quinta-feira, 9 de maio de 2013

Próximo concerto OSB O&R

  Wolfgang Amadeus Mozart
     W. A. MOZART
 "O Rapto do Serralho"
  Ópera em versão concerto 
Theatro Municipal - Dia 16 de maio, quinta às 20h


Ana James, soprano | Constanze
Gregory Reinhart, baixo | Osmin
Ivan Maier, tenor | Belmonte
Lina Mendes, soprano | Blonde
Ivan Jorgensen
, tenor | Pedrillo
  
 
Regente: Alejo Perez

O argentino Alejo Pérez é um dos mais promissores regentes da nova geração. Trabalha regularmente com as principais orquestras, de seu país, a Orquestra Filarmonica de Buenos Aires e a Orquesta Sinfônica Nacional Argentina.No conservatório de Karlsruhe na Alemanha concluiu seus estudos de pós-graduação.
Na Opera Bastille em Paris, conduziu a ópera L'espace dernier de Matthias Pintscher. Em abril de 2005, liderou uma nova produção da ópera Pollicino de Hans Werner Henze na Ópera Nacional de Lyon.Durante as duas últimas temporadas, Alejo Pérez foi maestro assistente de Christoph von Dohnanyi no NDR Orquestra Sinfônica de Hamburgo. Na temporada de 2006/2007, Alejo Pérez fez a sua estreia com a Filarmónica Real de Estocolmo em um programa de obras de Mozart, Wagner e Henze, a Orquestra Filarmónica da Radio France ea Orquesta Sinfonica Nacional de Chile. Destaques da temporada 2007/2008 incluiu performances de Don Giovanni de Mozart em Frankfurt Opera, de Eötvös 'Lady Sarashina a Opéra National de Lyon, Satyricon de Maderna e Oresteia de Xenakis no Teatro Colón, bem como um concerto com a Academia de Orquestra da Filarmônica de Berlim.


 
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O Rapto do Serralho
Opereta em três atos
Libreto Gottlieb Stephanie filho, adaptado da peça Belmont und Constanze, de Christoph Friedrich Bretzner
Estreia: Burgtheater em 16 de Julho de 1782
 "O Rapto do Serralho" é uma opereta em três atos com libreto de Gottlieb Stephanie filho, adaptado da peça Belmont und Constanze, de Christoph Friedrich Bretzner que, segundo consta, não ficou nada satisfeito com essa adaptação.
A composição desta ópera coincide com um auge do Classicismo alemão: 1781 e 1782 são os anos em que surgem igualmente os Quartetos de cordas, op. 33 de Haydn, o drama Os Ladrões de Schiller e a Crítica da Razão Pura, de Immanuel Kant. No percurso biográfico de Mozart, o Serralho é a primeira ópera vienense do compositor, ele que se mudara para a capital imperial (e se livrara do arcebispo Colloredo...) em meados de Março de 1781. 

 Na data da estreia, ocorrida com imenso sucesso no Burgtheater a 16 de Julho de 1782, Mozart estava noivo de Constanze Weber, fato a que Mozart certamente não ficara indiferente ao tratar esta história. Para todos os efeitos, esta obra insere-se no intento manifestado por Mozart de se tornar conhecido em Viena e de se aproximar do imperador José II, cujas reformas teatrais de pendor nacional-germanizante tomadas no início do seu reinado (parcialmente revogadas em 1783) favoreceram precisamente o Singspiel, um género misto de teatro e música, e o elevaram efemeramente a género nacional alemão, com "direito" ao palco do "cortesão" Burgtheater. 

 Resumo:
A história é uma turquerie típica: duas ocidentais raptadas por piratas turcos são vendidas para um harém, sendo no final salvas pelos seus noivos graças à magnanimidade do Paxá. Um reflexo da moda que a temática turca adquirira em Viena após a confrontação militar entre Áustria e Império Otomano.
No primeiro acto, após o rapto, Constanze encontra-se no serralho do Paxá Selim. O seu noivo, Belmonte, cujo criado Pedrillo, foi capturado ao mesmo tempo que Constanze, introduziu-se no palácio fazendo-se passar por um arquitecto apesar da desconfiança de Osmin, guarda do Serralho.  

Então no Segundo Acto, enquanto que Belmonte suspira e Constanze repele os avanços de Selim, Pedrillo, que ama Blonde, a criada de Constanze, organiza o rapto e começa por embriagar Osmin. 

Assim chegamos ao terceiro acto. Ao sinal de Pedrillo, que tem tudo preparado, os prisioneiros fogem. Mas Osmin, já sóbrio, surpreende-os. Devem unicamente a vida à clemência de Selim, que liberta toda a gente, renunciando ao mesmo tempo a vingar-se do pai de Belmonte, que descobre ter sido outrora seu vencedor sem piedade.  

O tema, do "delicado e mal trado", convinha ao género popular do singspiel, ao qual não prometia nada de realmente novo. Mas Mozart, sem nada mudar às leis do género, dá vida aos fantoches desta comédia simplória, atribui-lhes as suas marcas, desperta as sensibilidades, aprofunda os maiores sentidos de cada um e revela toda a extensão do seu génio dramático. 

O trabalho de composição foi rápido: cinco meses. Parecia dedicar uma especial importância a esta obra, considerando-a como muito próxima do seu coração. Tal como nas suas duas óperas posteriores, o tema principal de "O Rapto do Serralho" é o amor e aí reencontramos os temas recorrentes da dramaturgia mozartiana: a clemência; a unidade do casal e até o pensamento da morte. O próprio Belmonte, apesar das suas lamentações, não é visto por Mozart como uma personagem de comédia - Ao descrever a Leopold Mozart a ária "O wie ängslich, o wie feurig!" Wolfgang Amadeus Mozart diz: "sente-se o temor, a irresolução; sente-se aí o peito inchado que se levanta e isto é expresso por um crescendo; ouve-se aí voz que acarinha, que suspira...";  

Quanto a Constanze pode-se também dizer que ela anuncia uma Pamina da Flauta mágica. Mozart identifica-a com Contanze Weber, com quem, como já dissemos, se casaria um mês depois da estreia de "O Rapto". Aliás, esta obra é, em muitos aspectos, como o seu casamento, um acto de liberdade - depois de se ter libertado de Salzburgo, libertava-se agora da tutela de seu pai - Uma ideia de liberdade que ainda é expressa por Blonde: "Uma rapariga que nasceu para a liberdade nunca se deixará tratar como uma escrava". E perante isto o ridículo Osmin fica atordoado e torna-se mais humano, quase comovente.