terça-feira, 28 de maio de 2013

DE ÓPERA E CONCERTOS - blog

OSB Ópera & Repertório apresenta repertório nacional na série Concertos da Juventude
CONCERTO, COM INGRESSOS A R$ 1, TERÁ A PRESENÇA DE MAIS DE 400 ALUNOS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO
No dia 2 de junho, domingo, às 11h, a OSB Ópera & Repertório realiza o segundo concerto da série Concertos da Juventude. Com um programa inteiramente nacional, a apresentação tem como tema “Brasil: da Inconfidência ao Planalto Central”, com obras de Tom Jobim, Carlos Gomes, Villa Lobos, Camargo Guarnieri e José Mauricio Nunes Garcia. A regência é do maestro convidado Roberto Duarte. Os ingressos custam R$ 1.
O concerto
A apresentação começa com o Hino Nacional. Na sequência, a orquestra executa uma das partes da “Sinfonia da Alvorada”, peça encomendada a Tom Jobim pelo presidente Juscelino Kubitschek. A próxima música, “Abertura em Ré”, foi composta pelo padre José Mauricio Nunes Garcia, o maior compositor brasileiro do período colonial. A primeira peça musicada de Carlos Gomes, “Se sa minga”, vem em seguida, sucedida pelo Prelúdio da Bachiana nº4, de Villa-Lobos. E para encerrar, a OSB Ópera & Repertório traz a Suíte Vila Rica, de Camargo Guarnieri – uma curiosidade: composta para o cinema, a sinfonia foi estreada pela OSB, regida pelo próprio compositor.
  O maestro
 
Roberto Duarte começou sua carreira internacional logo depois de ter sido laureado com o prêmio Serge Koussevitzky, no Concurso Internacional de Regência do Festival Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, em 1975. Tem regido importantes orquestras fora do Brasil, como a Orquestra de Câmara de Moscou, a Radio Suisse Romande, a Filarmônica de Ungarische, entre outras.
Roberto Duarte foi Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Orquestra Sinfônica do Paraná e da Orquestra Unisinos, no Rio Grande do Sul, e fundou a Orquestra do Theatro São Pedro, em São Paulo. Considerado um especialista na obra orquestral de Villa-Lobos, sob sua batuta, foram gravados na Europa vários CDs para o selo Marco Polo com obras do mestre. Com a Orquestra de Câmara Tommaso Traeta (por ele fundada, na Itália, em 1988), gravou obras inéditas do compositor italiano Comte de Saint Germain e do brasileiro Padre José Maurício Nunes Garcia.
Duarte recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) o prêmio de Melhor Regente do Ano de 1994 e 1997. Em novembro de 1996 recebeu do Governo Brasileiro, através da Fundação Nacional de Arte (Funarte), o Prêmio Nacional da Música, como regente. Em 2001 e 2010 recebeu o Prêmio Carlos Gomes por sua atuação no campo da ópera, como regente e revisor. Atualmente é membro da Academia Brasileira de Música.
A série Concertos da Juventude
Iniciada em 1943, a série “Concertos da Juventude” leva a música clássica para novos públicos, com o objetivo de democratizar o acesso a ela. São comemorados, em 2013, 70 anos da mais tradicional série de concertos do Rio de Janeiro. A cada apresentação, mais de 400 estudantes – a sua maioria da rede pública de ensino – são levados ao Theatro Municipal. Os alunos ganham transporte e lanche, e vão levar o que aprenderam para discussões em sala de aula. Entre cada número, o regente faz uma breve explanação sobre as obras.
Concertos da Juventude – Brasil: da Inconfidência ao Planalto Central
OSB Ópera & Repertório
Roberto Duarte, regência
Domingo, 2 de junho, às 11h, no Theatro Municipal
Programa:
F.M. Silva/O.D. Estrada - Hino Nacional
A.C. Jobim - Brasília (Sinfonia da Alvorada) – II. Homem
J. M. Nunes Garcia - Abertura em Ré
A.C. Gomes - Abertura "Se Sa Minga"
H. Villa Lobos - Bachianas Brasileiras nº 4 - Prelúdio
C. Guarnieri - Suíte Vila Rica
Serviço:
Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Praça Marechal Floriano s/nº, Centro
Informações do Theatro: (21) 2332‐9191/ 2332‐9005, a partir das 10h.
Classificação: Livre
Preços: R$ 1,00 (Vendas a partir das 10h do dia do concerto, exclusivamente na entrada frontal do Theatro Municipal)
Capacidade: 2237 lugares; 456 (plateia); 344 (balcão nobre); 406 (balcão superior); 94 (balcão lateral); 624 (galeria); 100 (galeria lateral); 132 (frisas); 69 (camarotes)
Acesso para cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção na entrada lateral do Theatro na Avenida Rio Branco.
Programação sujeita a alteração.

O GLOBO - Luiz Paulo Horta


segunda-feira, 27 de maio de 2013

O GLOBO - Ancelmo Gois



Apresentação no Parque Lage 

 'Sonho de uma noite...' no outono carioca A estreia da ópera "Sonho de uma noite de verão", quinta passada, seria cancelada caso chovesse. Mas a chuva parou um pouco antes do início, a ópera dirigida pelo carioca André Heller-Lopes foi encenada por três 3 horas e após a apresentação, já nos aplausos finais, caiu um aguaceiro.

No sábado, a produção da ópera, aberta ao público, teve que se virar para dar conta do plateia que compareceu ao local: em vez das 400 pessoas esperadas, surgiram 1.300 pessoas, que se acomodaram como puderam, sentadas na grama e na mureta do jardim do Parque Lage, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. Estimulada pela produção, teve gente fazendo piquenique, com direito a vinho, como fazem uns ingleses durante óperas ao ar livre no verão europeu.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O GLOBO - SONHO DE UMA NOITE NA MATA ATLÂNTICA

Ópera ‘Sonho de uma noite de verão’ é encenada no jardim do Parque Lage

  • Obra composta pelo inglês Benjamin Britten pede passagem à natureza em montagem dirigida por André Heller-Lopes
Desafio cênico. Ao ar livre, cantores da ópera competirão com a natureza do Parque Lage Foto: Leo Aversa/ Divulgação
Desafio cênico. Ao ar livre, cantores da ópera competirão com a natureza do Parque Lage Leo Aversa/ Divulgação
Rio - “Sonho de uma noite de verão”, do inglês Benjamin Britten (1913-1976), não poderia encontrar um lugar mais adequado para sua estreia do que a área verde do Parque Lage. O universo feérico da peça de Shakespeare, fielmente transposto por Britten, será encenado ao ar livre, a partir de hoje, às 20h, com reapresentação sábado, no mesmo horário, e domingo, às 17h. O projeto é ao mesmo tempo um prazer e um desafio para o diretor André Heller-Lopes e a orquestra da OSB Ópera & Repertório, regida pelo maestro Roberto Tibiriçá. Música, iluminação e cantores irão competir com as cores e os sons da Mata Atlântica, além de ficarem sujeitos a inúmeros imprevistos (se chover, o espetáculo de hoje à noite será transferido para amanhã). Mas também aproveitarão ao máximo os encantos da natureza. O espetáculo já havia sido executado dia 5 de abril, no Municipal, mas em versão de concerto, sem encenação e figurino, e em espaço fechado.

— Uma ópera ao ar livre, e ainda por cima num lugar como o Parque Lage, nos obriga a competir com muita informação, uma natureza exuberante — explica Heller-Lopes. — Como os atores têm um campo maior para se deslocar, ficando ao mesmo tempo muito próximos ou muito distantes dos espectadores, foi preciso usar cores mais fortes, em todos os sentidos: concepção, estética, tintas de comédia.
Gênero no limite
A proposta de fazer conviver ópera e natureza encantou a Fundação Britten-Pears e o British Council, que realizam o evento como parte das comemorações do centenário do compositor inglês. Contemplado pelo Britten 100 Awards, o projeto de Heller-Lopes faz a orquestra e todo o processo de encenação ficarem totalmente visíveis ao espectador. Com isso, ressalta ainda mais a metalinguagem e os jogos de representação da peça dentro da peça elaborada por Shakespeare, mas também as sutilezas da ópera de Britten, que conta com três atos de 50 minutos cada.

O diretor optou por fundir diversas épocas nos diferentes núcleos do espetáculo: os amantes Hermia e Helena se vestem como nos anos 1960 (quando a ópera estreou), os seres mágicos como na Inglaterra dos Tudor (época de Shakespeare), e os rústicos da “trupe amadora” com camisetas de times de futebol contemporâneos. Representadas pelo Coro de Crianças da OSB, as fadas usam lâmpadas de led em formato de borboleta.

— A ideia era que a ópera pedisse passagem à natureza — diz Heller-Lopes. — O Parque Lage é um lugar mágico: imagine cantar aos pés do Cristo! Claro que é muito mais difícil do que se fosse num espaço fechado, mas a ópera é um gênero que sempre está no limite: até dizer “bom dia, me passa a torrada” se faz cantando. Meu passado é como cantor, passei a vida fazendo ópera na rua, e acho uma tolice essa obrigação de que ópera tem que necessariamente ser vista em clima de velório, num silêncio absoluto. É uma celebração da arte, os espectadores estão na grama, vão participar, e quem quiser pode levar sua canga e fazer piquenique antes.

Quando trabalhava no Metropolitan Opera de Nova York, Heller-Lopes foi assistente de John Copley, diretor da montagem original de “Sonho de uma noite de verão”, que estreou em Londres em 1960. Hoje à frente da estreia brasileira, o diretor carioca ressalta a importância de escalar cantores nacionais no espetáculo:

— Temos que colocar em evidência o cantor brasileiro — afirma. — Em vez de trazer uma fulana internacional com nome estranho cuja única contribuição a mais é comer um vatapá e passar mal, o público vai ver um artista daqui, com uma carreira sólida.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/opera-sonho-de-uma-noite-de-verao-encenada-no-jardim-do-parque-lage-8469422#ixzz2U7cZVIKW
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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Agenda VivaMúsica - maio de 2013

                     OSB Ópera & Repertório
 
O centenário do compositor inglês Benjamin Britten é lembrado numa montagem da ópera “Sonho de uma noite de verão”, nos jardins do Parque Laje. 

 

domingo, 19 de maio de 2013

MOVIMENTO.COM

rapto-600
Escrito por Leonardo Marques em 19 mai 2013 nas áreas Crítica

NUMEROS MUSICAIS DE O RAPTO DO SERRALHO ENCANTAM O MUNICIPAL
Elenco equilibrado é o grande destaque da noite.
Nesta quinta-feira, 16 de maio, a Orquestra Sinfônica Brasileira Ópera & Repertório abriu a sua Série Ágata apresentando os números musicais de Die Entführung aus dem Serail (O Rapto do Serralho), Singspiel (gênero teatral alemão que mescla peças musicais com diálogos falados) em três atos de Wolfgang Amadeus Mozart, sobre libreto de Johann Gottlieb Stephanie, com base em outro libreto de Christoph Friedrich Bretzner.

É importante mencionar que praticamente todos os diálogos falados foram suprimidos, substituídos por brevíssimos resumos projetados na tabuleta das legendas.  Em casos assim, seria mais honesto acrescentar uma observação nos anúncios de divulgação, esclarecendo que não se trata da ópera em concerto, mas, sim, da apresentação dos números musicais da obra.  Tais números musicais tiveram sua ordem original alterada no segundo ato (apresentado, sem intervalo, logo depois do primeiro), quando as árias de Blonde e Pedrillo foram adiantadas e se interpuseram entre as duas grandes árias de Konstanze, provavelmente para dar fôlego à soprano, tendo em vista a supressão dos diálogos.

A peça conta a história do resgate de Konstanze (por acaso o mesmo nome da então futura esposa de Mozart) e seus criados Blonde e Pedrillo por parte de Belmonte, amado da protagonista.  Os três haviam sido capturados por piratas e vendidos como escravos ao Pachá Selim, que os mantém cativos em seu serralho (daí o título) – uma espécie de palácio turco, onde normalmente senhores importantes mantinham um harém.  Tal serralho é severamente vigiado pelo fiel Osmin, sem dúvida o personagem mais bem trabalhado da obra sob o aspecto psicológico.  A ópera começa com a chegada de Belmonte ao serralho para tentar efetuar o resgate.

A obra, estreada em Viena em julho de 1782, é considerada a primeira grande ópera cômica em estilo alemão, e antecede as três principais obras-primas cômicas do gênio de Salzburg: As Bodas de Fígaro, Don Giovanni e Così fan tutte.  Sob o aspecto musical, a obra possui grande valor, e o compositor alterna momentos de alegria e melancolia, bem como contrasta o canto mais sério de Belmonte e Konstanze àquele mais alegre e popular de Blonde e Pedrillo, sem esquecer a linha mais caricata e (por que não?) bufa de Osmin.  Muito interessante também é o contraste entre diferentes culturas, retratado especialmente no dueto entre Osmin e Blonde.

Na noite desta quinta-feira, a OSB O&R ofereceu uma sensível interpretação da partitura de Mozart, sob a regência correta do argentino Alejo Perez, ainda que alguns deslizes tenham sido notados.  Nada, no entanto, que prejudicasse uma noite musical de excelente nível.  Além dos cinco solistas vocais, mais quatro cantores, não identificados pela produção no programa de sala, contribuíram nas duas passagens do coro de janízaros – no primeiro ato (Singt dem grossen Bassa Lieder) e na cena derradeira (Bassa Selim lebe Lange).

O tenor Ivan Jorgensen (Pedrillo) esteve um degrau abaixo dos demais solistas.  Se cantou muito bem sua ária do segundo ato, Frisch zum Kampfe, Frisch zum Streite!, o mesmo não se pode dizer do dueto com Osmin no mesmo ato, Vivat Bacchus! Bacchus lebe!, onde lhe faltaram leveza e agilidade mais apurada.  O solista, se não brilhou, pelo menos não comprometeu nos demais números de conjunto.

Já o tenor argentino Ivan Maier deu muito boa conta da parte de Belmonte, cantando com excelente técnica e exibindo um belo timbre, bastante apropriado ao estilo mozartiano.  Todas as suas árias receberam interpretação destacada, especialmente as duas primeiras, Hier soll ich dich denn sehen e Konstanze, dich wiederzusehen, dich!

A soprano Lina Mendes foi uma excelente Blonde, cantando com graça, leveza, boa presença e, especialmente, técnica refinada.  Suas duas árias, Durch Zärtlichkeit und Schmeicheln e a exultante Leb wohl, guter Pedrillo!, foram lindamente interpretadas, deixando no ouvido uma vontade de “quero mais”.  Lina Mendes é uma das melhores cantoras da nova geração nacional, e merece especial atenção.

A soprano neozelandesa Ana James não ficou atrás e foi uma Konstanze ao mesmo tempo doce e sofrida.  Conquistou o público com interpretações notáveis de todos os seus três solos: Ach ich liebte, war so glücklich, com belas passagens de coloratura; e ainda as sentidas Traurigkeit ward mir zum Lose e Martern aller Arten.  A solista demonstrou técnica apurada, excelente afinação e uma ótima projeção.

O baixo norte-americano Gregory Reinhart, que nos últimos dois anos teve participação destacada nas produções de A Valquíria e O Crepúsculo dos Deuses no Theatro Municipal de São Paulo, deu vida ao rabugento Osmin.  O público carioca pôde, enfim, conferir o vozeirão do excelente cantor, ainda que seu instrumento, a meu ver, seja mais adequado para obras mais pesadas.  Mesmo assim, o artista se saiu muito bem em suas principais passagens, como as árias Solche hergelaufne Laffen e a triunfante O, wie Will ich triumphieren.  De forte presença, bastava o baixo se preparar para começar a cantar que o público já se empolgava.

Com tão bons solistas, os números de conjunto tiveram grande destaque, e dentre eles me agradaram especialmente duas passagens do segundo ato: o quarteto, iniciado por Konstanze, Ach, Belmonte! Ach, mein Leben!, e o dueto de Osmin e Blonde, Ich gehe, doch rate ich dir.  Foi uma bela noite de música no Municipal.

O próximo concerto da Série Ágata da OSB O&R está marcado para 4 de julho, quando serão interpretadas as óperas Jupyra, de Francisco Braga, e Moema, de Delgado de Carvalho, sob a regência de Sílvio Viegas.  Antes, em 14 de junho, o conjunto apresenta o segundo concerto da Série Ônix, com as obras A Morte de Cleópatra, de Berlioz, e A Voz Humana, de Poulenc.

Ainda o patrocínio da FOSB
O jornal O Globo de 11 de maio informa que a 26ª Jornada Mundial da Juventude, que será realizada de 23 a 28 de julho no Rio de Janeiro, custará R$ 118 milhões, sendo R$ 62 milhões pagos pelo governo federal, R$ 28 milhões pelo governo do estado e mais R$ 28 milhões pela prefeitura do Rio.  E o prefeito de frescura com os R$ 8 milhões da OSB!  Pelo menos ele voltou atrás.  Meno male.

terça-feira, 14 de maio de 2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013

MOZART - "O Rapto do Serralho"

A soprano Ana James
Ana James canta com a OSB Ópera & Repertório

Natural de Dunedin na Nova Zelândia, a soprano Ana James fará o papel de Constanze em "O Rapto do Serralho" na próxima quinta-feira, dia 16 de maio às 20h no Theatro Municipal do RJ.

A OSB Ópera & Repertório estreia a Série Ágata, recebendo também nomes como o baixo Gregory Reinhart e o regente Alejo Pérez.

"O Rapto do Serralho", de Mozart, será apresentada em versão de concerto. Os ingressos já estão à venda nas bilheterias ou pela ingresso.com.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Próximo concerto OSB O&R

  Wolfgang Amadeus Mozart
     W. A. MOZART
 "O Rapto do Serralho"
  Ópera em versão concerto 
Theatro Municipal - Dia 16 de maio, quinta às 20h


Ana James, soprano | Constanze
Gregory Reinhart, baixo | Osmin
Ivan Maier, tenor | Belmonte
Lina Mendes, soprano | Blonde
Ivan Jorgensen
, tenor | Pedrillo
  
 
Regente: Alejo Perez

O argentino Alejo Pérez é um dos mais promissores regentes da nova geração. Trabalha regularmente com as principais orquestras, de seu país, a Orquestra Filarmonica de Buenos Aires e a Orquesta Sinfônica Nacional Argentina.No conservatório de Karlsruhe na Alemanha concluiu seus estudos de pós-graduação.
Na Opera Bastille em Paris, conduziu a ópera L'espace dernier de Matthias Pintscher. Em abril de 2005, liderou uma nova produção da ópera Pollicino de Hans Werner Henze na Ópera Nacional de Lyon.Durante as duas últimas temporadas, Alejo Pérez foi maestro assistente de Christoph von Dohnanyi no NDR Orquestra Sinfônica de Hamburgo. Na temporada de 2006/2007, Alejo Pérez fez a sua estreia com a Filarmónica Real de Estocolmo em um programa de obras de Mozart, Wagner e Henze, a Orquestra Filarmónica da Radio France ea Orquesta Sinfonica Nacional de Chile. Destaques da temporada 2007/2008 incluiu performances de Don Giovanni de Mozart em Frankfurt Opera, de Eötvös 'Lady Sarashina a Opéra National de Lyon, Satyricon de Maderna e Oresteia de Xenakis no Teatro Colón, bem como um concerto com a Academia de Orquestra da Filarmônica de Berlim.


 
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O Rapto do Serralho
Opereta em três atos
Libreto Gottlieb Stephanie filho, adaptado da peça Belmont und Constanze, de Christoph Friedrich Bretzner
Estreia: Burgtheater em 16 de Julho de 1782
 "O Rapto do Serralho" é uma opereta em três atos com libreto de Gottlieb Stephanie filho, adaptado da peça Belmont und Constanze, de Christoph Friedrich Bretzner que, segundo consta, não ficou nada satisfeito com essa adaptação.
A composição desta ópera coincide com um auge do Classicismo alemão: 1781 e 1782 são os anos em que surgem igualmente os Quartetos de cordas, op. 33 de Haydn, o drama Os Ladrões de Schiller e a Crítica da Razão Pura, de Immanuel Kant. No percurso biográfico de Mozart, o Serralho é a primeira ópera vienense do compositor, ele que se mudara para a capital imperial (e se livrara do arcebispo Colloredo...) em meados de Março de 1781. 

 Na data da estreia, ocorrida com imenso sucesso no Burgtheater a 16 de Julho de 1782, Mozart estava noivo de Constanze Weber, fato a que Mozart certamente não ficara indiferente ao tratar esta história. Para todos os efeitos, esta obra insere-se no intento manifestado por Mozart de se tornar conhecido em Viena e de se aproximar do imperador José II, cujas reformas teatrais de pendor nacional-germanizante tomadas no início do seu reinado (parcialmente revogadas em 1783) favoreceram precisamente o Singspiel, um género misto de teatro e música, e o elevaram efemeramente a género nacional alemão, com "direito" ao palco do "cortesão" Burgtheater. 

 Resumo:
A história é uma turquerie típica: duas ocidentais raptadas por piratas turcos são vendidas para um harém, sendo no final salvas pelos seus noivos graças à magnanimidade do Paxá. Um reflexo da moda que a temática turca adquirira em Viena após a confrontação militar entre Áustria e Império Otomano.
No primeiro acto, após o rapto, Constanze encontra-se no serralho do Paxá Selim. O seu noivo, Belmonte, cujo criado Pedrillo, foi capturado ao mesmo tempo que Constanze, introduziu-se no palácio fazendo-se passar por um arquitecto apesar da desconfiança de Osmin, guarda do Serralho.  

Então no Segundo Acto, enquanto que Belmonte suspira e Constanze repele os avanços de Selim, Pedrillo, que ama Blonde, a criada de Constanze, organiza o rapto e começa por embriagar Osmin. 

Assim chegamos ao terceiro acto. Ao sinal de Pedrillo, que tem tudo preparado, os prisioneiros fogem. Mas Osmin, já sóbrio, surpreende-os. Devem unicamente a vida à clemência de Selim, que liberta toda a gente, renunciando ao mesmo tempo a vingar-se do pai de Belmonte, que descobre ter sido outrora seu vencedor sem piedade.  

O tema, do "delicado e mal trado", convinha ao género popular do singspiel, ao qual não prometia nada de realmente novo. Mas Mozart, sem nada mudar às leis do género, dá vida aos fantoches desta comédia simplória, atribui-lhes as suas marcas, desperta as sensibilidades, aprofunda os maiores sentidos de cada um e revela toda a extensão do seu génio dramático. 

O trabalho de composição foi rápido: cinco meses. Parecia dedicar uma especial importância a esta obra, considerando-a como muito próxima do seu coração. Tal como nas suas duas óperas posteriores, o tema principal de "O Rapto do Serralho" é o amor e aí reencontramos os temas recorrentes da dramaturgia mozartiana: a clemência; a unidade do casal e até o pensamento da morte. O próprio Belmonte, apesar das suas lamentações, não é visto por Mozart como uma personagem de comédia - Ao descrever a Leopold Mozart a ária "O wie ängslich, o wie feurig!" Wolfgang Amadeus Mozart diz: "sente-se o temor, a irresolução; sente-se aí o peito inchado que se levanta e isto é expresso por um crescendo; ouve-se aí voz que acarinha, que suspira...";  

Quanto a Constanze pode-se também dizer que ela anuncia uma Pamina da Flauta mágica. Mozart identifica-a com Contanze Weber, com quem, como já dissemos, se casaria um mês depois da estreia de "O Rapto". Aliás, esta obra é, em muitos aspectos, como o seu casamento, um acto de liberdade - depois de se ter libertado de Salzburgo, libertava-se agora da tutela de seu pai - Uma ideia de liberdade que ainda é expressa por Blonde: "Uma rapariga que nasceu para a liberdade nunca se deixará tratar como uma escrava". E perante isto o ridículo Osmin fica atordoado e torna-se mais humano, quase comovente.