceira ópera de Bellini, que foi a primeira a estrear no Teatro alla Scala, não é nenhuma obra-prima, ainda que já se possa nela perceber as sublimes melodias do compositor que se tornaria um dos pilares do bel canto.

O maestro italiano Tiziano Severini, com um gestual bastante singular, imprimiu estilo à OSB O&R, reforçada pela Banda dos Fuzileiros Navais, que interpretou com correção uma música aparentemente simples, mas que de fácil não tem nada em suas delicadas harmonias.  Destaque para o solo de corne inglês na cena final.  O Coro Ópera Brasil, que até onde sei foi arregimentado para a ocasião, preparado por Jésus Figueiredo, teve também um desempenho correto, em especial nas vozes graves masculinas.

Severini Hernandez 01 10 2012 29 crédito Cíc ero Rodrigues x 200 Alexander Nevsky e Il Pirata no Municipal RJ Posso estar enganado, mas à primeira vista tive a impressão de que os ensaios não foram suficientes para o entrosamento dos solistas, visto que mais de uma vez, nos números de conjunto, um cantor terminava sua parte antes do colega, ou seja, ora alguém esticava demais uma nota, ora outro encurtava a sua, causando uma sensação de desconforto a ouvidos habituados.
O tenor Ivan Jorgensen (Itulbo) e a soprano Maíra Lautert (Adele) estiveram bem.  Menos satisfatório esteve o baixo Frederico de Oliveira (Goffredo), que não pareceu tão à vontade, depois de ter se destacado na Tosca de 2011 aqui mesmo no Rio.  A seu favor, diga-se que o regente fez a orquestra tocar a tutta forza, sem pena, durante sua principal passagem no começo da ópera.  O barítono Igor Vieira alternou altos e baixos como o Duque Ernesto di Caldora.  Com adequados gestos e expressão facial convincente, sua voz oscilou, apresentando dificuldades especialmente nas passagens de agilidade.

O tenor Fernando Portari, que acaba de fazer um ótimo Pelléas em São Paulo, emprestou sua voz qualificada a Gualtiero, um nobre que se tornou pirata após ser banido de Caldora, e teve grandes momentos ao longo da noite, como no dueto com Imogene no primeiro ato, Tu siagurato! Ah! Fuggi; e em sua ária do segundo ato, Tu vedrai la sventurata.

Severini Hernandez 01 10 2012 10 crédito Cíc ero Rodrigues x 2001 Alexander Nevsky e Il Pirata no Municipal RJ
Fernando Portari e Saioa Hernandez
A soprano madrilenha Saioa Hernández deu vida a Imogene, que sempre amou Gualtiero mas, após o banimento deste, foi obrigada a se casar com Ernesto.  Dona de uma voz também qualificada, de belo timbre, ótimo volume e grande projeção em todos os registros de sua tessitura, a espanhola demonstrou ainda dotes de atriz em seus gestos e expressões.  Encantou e emocionou o público em passagens como o dueto acima citado e ainda em sua cavatina do primeiro ato, Lo sognai ferito, esangue; no dueto que evolui para terceto no segundo ato, Vieni: cerchiam pe’ mari; e na cena da loucura que encerra a ópera, Col sorriso d’innocenza.
Não posso encerrar sem dar o destaque máximo ao magnífico sexteto acompanhado de coro que encerrou o primeiro ato e recebeu belíssima interpretação de todos, em especial pela precisão dinâmica exigida pelo regente: Parlarti ancor per poco.

Foram, portanto, três belíssimas performances vocais em dois dias consecutivos no Municipal, além dos outros bons desempenhos acima descritos.  Pena que muita gente deixou de apreciá-los.  No caso do concerto do Municipal, porque, como já escrevi em outra oportunidade, com tanta mudança na programação, não há público que resista e consiga se programar com antecedência.

No caso da OSB O&R, um dos fatores talvez seja o dia dos concertos desta série (sempre às segundas-feiras), que não é dos mais procurados, sem falar que algumas pessoas foram embora no intervalo, talvez porque não soubessem que haveria uma segunda parte – no que, aliás, muito influencia o folderzinho simples distribuído ao público, que não é nem um pouco atrativo, apesar de gratuito.  Nem todo mundo faz questão de pegá-lo na entrada.

A próxima ópera em concerto da Série Lírica da OSB O&R será A Filha do Regimento, de Donizetti, em 12 de novembro, para a qual está anunciada a soprano Nino Machaidze na parte de Marie.  A conferir.

Jornal do Brasil - OSB O&R

 

Crítica:  “Il Pirata”, de V.Bellini. Maestro Tiziano Severini, a grande estrela 

Maria Luiza Nobre
Na apresentação de ontem, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, da OSB Ópera & Repertório, a grande estrela da noite foi sem dúvida o excelente maestro italiano Tiziano Severini. Nada seria tão positivo sem a sua presença. Ah! Experiência! A de trabalhar com um grande e tarimbado maestro sobretudo em ópera! Altamente requisitado em palcos internacionais, é um talento aliado a uma formação profissional verdadeiramente impecável, para qualquer montagem. É a base que tanto a orquestra quanto os artistas precisam para seus papéis, a confiança em ter um líder nato, atenciosíssimo nas entradas, passando, portanto, uma segurança total para cada integrante do espetáculo, com um texto mais do que encarnado e inspirador.

A orquestra fez uma lindíssima abertura da ópera, músicos muito concentrados, assim como os seis solistas. Duas estrelas com o mesmo nível internacional brilharam muito ontem: o tenor Fernando Portari, com sua voz linda, um timbre privilegiado mesmo, afinação impecável, um fraseado com grandes linhas, sem falar na sua técnica exuberante. É sem dúvida um dos grandes tenores brasileiros que sabe pisar em um palco, domina o papel e o palco, isso é definitivo. A segunda estrela é a soprano espanhola Saioa Hernández, aclamada e admirada por Montserrat Caballé como uma das grandes divas da atualidade. Na verdade é mesmo. Sua entrada no palco, com um lindo vestido vermelho, foi sem dúvida de grande diva. Suas marcações são perfeitas, transmitindo a certeza da sua performance divina, como realmente foi. Com sua voz preciosa, sem falar na técnica sofisticada, nos fez sonhar nos dois atos. Um dos pontos altos foi o diálogo de Imogene, o personagem a quem emprestou sua voz, com o Gualtiero de Portari. Outro diálogo belíssimo foi quando Imogene sugere o encontro em uma praia. Foi realmente sublime. A atenção era só para eles. Os dois artistas estavam nivelados tanto pela performance apresentada quanto pelo altíssimo nível internacional.

Outra presença brilhante foi o barítono Igor Vieira, que encarnou Ernesto. Realizou muito bem seu papel. Bravo também para o baixo Frederico de Oliveira, como Goffredo, e Ivan Jorgensen, como Itulbo, todos brasileiros. Destaque para a soprano brasileira Maira Lautert, como Adele. Esteve muito bem, tem intimidade com o palco e um timbre de voz muito bonito. A orquestra esteve em grande estilo e o Coro Ópera Brasil fez um trabalho espetacular, com gamas sonoras lindíssimas e vozes bem trabalhadas. Foi um ponto alto, sem dúvida. Aplausos também para a Banda dos Fuzileiros Navais, sempre bem presentes.
E o que fica de tudo isto é a certeza de que é imprescindível crescer com a energia dos grandes, isto é, um líder como o maestro Severini é o ponto de partida para o sucesso, porque sua experiência na regência, sobretudo de óperas, reflete na qualidade do desenvolvimento do trabalho, de ensaiar uma ópera, colocar tudo nos devidos lugares e, por fim, dar vida aos personagens, excitando mentalmente o elenco para tirar de todos o melhor.

A coluna a cada dia está certa de que é possível fazer bem espetáculos como os de ontem no Rio de Janeiro, que tem a coordenação mágica de nosso Fernando Bicudo, que sabe escolher as  figuras chaves  para o pleno sucesso de um espetáculo de grandíssimo nível. A experiência de Bicudo na realização da temporada de ópera do novo conjunto da OSB vem demonstrando que o Rio de Janeiro possui a personalidade chave do sucesso das apresentações do bel canto. Bicudo tem competência, conhecimento e imaginação. São suas qualidades  constantes, sendo nosso maior e mais competente régisseur.
A apresentação de Il Pirata, de Bellini, foi sem dúvida plena e extremamente maravilhosa.
O BRAVO total da coluna.

O Globo - Segundo Caderno

 
'IL PIRATA' OU A GLÓRIA DO
'BEL CANTO'
Ópera de Bellini reúne solistas de primeira e um tecido orquestral sofisticado
Ópera
Crítica
Il Pirata / Teatro Municipal
Cotação: Ótimo
Luiz Paulo Horta


A OSB Ópera & Repertório está cumprindo o que prometeu: arejar a temporada com obras que nunca são feitas por aqui - especialmente no terreno lírico. Assim tivemos segunda-feira, no Teatro Municipal, "Il Pirata", de Bellini, que soava como uma primeira audição. Era uma versão de concerto (sem a cena), mas os solistas estavam ótimos, e o maestro Tiziano Severini nos ofereceu um tecido orquestral que, sozinho, já valia a noite.
Vincenzo Bellini (1801- 1835) é um dos mestres do estilo "bel canto" - a ópera romântica italiana em que também brilharam Rossini e Donizetti.

Menos poderoso e inventivo que esses seus colegas, fazia - até fisicamente - a perfeição do estilo romântico: lânguido, bem vestido, tuberculoso. Não admira que, na Paris de 1830, tenha sido tão amigo de Chopin. Mais que isso: o seu maravilhoso "cantabile" é uma das fontes dos "noturnos" de Chopin. O próprio Verdi comentou, falando dele: "melodias longas, que ninguém ainda tinha escrito". É a definição da "Casta Diva".
O "Pirata" de segunda-feira não tem a força dramática da "Norma" (sua obra prima). Mas a linguagem aparentemente simples deixa passar uma emoção verdadeira, numa história arquirromântica.

A fase Rossini-Bellini-Donizetti supõe grandes vozes. São óperas feitas para a voz. Quando falamos nelas, vêm à mente nomes legendários: Malibran, Giuditta Pasta e os fabulosos "castrati". Segunda-feira, calçados num magnífico tecido orquestral, tínhamos a soprano Saioa Hernandez e o tenor Fernando Portari, além do bom barítono Igor Vieira. "La Hernanez tem esplêndido material vocal. Talvez lhe falte uma personalidade mais impositiva, daquelas que enchem o palco; mas quando ela subia (muito bem) para os agudos, levava a platéia ao delírio - o sempre apaixonado público de ópera. Portari entrou numa belíssima maturidade, voz generosa, musical, e está desenvolvendo o lado dramático, que não era o seu forte. Também tínhamos um coro muito bom, dialogando com os solistas. Assim vamos nos consolando um pouco de uma temporada de ópera que não disse a que veio. O Municipal pode estar repleto de bons programas; mas quando a ópera falta, que vazio!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sindicato dos Músicos RJ



Nota de Pesar


É com profundo Pesar que a diretoria do SindMusi - Sindicato dos Músicos do Estado do Rio Janeiro, comunica aos seus associados e à categoria dos músicos em geral o falecimento do chefe do Departamento Jurídico do sindicato, Dr. Ricardo Mendes Callado, na manhã desta terça-feira (02/10).
Dr. Callado, como era conhecido carinhosamente pelos músicos, morreu aos 52 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Ele se recuperava de um enfarte ocorrido recentemente.
Profissional exemplar e dedicado, Dr. Callado chegou ao SindMusi em 2009, assumindo a chefia do Departamento Jurídico. Profundo conhecedor do Direito do Trabalho, teve papel importante na reintegração dos músicos demitidos da Orquestra Sinfônica Brasileira, entre outras causas de interesse da categoria.
O SindMusi informará no decorrer do dia a hora e o local do velório, que ainda se encontram sendo definidos pela família. 

www.sindmusi.org.br

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Jornal do Brsil - Maria Luiza Nobre

 

OSB Ópera & Repertório estreia hoje ópera de Bellini no Brasil 

Jornal do Brasil - Maria Luiza Nobre
Hoje, às 20h, será a estreia brasileira da ópera O Pirata, de Vincenzo Bellini, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. E imaginem que a obra teve sua estreia  em outubro de 1827, em Milão. O evento será uma apresentação em forma de concerto com a OSB Ópera & Repertório e 12 músicos da Banda de Fuzileiros Navais. No palco estarão seis solistas e um maestro, todos excelentes profissionais, cada qual com carreiras distintas.

A temporada da OSB Ópera & Repertório é a grande surpresa do ano, com casas lotadas, tanto no espaço Tom Jobim quanto no Theatro Municipal, e apresentações minuciosamente produzidas, sucesso absoluto do grande Fernando Bicudo, atuando em duo com Pablo Castellar, ambos como diretores artísticos da OSB. É a festa que faltava na cidade, o bel canto presente, mesclando grandes solistas internacionais com o melhor da prata da casa, todos brilhando e fazendo música.

A grande soprano espanhola Saioa Hernandez será a sensação, e encarnará Imogene, que é o principal papel feminino. Saioa é considerada, por sua grande mentora a célebre soprano espanhola Montserrat Caballé, como a “diva do século”. Super atuante e talentosa, Hernandez já deu vida aos mais importantes personagens femininos do universo da ópera, cantando expressivamente tanto as “zarzuelas”  como sendo solista dos grandes oratórios.
O papel masculino principal, Gualtiero, terá vida pela voz de Fernando Portari, grande tenor brasileiro, que já pisou em palcos importantes como o Teatro alla Scala, em Milão, e o Teatro dell’Opera, em Roma. Portari é professor da Faculdade de Música da Universidade de Ribeirão Preto, sendo um dos mais atuantes tenores brasileiros na atualidade.
Também serão solistas o barítono Igor Vieira, no papel de Ernesto, o tenor Ivan Jorgensen, como Itulbo, o baixo Frederico de Oliveira, como Goffredo, e a soprano Eliane Lavigne, como Adele.

O regente será o maestro Tiziano Severini, que estudou violino e composição, além de ser grande especialista do bel canto, já tendo participado, inclusive, de importantes gravações de Ana Bolena e La Bohème, com Luciano Pavarotti e Mirella Freni. É um artista atuante nos teatros italianos, sendo nomeado diretor artístico do Teatro Comunale, em Treviso, e maestro da Orquestra Filarmônica de Veneto. Foi escolhido, em 2004, como diretor artístico da Orchestra Sinfônica del Friuli Venezia Giulia.

Monitor Mercantil - Diva do Século


O GLOBO - Segundo Caderno


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Segundo Caderno, 1 de outubro de 2012

Ópera
Mês começa com 'O pirata' no Municipal

Aos poucos, a temporada carioca de ópera vai ganhando espetáculos. Hoje, às 20h, no Teatro Municipal (2332-9191), é a vez de 'O pirata', composta em 1827 por Vincenzo Bellini, com o maestro Tiziano Severini regendo a OSB Ópera & Repertório. O elenco tem os solistas Igor Vieira, Fernando Portari, Ivan Jorgensen e Eliane Lavigne, e o coro será o da Banda dos Fuzileiros Navais.
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(*Correção do Blog)
- No elenco como (Imogene) 
 cantora espanhoa Saioa Hernandez , soprano
- Coro Ópera Brasil - maestro do coro Jésus Figueiredo
- Banda de cena dos Fuzileiros Navais