terça-feira, 26 de novembro de 2013

O Globo - Segundo Caderno


Série Ônix

 OSB Ópera & Repertório

IGOR STRAVINSKY
A carreira do libertino (The Rake's Progress)
 
No dia 29 de novembro, às 20h no Teatro Municipal, a OSB Ópera & Repertório encerra a Série Ônix em 2013 apresentando a ópera ao lado de um renomado elenco, que traz a soprano cubana Elizabeth Caballero e o tenor Emilio Pons, sob a regência de Jamil Maluf. 
 
 
 
 
Elizabeth Caballero estreia com a OSB Ópera & Repertório 
 
Escrita por Igor Stravinsky em 1951, a ópera A carreira do libertino foi inspirada em gravuras do artista inglês William Hogarth e conta a decadência do jovem Tom que, persuadido pela figura demoníaca de Nick Shadow, abandona sua noiva Anne Trulove, passa por bordéis e hospícios e chega a se casar com uma mulher barbada do circo. A música moderna de Stravinsky percorre, nesta obra, formas líricas típicas do século XVIII.
 
 
Jamil Maluf, regência
Emilio Pons, tenor | Tom Rakewell
Elizabeth Caballero, soprano | Anne Trulove
Homero Velho, barítono | Nick Shadow
Carolina Faria, mezzo-soprano | Mother Goose | Baba the Turk
Murilo Neves, baixo | Trulove | Keeper of the Madhouse
Wladimir Cabanas, tenor | Sellem
Coro

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

IV Concurso Jovens Solistas OSMG



Parabéns Priscila Plata Rato, vencedora do IV Concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.
Dia 6 de dezembro irá tocar o concerto de Tchaikovsky sob a regência de Roberto Tibiriçá.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Movimento.com

osb-600
Escrito por em 5 nov 2013 nas áreas Crítica
 
Óperas curtas de Wolf-Ferrari e Bernstein dão ótimo concerto da OSB – O&R.

Um Theatro Municipal semivazio em função de manifestações no Centro do Rio recebeu, na noite de 31 de outubro, a Orquestra Sinfônica Brasileira – Ópera & Repertório, regida por Abel Rocha, para mais um concerto da série Ágata. Um dos maiores acertos dessa série da OSB – O&R é o resgate de obras menos conhecidas do grande público. No caso desta récita, compunham o programa duas óperas de curta duração: O Segredo de Susanna, de Ermanno Wolf-Ferrari, e Trouble in Tahiti, de Leonard Bernstein. As obras apresentam aspectos da condição feminina (de submissão) em diferentes momentos da História – em 1909 e em 1952, respectivamente os anos das estreias das duas peças (leia mais aqui).

A música do veneziano Wolf-Ferrari foi a primeira a ser ouvida. A abertura de O Segredo de Susanna resume seu espírito leve e bem-humorado, em vivacissimo. O enredo é um imbróglio causado pelo cigarro: o ciumento Conde Gil acredita ter visto a esposa Susanna caminhando sozinha pela rua – inconcebível! E mais: ela recende a tabaco, um indicativo de que a infiel estaria com um amante. Mal sabe ele que a própria esposa é quem fuma. Depois de muitas discussões, Susanna é pega com um cigarro aceso nas mãos e revela-se, então, seu segredo. A ópera termina com juras de amor, entre baforadas de um cigarro fumado a dois.

Dois ótimos intérpretes encarnam o casal esfumaçado: Mirna Rubim, com sua voz educada e agradável de soprano, interpreta Susanna, fazendo par com o barítono Igor Vieira, cantor de timbre potente e jovial, na pele do Conde. Ambos trazem à cena ainda uma ótima característica: atuam, física e vocalmente, com vigor e entrega, impregnando de graça e verdade seus personagens e colorindo a cena com todo o humor existente na partitura. A OSB – O&R, conduzida por Rocha, trabalha discreta e eficientemente, guiando a música com uma graciosidade tipicamente belle époque, existente, por exemplo, em obras-irmãs do período como A Viúva Alegre, de F. Léhar.

Suburbanos corações

Apenas um breve intervalo antecedeu a récita da segunda obra da noite: Trouble in Tahiti, escrita pelo maestro norte-americano Leonard Bernstein poucos anos antes de suas mais conhecidas peças: Candide (1956) e West Side Story (1957). A história de Trouble in Tahiti é tchekoviana: pouca coisa ocorre no dia do casal de classe média Dinah e Sam além de discussões e desconforto com a vidinha medíocre na qual estão imersos até o pescoço.

O pano se abre com um trio cantando, como um grupo vocal de rádio dos anos 1950, o dia a dia no subúrbio. A influência jazzística e a atmosfera de rádio não foram totalmente alcançadas nessa primeira cena, com o coro (composto pelos cantores Lara Cavalcanti, soprano; Geilson Santos, tenor; e Vinícius Atique, barítono – jovens artistas cujo talento é notório) e orquestra em ligeiro descompasso. O desconforto prosseguiu na primeira cena, com a orquestra cobrindo os protagonistas Mirna e Vieira (este um pouco menos), cujas partes compõem-se de muitos trechos recitados em região média.

Já mais à vontade na cena seguinte, o grupo de cantores cresceu no palco e revelou o conhecido talento. O trio do rádio atua com mais brilho e os protagonistas alcançam transmitir o clima de angústia e o peso da massacrante rotina medíocre da classe média suburbana dos EUA naqueles anos dourados. Mirna é pungente na ária I was standing in a garden, no qual revela, ainda que inconscientemente, a tristeza das esperanças empoeiradas. O lirismo cinzento continua no dueto que se segue, no qual marido e mulher refletem separadamente sobre tantos sentimentos esmaecidos – a música acompanha o desencontro no qual o casal vive, intercalando as frases dos personagens. Com o mesmo fulgor, Vieira brilha na marcante ária There’s a law.

A OSB – O&R dá à partitura de Bernstein o colorido exato, executando de maneira acertada a riqueza harmônica e rítmica. Maestro e coro dançam, com graça, na cena em que Dinah conta o filme que viu em sua tarde vazia (cujo título dá nome à ópera) – momento em que a atuação de Mirna é hipnótica. O esgarçar daquele relacionamento caminha até a discussão final, na qual o tema musical do escapismo fantasioso do filme visto na matinê (Island Magic) se alterna com a dolorida ária final da aprisionada dona de casa: Is there a garden. Tanto atmosfera como letra (“is there a day or night waiting for us somewhere?”) trazem ecos da belíssima Somewhere, canção icônica do musical West Side Story.

Nesta Rosa Púrpura do Cairo operística dos anos 1950, mais uma ida ao cinema silencia a dor do casal, nascida em meio a tantos sonhos esquecidos – dor que nem as cadeiras Chippendale, nem as leituras mensais do Clube do Livro, nem as gloriosas suítes do Hotel Sheraton podem silenciar. Mas que nos são apresentadas, com lirismo e melancólica doçura, por meio da memorável interpretação de talentosos e dedicados maestro, elenco e orquestra, em noite de Municipal semivazio de público, mas povoado de tantas quimeras abandonadas ao longo do caminho.