quinta-feira, 4 de julho de 2013

O GLOBO - Rio

Municipal apresenta óperas ‘Moema’ e ‘Jupyra’, com OSB O&R

  • Apesar de serem cantadas em italiano, as duas obras têm um DNA 100% brasileiro
Catharina Wrede 
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Maestro Silvio Viegas com os cinco solistas da ópera ‘Jupyra’ no Teatro Municipal Camilla Maia / O Globo

Maestro Silvio Viegas com os cinco solistas da ópera ‘Jupyra’ no Teatro Municipal
Foto: Camilla Maia / O GloboRIO — Duas índias ocuparão nesta quinta-feira o palco do Teatro Municipal. A Orquestra Sinfônica Brasileira Ópera & Repertório (OSB O&R) vai apresentar nesta quinta as óperas “Moema”, de Delgado de Carvalho, e “Jupyra”, de Francisco Braga. Na primeira — que inaugurou o Municipal, em 1909 — a personagem-título é consumida pela cólera de uma paixão febril e se mata para proteger seu amado, o europeu Paolo. A última vez em que a obra foi apresentada no local foi em 1962. Já Jupyra, que também dá nome à obra, mostrou pela primeira vez seu amor — e sua vingança passional — por Carlito em 1900, no extinto Theatro Lírico do Rio de Janeiro, nas comemorações dos 400 anos do descobrimento do Brasil.
Com regência de Silvio Viegas, “Moema” e “Jupyra” vão ser encenadas em forma de concerto pelos 44 músicos da OSB O&R. Esta é formada pelos dissidentes da OSB, que se insurgiram em 2011 e foram reincorporados à Fundação OSB em novo corpo orquestral. Apesar de serem cantadas em italiano, as duas obras têm um DNA 100% brasileiro.
— São duas óperas que têm uma relação muito forte com o Rio e com o momento histórico que o Brasil está vivendo — afirma Pablo Castellar, diretor artístico da OSB. — Existe uma vertente da cultura brasileira que explora muito o indianismo na busca por um herói, rompendo com mitos que ajudaram a criar uma nova identidade nacional. Isso representa a quebra de uma identidade romântica.
De acordo com Pablo, as duas obras foram resgatadas por conta da temática que conduz a temporada 2013 da OSB O&R: o casamento.
— São óperas que envolvem amor, traição...
A apresentação será dividida em dois atos, e a estrela da noite será a argentina Florencia Fabris. A soprano vai interpretar os papéis centrais das duas obras.
— Damos prioridade às vozes nacionais, mas também é importante valorizar os talentos latino-americanos — ressalta Pablo. — Florencia está se destacando.
O trabalho de resgate se dá também nas partituras: ambas foram reeditadas recentemente. A edição de “Moema” foi encomendada a Marcelo Ramos, maestro titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, que emprestou sua experiência em pesquisa musical para reavaliar pontos como erros de harmonia e dinâmica. Já as notações de “Jupyra” foram retrabalhadas há cerca de 15 anos pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

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